A obra da unificação
Irmãos, meus votos de paz e que o Senhor da Seara vos
abençoe o pensamento e o coração.
A obra da confraternização espiritista no Brasil, cuja
tarefa no seio dos povos do planeta está nos grandes
objetivos da revivescência do Cristianismo, deve
constituir assunto de relevância para quantos trazem os
seus olhos e os seus esforços voltados para o Alto, de
onde vela o nosso divino Mestre pelos destinos do mundo.
Enquanto as forças reacionárias se congraçam em largos
movimentos, dentro das vibrações densas e antagônicas do
reino de César, procurando o amparo transitório da
política do mundo, constitui um impositivo sagrado a
reunião das forças espirituais no sentido de conduzir o
estandarte luminoso de Jesus na ampla movimentação da
reforma, a principiar de cada um, no íntimo dos
corações.
Ninguém pode contestar a excelência da missão do Brasil
como pátria do Cristianismo revivido, e ao Espiritismo,
dentro das suas grandiosas lições de fraternidade e
solidariedade, cabe o papel de coordenar todos os
elementos, dentro do mecanismo social, projetando as
suas claridades em todas as suas instituições. A sua
feição religiosa nas plagas do Cruzeiro constitui,
irretorquivelmente, o característico essencial daquele
Consolador prometido à humanidade pela paz compassiva e
misericordiosa de Jesus.
Enquanto se multiplicam na Europa os laboratórios e os
centros de experimentação, a Doutrina no Brasil satura
de fé e de claridade todos os corações, preparando a
cultura geral do futuro, escoimando-a de todos os
prejuízos seculares, impostos pelos dogmas religiosos e
pelos dogmas científicos.
Um sopro de verdades consoladoras purifica o ambiente
das sacristias e o recinto dos núcleos universitários,
organizando-se, automaticamente, o grande cenário da
educação do porvir, da época de claridades espirituais,
que assinalará a elevação do orbe na categoria dos
mundos. Felizes vós, os chamados à grande tarefa, e que
saibais guardar no coração o imperativo do dever,
preocupando-se com as realidades dos escolhidos.
Incontestavelmente, a humanidade há atingido, na atual
civilização, um de seus períodos culminantes no que se
refere à evolução geral. Nele o materialismo grassa
enquanto o homem terrestre estaciona espiritualmente,
perplexo e aturdido. É por essa razão que os mais
extraordinários benefícios da civilização, nos tempos
modernos, são canalizados para a destruição. O homem
espiritual, estacionário e refratário na senda
evolutiva, transformou o homem material, cheio de
cientificismo, numa criança inconsciente. Todavia, não
duvidemos. O Espiritismo, conduzindo os homens à mais
ampla fraternidade, operando indiretamente o sincretismo
religioso no quadro dos conhecimentos humanos, já tem
feito uma grande diferença em seu meio século de
existência organizada no planeta.
As vozes do Céu, as revelações do túmulo têm consolado e
esclarecido a muitas almas. Uma avalanche de
conhecimentos novos orientou novamente a doutrinação da
cátedra e dos altares, e a verdade vai libertando uma
aluvião de Espíritos, livrando-os do aguilhão da
ignorância. Um novo organismo de leis, baseado na
solidariedade e na justiça econômica, se processa nas
profundezas da mentalidade humana. O parto dessas
realizações é doloroso. O homem será chamado às mais
pesadas contribuições de sofrimento e de sangue. As
sombras tentarão as suas derradeiras arremetidas sobre a
luz, mas a verdade se erguerá muito alto, santificando o
esforço penoso das gerações.
O Espiritismo, pois, meus amigos, já fez derribar
preconceitos seculares, encaminhando os homens para as
mais sublimes realidades da vida. O mundo atual, embora
encarcerado no antagonismo das vibrações as mais
contrárias, espera alguma coisa. Todos os corações se
inclinam para a revelação de uma outra vida melhor. Os
interesses inferiores se congregam para as últimas
batalhas. As doutrinas do isolamento conduzirão o homem
do século XX às horas mais terríveis no capítulo das
guerras inevitáveis, mas o coração humano sente, em si
mesmo, a promessa de Jesus, que se fará cumprir
integralmente, preconizando a humanidade do futuro com
suas novas concepções de fraternidade e de justiça no
“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”!
Do livro Deus conosco, obra
psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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