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Mantras
do cérebro
1 – Neurônios que se excitam juntos permanecem juntos
O mesmo estímulo, repetido diversas vezes, consolida
informações nas sinapses.
Recapitular diversas vezes a lição favorece a
memorização.
De tanto repetir as palavras e as lições, a gente não as
esquece mais.
2 – Usar para
não perder
Cada um de nós perde milhares de neurônios por dia.
É preciso usar para não perder.
Quanto mais se usa, mais forte fica.
3 – Lei do “tudo
ou nada”
Um neurônio, quando estimulado pelos seus vizinhos, só
se despolariza se esses estímulos atingirem a voltagem
de disparo.
O neurônio não se contenta com pouco. Ou recebe tudo o
que suporta para despolarizar, ou não haverá resposta.
Atingido o limite que exige — na voltagem padrão que ele
determina — a resposta vem com tudo: deu o começo, não
para mais até esgotar a corrente iônica desencadeada a
partir do estímulo recebido.
4 – Fazer o mais
com o menos
O cérebro organiza a economia. Quando jovem, jogamos
força fora.
O novato abusa do que tem.
Um tenista experimentado faz suas jogadas com o mínimo
de cérebro.
Ele antecipa até a resposta do adversário para
economizar.
O jogador novato esgota seu cérebro e, mesmo assim, só
faz um mínimo de pontos.
5 – Uso extra
significa córtex extra
O cego amplia o córtex da audição — escuta mais o que
não pode ver.
O violinista, que trabalha as mãos, expande a área
motora.
O orador, a área da fala. O taxista, a da orientação
espacial.
Quanto mais percepção e mais execução, mais extensão
acrescentamos ao cérebro.
A atividade remodela neurônios.
6 – A
sobrevivência primeiro
Toda experiência física produz um efeito psicológico.
Todo fenômeno psicológico tem representação cerebral.
O que o cérebro comunica ao corpo depende, em grande
parte, do que o corpo comunica ao cérebro.
O corpo fornece pistas emocionais para o cérebro: salve
primeiro a vossa pele.
Pelo cheiro, isso me parece venenoso.
7 – A emoção
somos nós em cada célula
O sistema nervoso se estende por todo o corpo.
E todo o corpo está dentro do cérebro.
8 – A memória
prefere espalhar a engavetar
Não há no cérebro um lugar único e fixo para a memória.
As informações espalham-se, desmembrando, por exemplo,
as características do objeto — cor, forma, movimento,
onde está, para que serve —, ficando cada aspecto numa
área em particular.
Esse é um dos aspectos computacionais do cérebro:
ele faz suposições — talvez eu consiga criar regras;
isso eu não posso; generaliza o que pode — já conheço
bem;
monta uma biblioteca de classificações dos objetos —
entre o ouro e o mercúrio, fico com o primeiro; produz
conceitos: maior, menor, perto, longe, conheço isso,
desconheço aquilo.
9 –
Recapitular é reconstruir
No rio, não se molham os pés na mesma água.
Na mente, não se vive um novo amor duas vezes.
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