Especial

por Sidney Fernandes

Irmãos invisíveis


A branda mão de Deus manifesta sua misericórdia ao designar um Espírito superior para nos guiar, proteger e aconselhar no enfrentamento das dificuldades da jornada terrestre. E essa proteção estende-se, conforme informam os Espíritos, à vida espiritual e, às vezes, a futuras encarnações.

É forçoso lembrar, todavia, que as providências divinas não são somente de caráter protecionista. O homem deve continuar com seu esforço evolutivo no processo reencarnatório.

Assim, ser-lhe-ão facultadas boas influências de Espíritos simpáticos, que dependerão de sua persistência no bem e de seu bom caráter. Caso contrário, ficará à mercê de Espíritos que podem lhe desejar o mal.

Da mesma forma, os Espíritos familiares, que geralmente são bons e se ligam aos seus protegidos por laços de sentimento, nem sempre podem poupá-los de todas as dores e inconveniências. Não agem senão por ordem ou com permissão dos Espíritos protetores, que sabem o que efetivamente é melhor para os seus tutelados. Deles se esperam autênticos esforços de renovação.

E mesmo o Espírito protetor pode abandonar seu protegido, caso ele insista em ignorar os seus conselhos. Quando vê que suas palavras são inúteis e a influência dos Espíritos inferiores é mais forte, deixa-o por sua própria conta e risco. Mas, assim que bate a dor e o protegido rebelde o chama, ele retorna imediatamente.

A crença em anjos da guarda está presente na tradição da Igreja desde os primeiros séculos. São Basílio Magno, no século IV, foi um dos primeiros teólogos a formular claramente essa ideia:

“Cada fiel tem ao seu lado um anjo como protetor e pastor, para conduzi-lo à vida.”

São Jerônimo, São Tomás de Aquino e outros teólogos também reforçaram essa doutrina.

O ensino sobre anjos da guarda consolidou-se na teologia cristã, com base em passagens bíblicas como:

“Vede, não desprezeis a um destes pequeninos; porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus.” (Mateus 18:10)

A passagem aponta para uma verdade consoladora: cada criatura humana, especialmente quando muito vulnerável, é acompanhada por Espíritos elevados — anjos — que velam por ela diante de Deus. Não se trata apenas de um recurso poético, mas de uma realidade espiritual confirmada pela Doutrina Espírita, que ensina que todos temos um Espírito protetor, um guia ou mentor, cuja missão é nos inspirar, intuir e fortalecer nas lutas da vida.

“Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.” (Salmo 91:11)
 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita