Abuso sexual é
planejamento
reencarnatório?
O Brasil é um
dos piores
lugares do mundo
para as
mulheres.
Feminicídio,
relacionamentos
abusivos,
estupro
coletivo, abusos
sexuais na
infância: o
número de crimes
cometidos contra
elas é imenso. É
comum
utilizarmos a
Doutrina
Espírita para
tentar explicar
e compreender
tais
circunstâncias.
Existe uma
corrente de
pensamento
dentro do
movimento
espírita que
defende a ideia
de que “tudo
está
programado”.
Segundo essa
visão, se uma
criança de três
anos de idade é
abusada pelo
tio, pelo pai ou
por um vizinho,
esse espírito
precisaria
passar por essa
experiência para
galgar saltos
evolutivos.
Teria sido um
criminoso em
outra existência
e, agora,
necessitaria
desse
“planejamento
cármico” para
quitar débitos
diante da lei
divina.
Esse tipo de
argumento
doutrinário é
ensinado,
verbalizado e
estudado em
nossas casas
espíritas. Mas
será que
esclarece? Será
que consola? Ou
estaremos nos
satisfazendo com
qualquer
explicação, por
mais insensata
que seja?
Sabemos que
existe um
planejamento
reencarnatório.
Esse
planejamento
seria realizado
por espíritos
superiores,
conhecedores de
genética, carma,
expiações e
provações. Mas
um abuso sexual
seria realmente
uma experiência
necessária para
uma alma
evoluir? Não
existiria outro
meio menos
traumático para
ajudar esse
espírito a
“quitar” suas
dívidas?
Não é preciso
ser especialista
na área da saúde
mental para
saber que um
abuso físico
deixa sequelas
emocionais,
cicatrizes
psicológicas e
profundos
traumas que
comprometem toda
uma
reencarnação.
Que tipo de
espírito
superior
planejaria um
“estupro” para
uma alma? De
onde tiraram que
o abuso sexual
torna o espírito
mais humilde,
menos egoísta ou
mais solidário?
Quem inventou
essa narrativa
de que “o trauma
nos torna mais
fortes”?
O trauma destrói
a psique de uma
pessoa. Depois
de uma
experiência
traumática, o
espírito sofre
grande
comprometimento
em sua sanidade
emocional e
poderá
necessitar de
ajuda
psicológica — às
vezes até
medicamentosa —
durante a vida
inteira.
Um abuso sexual
atrapalha mais
do que ajuda na
evolução. Você
acha mesmo que
um espírito
superior, dotado
de grande
evolução moral e
intelectual,
escolheria, para
a reencarnação
de uma alma, uma
situação tão
violenta, brutal
e desumana?
Que tipo de
espírito
“planejaria”
abusos sexuais?
Precisamos,
urgentemente,
rever nossos
conceitos
deterministas,
que mais
aterrorizam do
que consolam.
Deus é bom. A
lei divina é de
amor.
Entretanto,
existem muitas
circunstâncias
nesta jornada
material para as
quais certas
explicações são
piores do que a
ausência delas.
Diante de crimes
tão graves
contra uma
população
vulnerável, como
as mulheres,
reconhecer nossa
ignorância e
oferecer consolo
sem julgamento
talvez seja uma
atitude mais
cristã e
doutrinariamente
mais fraterna.