A branda mão de Deus manifesta sua misericórdia ao
designar um Espírito superior para nos guiar, proteger e
aconselhar no enfrentamento das dificuldades da jornada
terrestre. E essa proteção estende-se, conforme informam
os Espíritos, à vida espiritual e, às vezes, a futuras
encarnações.
É forçoso lembrar, todavia, que as providências divinas
não são somente de caráter protecionista. O homem deve
continuar com seu esforço evolutivo no processo
reencarnatório.
Assim, ser-lhe-ão facultadas boas influências de
Espíritos simpáticos, que dependerão de sua persistência
no bem e de seu bom caráter. Caso contrário, ficará à
mercê de Espíritos que podem lhe desejar o mal.
Da mesma forma, os Espíritos familiares, que geralmente
são bons e se ligam aos seus protegidos por laços de
sentimento, nem sempre podem poupá-los de todas as dores
e inconveniências. Não agem senão por ordem ou com
permissão dos Espíritos protetores, que sabem o que
efetivamente é melhor para os seus tutelados. Deles se
esperam autênticos esforços de renovação.
E mesmo o Espírito protetor pode abandonar seu
protegido, caso ele insista em ignorar os seus
conselhos. Quando vê que suas palavras são inúteis e a
influência dos Espíritos inferiores é mais forte,
deixa-o por sua própria conta e risco. Mas, assim que
bate a dor e o protegido rebelde o chama, ele retorna
imediatamente.
A crença em anjos da guarda está presente na tradição da
Igreja desde os primeiros séculos. São Basílio Magno, no
século IV, foi um dos primeiros teólogos a formular
claramente essa ideia:
“Cada fiel tem ao seu lado um anjo como protetor e
pastor, para conduzi-lo à vida.”
São Jerônimo, São Tomás de Aquino e outros teólogos
também reforçaram essa doutrina.
O ensino sobre anjos da guarda consolidou-se na teologia
cristã, com base em passagens bíblicas como:
“Vede, não desprezeis a um destes pequeninos; porque eu
vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face
de meu Pai que está nos céus.” (Mateus
18:10)
A passagem aponta para uma verdade consoladora: cada
criatura humana, especialmente quando muito vulnerável,
é acompanhada por Espíritos elevados — anjos — que velam
por ela diante de Deus. Não se trata apenas de um
recurso poético, mas de uma realidade espiritual
confirmada pela Doutrina Espírita, que ensina que todos
temos um Espírito protetor, um guia ou mentor, cuja
missão é nos inspirar, intuir e fortalecer nas lutas da
vida.
“Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito,
para te guardarem em todos os teus caminhos.” (Salmo
91:11)