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por Roni Ricardo Osorio Maia

 

O ateísmo perante o Sempiterno


Em A Gênese¹, capítulo II – Deus –, Allan Kardec desenvolveu, em torno do Criador, os subtítulos: Existência de Deus, Da Natureza Divina, A Providência e A Visão de Deus. Em síntese, poderemos entender que a Causa Primária se estabelece por seus efeitos originados a um início, para nós, indefinido. Se observarmos a natureza e como ela se move, alguns detalhes que intrigam observadores e cientistas hão de nos dar uma ideia dessa grandeza. Por exemplo: o ciclo vegetal, desde quando brotam as sementes e os grãos até a floração ou a colheita, é um espetáculo natural.

Hoje em dia, com inúmeros recursos tecnológicos, muitos vídeos são disponibilizados amplamente, mostrando-nos o desabrochar de uma flor, como também as outras fases de um processo produtivo. Assim como câmeras minúsculas e instrumentos possantes exibem imagens impressionantes, o microscópio apresentou para a humanidade, há tempos, a movimentação dos seres vivos em termos biológicos. Daí, Allan Kardec lançou uma sensata ponderação:

“Pois bem, olhando em torno de si para as obras da natureza, observando-se a previdência, a sabedoria, a harmonia que a todos presidem, reconhece-se que não há nenhuma que não supere o mais alto grau da inteligência humana” (KARDEC, 2020, p. 41).

Deus existe.

Suas obras, como todos nós – as suas criaturas –, atestam essa veracidade.

Para ilustrar, relembremos, no memorável livro Pai Nosso², pelo venerando espírito Meimei, livro que muito apreciamos, psicografado por Chico Xavier, o apropriado conto “Existência de Deus”. A narrativa diz-nos que um humilde velho servo analfabeto, de origem árabe, orava com muita veneração. Um dia, o líder caravaneiro indagou por que ele rezava com tamanha fé, já que não sabia ler. Então, o servo apresentou-lhe três perguntas: como reconhecia o remetente de uma carta? A marca de uma joia? Os caminhos de animais próximos ao acampamento? E, respectivamente, o senhor respondeu, pela ordem: pela letra, pelo ourives e conforme os rastros.

Em seguida, o ancião chamou o rico ateu para fora da tenda, mostrou-lhe o céu cintilante de estrelas com a lua brilhante e afirmou: aquelas estrelas não seriam obras humanas. Logo em seguida, o senhor ajoelhou-se com o servo e juntos se colocaram a orar. Bela demonstração de um ser redimido.

Deus está no pensamento mais íntimo de suas criaturas; algumas delas insistem em desacreditar uma grandeza superior, porém o ser inteligente possui a ideia inata armazenada no inconsciente, a qual favorece a percepção de que existe um Ser Supremo, e os homens sempre recebem testemunhos incontestáveis dessa grandeza infindável.

Com um caráter investigativo, Kardec enumerou oito atributos³ sobre a natureza divina, com base naquilo que o homem poderia absorver: suprema e soberana inteligência, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em suas perfeições e único. Tais itens foram catalogados conforme uma proposição humana limitada, tendo em vista nossa imperfeição para alcançar a Divindade em plenitude, porém uma qualificação capaz de fornecer conhecimento ao homem sobre a essência divina.

A solicitude de Deus se manifesta em todo lugar; contudo, o homem rotulou o Criador com imagens diversas, comparando-o a si próprio. São figuras de anciãos sentados em tronos; em decorrência disso, foi imaginado um ser austero, vingativo, cruel...

Para uma analogia em torno do Supremo, o Codificador utilizou-se de um ponto de vista racional:

“As obras ditas da natureza são o produto de forças materiais que atuam, mecanicamente, em consequência das leis de atração e repulsão; as moléculas dos corpos inertes agregam-se e desagregam-se sob o império de tais leis” (IBIDEM, p. 41).

Desse modo, estamos continuamente relacionados a essa Força Superior que emana o controle e o poder sobre todos os seres distribuídos pela natureza. Kardec destacou como se processa a solicitude divina.

Durante séculos, o homem quis ver Deus e, em função disso, imaginou as mais diversas caracterizações em face de nossas limitações próprias. As comparações grotescas criadas ao longo dos tempos fizeram do Divino uma figura humana; o homem, uma vez equivocado, tenta vê-lo com os olhos naturais. Kardec destacou que:

“Deus, sendo a essência divina por excelência, só pode ser percebido em todo Seu esplendor pelos espíritos que alcançaram o mais alto grau de desmaterialização” (IBIDEM, p. 50).

A linguagem humana é incapaz de descrever o Pai – assim “reapresentado” por Jesus Cristo em um ambiente propício, em face de os judeus acreditarem no Deus Único (monoteísmo). O Mestre elevou a figura de um “deus” envolvido em mitologia e contextos de um cotidiano daquela época, envolto em atividades cotidianas, tais como: as pragas na agricultura, oferendas em altares, usurpações e domínio do mais forte em relação ao mais fraco, para Amor e Bondade. Por isso, não existe para nós nenhum ponto de comparação que possa dar ideia a respeito d’Ele.

A excelsitude do Criador está nas ações voltadas ao bem.
 

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1 EME.

² FEB.

³ Assunto também encontrado em O Livro dos Espíritos – Livro Primeiro – As Causas Primárias. (EME).

 

Roni Ricardo Osorio Maia reside em Santa Rita de Jacutinga (MG).


  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita