Tema: Amizade
Um amigo de presente
O
fim de semana estava chegando, e Fefê estava muito
animado. Seu aniversário seria no domingo, e seus avós,
tias, primos e amigos estavam todos convidados para a
festinha.
A
casa estava cheia, pois os familiares vinham de longe
para prestigiar e ajudar nos preparativos.

A
tia Dulce faria os docinhos; as primas Ana e Cecília
ficaram encarregadas dos sanduíches; os pais de Fefê
cuidariam da casa e da decoração; e ele, junto com os
priminhos mais novos, já planejava as brincadeiras.
Na
correria da arrumação, um detalhe muito importante
acabou sendo esquecido. Já era sábado à tarde quando
Fefê se deu conta de que ninguém havia falado do bolo!
—
Mamãe, mamãe! Você vai fazer meu bolo de aniversário?
—
Vou sim, Fefê. Vai ser bem gostoso, de chocolate com
morango.
A
mãe falou empolgada, mas o menino se entristeceu com o
que ouviu.
—
Mas não é esse que eu quero! — disse ele, quase
chorando.
A
família, que estava por perto, ouviu a conversa e se
preocupou. Perceberam que o assunto do bolo era sério.
—
Então, qual bolo você quer, Fefê? — perguntou sua prima.
Todos, em silêncio, esperavam a resposta do menino,
torcendo para que ele escolhesse um bolo fácil de fazer.
—
Eu quero bolo de laranja com raspinhas de limão e uma
calda branquinha em cima!
Virou o maior falatório: todos queriam falar ao mesmo
tempo.
—
Tem certeza de que você não quer de chocolate?
—
Isso não é bolo de aniversário, Fefê.
—
Onde vamos achar laranjas a essa hora?
— E
se for de fubá, que nós já temos na cozinha? Pode ser de
fubá, Fefê?
Fefê viu os rostos ansiosos da família e suspirou. Olhou
para o chão e começou a arrastar o pezinho de um lado
para o outro. “Não é bem o que eu queria...”, pensava
ele. Mas falou baixinho:
—
...acho que pode ser de fubá, então.
A
tia Dulce lhe fez um carinho e prometeu ajudar a fazer a
caldinha branca por cima do bolo de fubá:
—
Vai ficar até mais gostoso que bolo de laranja, você vai
ver!
A
casa retomou a agitação alegre dos preparativos, e Fefê
saiu para a rua. Ele estava acostumado a brincar na
frente de casa com as crianças da vizinhança. Mas,
naquele momento, talvez por causa do horário, nenhum de
seus amigos estava lá.
Fefê sentou-se no meio-fio e começou a chorar. Para ele,
aquilo era sinal de que realmente não estava com sorte.
—
Puxa vida! Agora, além de ficar sem o bolo que eu
queria, não tem ninguém para brincar comigo!
—
Ei, você está bem?
Fefê ergueu o rosto e viu um menino com o cabelo
arrepiado pelo vento, as roupas amassadas e os pés sujos
de terra.
—
Estou bem — respondeu ele. — Só estou triste. Amanhã é
meu aniversário, vai ter festa, mas eu não vou ganhar o
bolo que eu queria.
—
Ah, entendi — disse o menino. — É chato mesmo; a gente
gosta que tudo dê certo no aniversário! Mas, já que
estamos aqui, podíamos brincar de alguma coisa, né? Qual
é o seu nome?
—
É... Meu nome é Felipe, mas me chamam de Fefê.
—
Sou Gabriel — disse o menino, com um grande sorriso. —
Meu aniversário é amanhã também!
—
Não acredito! Que legal! — Fefê já estava esquecendo a
história do bolo enquanto conversava com o novo amigo. —
Você também vai ter uma festa?
Gabriel mexeu com um graveto que estava no chão, e Fefê
percebeu que o rosto do amigo murchou um pouco.
—
Não vou... Nós acabamos de mudar para essa casa — disse
o menino, apontando para o portão vermelho atrás deles —
e meus pais falaram que não vai dar para fazer festinha
este ano. Mas, pelo menos, estou ganhando um amigo de
aniversário, né?
Fefê teve uma ideia brilhante e levantou-se depressa.
—
Vem fazer seu aniversário na minha casa! A gente pode
cantar parabéns juntos. Minha tia está fazendo muitos
docinhos, e vai ter bastante gente para brincar.
Os
olhos de Gabriel se arregalaram.
—
Sua mãe não vai achar ruim? Eu nem tenho presente para
te levar...
—
Não se preocupe com isso — disse Fefê, com sinceridade.
— O importante é que vamos comemorar!
Gabriel levantou-se de repente e pediu que o amigo
esperasse ali. Depois de alguns minutos, voltou com duas
sacolas quase arrebentando de tão cheias.
—
Não consigo comprar presente, mas tem um pomar no
quintal. Vocês gostam de laranja e limão?
Fefê
deu pulos de alegria. Gabriel não poderia imaginar, mas
aquelas sacolas de frutas eram o melhor presente que o
amigo poderia querer naquele momento. Os dois correram
para casa para mostrar as frutas à mãe de Fefê, que as
recebeu com muita alegria por poder satisfazer o filho
com o bolo de laranja.
No
domingo à tarde, Gabriel e Fefê estavam juntos à mesa da
sala para assoprar as velinhas, cercados de suas
famílias e amigos. Eles ofereceram o melhor que tinham
um ao outro, e aquela foi uma festa inesquecível.
Texto de Lívia
Seneda.