Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Amizade


Um amigo de presente


O fim de semana estava chegando, e Fefê estava muito animado. Seu aniversário seria no domingo, e seus avós, tias, primos e amigos estavam todos convidados para a festinha.

A casa estava cheia, pois os familiares vinham de longe para prestigiar e ajudar nos preparativos.

A tia Dulce faria os docinhos; as primas Ana e Cecília ficaram encarregadas dos sanduíches; os pais de Fefê cuidariam da casa e da decoração; e ele, junto com os priminhos mais novos, já planejava as brincadeiras.

Na correria da arrumação, um detalhe muito importante acabou sendo esquecido. Já era sábado à tarde quando Fefê se deu conta de que ninguém havia falado do bolo!

— Mamãe, mamãe! Você vai fazer meu bolo de aniversário?

— Vou sim, Fefê. Vai ser bem gostoso, de chocolate com morango.

A mãe falou empolgada, mas o menino se entristeceu com o que ouviu.

— Mas não é esse que eu quero! — disse ele, quase chorando.

A família, que estava por perto, ouviu a conversa e se preocupou. Perceberam que o assunto do bolo era sério.

— Então, qual bolo você quer, Fefê? — perguntou sua prima.

Todos, em silêncio, esperavam a resposta do menino, torcendo para que ele escolhesse um bolo fácil de fazer.

— Eu quero bolo de laranja com raspinhas de limão e uma calda branquinha em cima!

Virou o maior falatório: todos queriam falar ao mesmo tempo.

— Tem certeza de que você não quer de chocolate?

— Isso não é bolo de aniversário, Fefê.

— Onde vamos achar laranjas a essa hora?

— E se for de fubá, que nós já temos na cozinha? Pode ser de fubá, Fefê?

Fefê viu os rostos ansiosos da família e suspirou. Olhou para o chão e começou a arrastar o pezinho de um lado para o outro. “Não é bem o que eu queria...”, pensava ele. Mas falou baixinho:

— ...acho que pode ser de fubá, então.

A tia Dulce lhe fez um carinho e prometeu ajudar a fazer a caldinha branca por cima do bolo de fubá:

— Vai ficar até mais gostoso que bolo de laranja, você vai ver!

A casa retomou a agitação alegre dos preparativos, e Fefê saiu para a rua. Ele estava acostumado a brincar na frente de casa com as crianças da vizinhança. Mas, naquele momento, talvez por causa do horário, nenhum de seus amigos estava lá.

Fefê sentou-se no meio-fio e começou a chorar. Para ele, aquilo era sinal de que realmente não estava com sorte.

— Puxa vida! Agora, além de ficar sem o bolo que eu queria, não tem ninguém para brincar comigo!

— Ei, você está bem?

Fefê ergueu o rosto e viu um menino com o cabelo arrepiado pelo vento, as roupas amassadas e os pés sujos de terra.

— Estou bem — respondeu ele. — Só estou triste. Amanhã é meu aniversário, vai ter festa, mas eu não vou ganhar o bolo que eu queria.

— Ah, entendi — disse o menino. — É chato mesmo; a gente gosta que tudo dê certo no aniversário! Mas, já que estamos aqui, podíamos brincar de alguma coisa, né? Qual é o seu nome?

— É... Meu nome é Felipe, mas me chamam de Fefê.

— Sou Gabriel — disse o menino, com um grande sorriso. — Meu aniversário é amanhã também!

— Não acredito! Que legal! — Fefê já estava esquecendo a história do bolo enquanto conversava com o novo amigo. — Você também vai ter uma festa?

Gabriel mexeu com um graveto que estava no chão, e Fefê percebeu que o rosto do amigo murchou um pouco.

— Não vou... Nós acabamos de mudar para essa casa — disse o menino, apontando para o portão vermelho atrás deles — e meus pais falaram que não vai dar para fazer festinha este ano. Mas, pelo menos, estou ganhando um amigo de aniversário, né?

Fefê teve uma ideia brilhante e levantou-se depressa.

— Vem fazer seu aniversário na minha casa! A gente pode cantar parabéns juntos. Minha tia está fazendo muitos docinhos, e vai ter bastante gente para brincar.

Os olhos de Gabriel se arregalaram.

— Sua mãe não vai achar ruim? Eu nem tenho presente para te levar...

— Não se preocupe com isso — disse Fefê, com sinceridade. — O importante é que vamos comemorar!

Gabriel levantou-se de repente e pediu que o amigo esperasse ali. Depois de alguns minutos, voltou com duas sacolas quase arrebentando de tão cheias.

— Não consigo comprar presente, mas tem um pomar no quintal. Vocês gostam de laranja e limão?

Fefê deu pulos de alegria. Gabriel não poderia imaginar, mas aquelas sacolas de frutas eram o melhor presente que o amigo poderia querer naquele momento. Os dois correram para casa para mostrar as frutas à mãe de Fefê, que as recebeu com muita alegria por poder satisfazer o filho com o bolo de laranja.

No domingo à tarde, Gabriel e Fefê estavam juntos à mesa da sala para assoprar as velinhas, cercados de suas famílias e amigos. Eles ofereceram o melhor que tinham um ao outro, e aquela foi uma festa inesquecível.

 

Texto de Lívia Seneda.


 


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