Coragem
É preciso
coragem para
voltar para a
Terra, é preciso
coragem para
aproveitar a
encarnação e é
preciso coragem
para voltar para
nossa Casa
Espiritual como
um vencedor.
Existem vários
momentos em que
precisamos
demonstrar se
somos ou não
vencedores,
iniciando
quando, no Plano
Astral da Terra,
descemos para
este chão a fim
de passarmos
algumas décadas
aqui, novamente.
A maior parte
das
reencarnações é
decidida por nós
mesmos
(livre-arbítrio
pré-reencarnatório),
com o
consentimento do
Divino,
estabelecida por
nossas
concepções a
respeito do que
entendemos por
merecimento,
resgate,
retorno, e
também bastante
influenciada
pelos cordões
energéticos com
outros seres que
já haviam
encarnado
anteriormente.
Uma parcela de
nós, seres
encarnados, veio
de um nível
superior do
Plano Astral da
Terra; lá
estávamos antes
de descer
novamente. Outra
parcela estava
em um plano
astral
intermediário
antes de voltar;
outra, em um
nível inferior
no plano astral;
outros estavam
vagando pela
Terra; outros
vieram
diretamente do
Umbral para cá.
De acordo com o
nosso nível
consciencial
antes de
reencarnar — que
implica onde
estávamos, como
raciocinávamos,
como nos
sentíamos, o que
fazíamos —, cada
encarnação será
peculiar a nós
mesmos, desde a
infância até o
final da vida,
sujeita aos
nossos
pensamentos,
sentimentos,
hábitos e
conduta, ou
seja, ao nosso
livre-arbítrio
durante a
encarnação.
Acima de tudo, o
Divino e Suas
Leis, eternas,
imutáveis,
inflexíveis, no
sentido do Bem.
Não existe
negociação com
essa Eterna
Neutralidade;
apenas o
arrependimento
profundo,
verdadeiro e
sincero pode
comovê-La.
Quando estamos
no Plano Astral
superior, depois
de um tempo de
estadia, com a
predominância de
elevados valores
éticos e morais,
é preciso ter
coragem para
voltar para cá.
A nossa volta
atende aos
nossos desejos
ou ao que os
Instrutores
Espirituais nos
convencem ser o
melhor para nós.
Sair de lá, de
um modo de vida
adulto, fraterno
e desapegado,
para vir para a
Terra — um modo
de vida
infantojuvenil,
egocêntrico,
autocentrado —
exige coragem,
pois sabemos
que, aqui
chegados, as
memórias de
nossas
encarnações
passadas e das
passagens pelo
Plano Astral da
Terra, incluindo
a anterior,
quando
orquestramos
nossa nova
descida, ficarão
escondidas em
nosso
inconsciente,
ocultas e, pelo
rebaixamento de
nossa frequência
vibratória,
estaremos sendo
conduzidos
prioritariamente
pelos nossos
instintos,
dominados por
nossas
inferioridades,
ambas de maior
ou menor
intensidade, de
acordo com o
grau de cada um.
É preciso ter
coragem para
colocarmos
nossas
superioridades
sobrepujando
tudo isso.
Pessoas que já
alcançaram um
bom grau
evolutivo de seu
ego enfrentarão
as
circunstâncias
terrenas de
maneira
compatível com
esse grau;
pessoas com um
grau mediano de
desenvolvimento,
de maneira
alinhada a esse
nível; pessoas
com grau
inferior do ego
lidarão de modo
correspondente.
Isso aplica-se à
infância e a
todo o decorrer
de nossa vida
terrena: é o
raciocínio que,
em cada um de
nós, determinará
a nossa
trajetória.
Raciocínio é a
maneira pela
qual cada um de
nós enxerga,
sente e reage
aos fatos da
vida, desde o
útero até a
falência do
corpo, que
chamam
equivocadamente
de “morte”,
quando é apenas
a saída do
veículo que
criamos para nos
tornarmos
visíveis e
podermos
interagir com os
demais seres
visíveis.
Quando a
infância que
co-criamos foi
boa, sem maiores
percalços, não é
necessária tanta
coragem para
vivenciá-la,
pois os fatos
não são
traumáticos o
suficiente para
exigir de nós
uma postura de
força e
resiliência. Mas
são poucas as
infâncias
estruturadas
dessa maneira; a
maioria
constitui-se de
uma sequência de
fatos e
acontecimentos
que exigem muita
coragem para
permanecermos,
mais ou menos,
alinhados à
nossa essência
espiritual,
principalmente
porque nos
esquecemos dela
nessa fase da
vida e, em
muitas pessoas,
durante a vida
toda.
Quem atende
pessoas em
consultório,
escutando suas
histórias de
vida, sabe que a
grande maioria
dos relatos de
suas infâncias é
permeada por
traumas,
tristeza, mágoa,
rejeição,
inconformidade,
raiva e críticas
em relação às
circunstâncias e
aos personagens
daquela fase.
Percebe-se,
então, o nível
de coragem de
cada um ao lidar
com os fatos,
com o que
aconteceu —
muitas vezes
desde o útero —,
como metabolizou
isso e como isso
condicionou sua
saúde emocional
e mental,
geralmente para
o resto da vida.
Algumas pessoas
relatam fatos
extremamente
traumáticos e
dolorosos, mas
não permitem que
isso prejudique
substancialmente
a sua trajetória
de vida; outras
relatam fatos
que, para nós,
aparentemente
não são tão
graves, e isso
lhes provoca
consequências
sérias, muitas
vezes originando
sintomas
psicopatogênicos
em nível
emocional e
mental, e as
consequentes
manifestações
físicas
(“doenças”) nos
órgãos e partes
do corpo
correspondentes.
O que diferencia
umas pessoas das
outras? Duas
coisas: o nível
evolutivo do seu
ego e o grau de
sua coragem, que
atualmente se
chama
“resiliência”,
isto é, a
capacidade maior
ou menor de
lidar com fatos
traumáticos e
situações
adversas. Na
verdade, o nível
do ego e a
resiliência são
duas faces da
mesma moeda; uma
pessoa de ego
infantil reagirá
desse modo aos
fatos da vida;
uma pessoa de
ego adolescente,
de outro modo;
uma pessoa de
ego adulto, como
adulto; e quem
já atingiu o
nível superior
de ego, com a
sabedoria
inerente a esse
grau. Cada um
desses níveis —
infantil,
adolescente,
adulto e ancião
— apresenta
subníveis
superior e
inferior, e é
isso que
determinará
maior ou menor
aproveitamento
da encarnação,
no sentido
evolutivo.
Para evoluirmos
o nível do nosso
ego, é preciso
coragem. Essa
coragem
refere-se a
observar, em nós
mesmos — em
nossos
pensamentos,
sentimentos,
posturas e
hábitos —, o que
é inferior, o
que aflora
diante dos fatos
da vida, tenham
sido co-criados
por nós ou
resultem do
livre-arbítrio
durante a
encarnação.
Muitas vezes
programamos
fatos e
circunstâncias
para percebermos
o que temos de
inferior em
nosso ego e,
percebendo,
procurarmos
elevar o seu
nível; outras
vezes, o que
acontece é o que
nossos Amigos
Espirituais
chamam de
“coisas da
Terra”, que não
estavam
programadas, mas
foram criadas
pelo direito que
cada um tem de
agir, para o bem
ou para o mal,
durante a vida.
Não somos meros
robôs
manipulados pelo
destino; somos
como atores que
entram no palco
para representar
o nosso papel,
mas sabendo que
nós e os demais
atores podemos
improvisar. Em
uma sociedade
humana ainda de
nível
infantojuvenil,
os Espíritos
nesse grau não
necessitam de
tanta coragem,
pois são
enfeitiçados por
um sistema que
visa mantê-los
nesse nível de
entendimento e
atitudes. A
coragem torna-se
mais necessária
quando o nosso
ego já é adulto
ou ancião, pois
não é fácil ser
diferente da
maioria: é mais
cômodo ser igual
ou parecer
igual.
Como o sistema é
dominado por um
número restrito
de Espíritos de
ego adolescente,
que vivem para
beneficiar-se e
não para
beneficiar os
demais, para
acumular bens
materiais e não
para distribuir,
essa minoria —
que está sempre
no poder ou
perto dele — não
tem interesse em
elevar o grau
consciencial das
pessoas; pelo
contrário, busca
mantê-lo em um
nível infantil e
adolescente,
oferecendo
atrativos
compatíveis com
esse grau.
Nesse panorama,
os Espíritos de
ego adulto
geralmente
embarcam na
postura de
criticar,
indignar-se e
irritar-se, o
que pode levar a
uma atitude
positiva,
negativa ou a
uma mistura de
ambas. O risco é
cair na raiva,
na rigidez e no
enfrentamento,
que até podem,
aparentemente,
dar certo, mas,
com frequência,
transformam-se
em disputas
entre o “bem” e
o “mal”. Muitas
vezes, o “bem”
vence, mas, com
o tempo,
transforma-se no
próximo “mal”, e
então surge
outro “bem” para
enfrentá-lo.
Os Espíritos de
ego adulto devem
ter a coragem de
desenvolver a
indignação
pacífica, dizer
“sim” quando é
sim, “não”
quando é não,
manter-se
íntegros e
coerentes com
seu grau
evolutivo,
aproximando-se
cada vez mais do
nível ancião do
ego, entendendo
e acolhendo os
Espíritos de
nível inferior,
inclusive
aqueles que
detêm o poder,
muitas vezes
acometidos de
uma miopia
existencial que
os faz enxergar
apenas o que
gira em torno do
próprio umbigo.
A compreensão
resiliente, a
paciência ativa,
a manutenção dos
verdadeiros
valores morais,
o seguir sempre
em frente,
alinhado aos
conceitos
espirituais de
paz, harmonia e
fraternidade,
podem mudar o
mundo. A raiva,
a agressividade
e a falta de
amor podem até
funcionar por um
tempo, mas não
persistem nem
produzem bons
frutos; acabam
por originar
novas lutas,
novos
enfrentamentos,
novas disputas.
Assim vem sendo
desde sempre: em
vez da união, a
desunião; em vez
de dar as mãos,
fechar os
punhos; em vez
de sorrir,
cerrar os
dentes.
É preciso ter
coragem para ser
pacífico e
vencer alinhado
ao Bem.
Mauro Kwitko é
médico,
escritor,
fundador e
presidente da
Associação
Brasileira de
Psicoterapia
Reencarnacionista
(ABPR).