Entrevista

por Orson Peter Carrara

Brasileira radicada na Alemanha destaca frutos do conhecimento espírita


Natural de Salvador (BA), Edjane Pereira do Nascimento (foto), nossa entrevistada, é pedagoga, atua profissionalmente com ludicidade e reside em Hürth, Deutschland, na Alemanha. Vincula-se ao Cantinho do Chico, instituição espírita localizada em Köln (Colônia), no mesmo país, atuando como colaboradora geral. Entrevistamo-la sobre sua vivência espírita.

 

Como conheceu o Espiritismo?

Conheci o Espiritismo devido a um fato ocorrido na desencarnação de minha mãe. Ainda no aeroporto, em São Paulo, retornando à Alemanha, meu marido pediu que entrasse em uma livraria e comprasse um livro, pois a viagem era muito longa. Escolhi um livro que até hoje não li, mas recebi indicação da atendente de que havia um outro livro, que resolvi comprar. É o livro chamado Quando chegar a hora (Zíbia Gasparetto); comprei os livros e algumas revistas, sem muita vontade. Para mim não fazia diferença o que comprar; naquele momento iniciei a leitura do primeiro, não me interessei. Peguei o livro indicado, a história era atraente e li durante toda a viagem. No trem, indo para casa, pegamos o carro e eu continuava lendo. Nada me tirava a atenção do livro; em algum momento achei que a história era parecida com algo que eu passava no momento, achei que havia algo diferente naquele livro. Resolvi ver o final do livro, em que dizia ser um livro espírita; ali eu nascia outra vez, um mundo se abriu. Em verdade, penso que eu acabara de deslumbrar uma ciência, uma filosofia e seus princípios religiosos.

O que mais lhe marcou nesse encontro com o conhecimento espírita?

A imortalidade da alma, o consolo e a fé raciocinada eram as perguntas que eu sempre fazia para mim mesma; nunca nada nem ninguém havia me dado tantas respostas como encontrei na doutrina espírita. De onde viemos? O que estamos fazendo aqui? Para onde vamos? O Espiritismo é um tesouro e eu acabara de encontrar essa preciosidade.

Residindo no exterior, vincula-se a algum grupo espírita no país?

Sim, ao Grupo Espírita Cantinho do Chico, que conheci em 2004, dirigido pelo Sr. Luiz Dias. Eram 3 pessoas; fui ali levada por uma amiga por estar passando por desafios, cujo entendimento espírita até hoje me ajuda intensamente.

E como está o intercâmbio com o Brasil em termos virtuais de vivência espírita?

Maravilhoso! Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido; devemos muito a esses amigos espirituais que se empenharam para que pudéssemos ter essa ferramenta ao alcance de todos. A troca de experiências traz muitos aprendizados com pessoas mais experientes no conhecimento. Através dessa possibilidade majestosa, tivemos a oportunidade de conhecer várias pessoas que se tornaram muito caras aos nossos corações, pessoas que, parece-nos, são amigos de longas datas, devido à espontaneidade com que se caracteriza a amizade generosa. Dentre elas, cito o Sr. Adelino da Silveira. Foi tão especial que, certa vez, em uma reunião virtual com amigos do Recanto da Prece (que está situado em Campo Grande – MS –), o Sr. Adelino recebeu o convite para entrar virtualmente na sala, o qual acolheu carinhosamente. Tudo bem espontâneo; o encontro nos gerou emoções especiais. Parecia que nos conhecíamos há séculos. Tanto o Sr. Adelino quanto o meu esposo, que nunca tinham se visto antes, ambos se emocionaram. O encontro nos levou às lágrimas. O Sr. Adelino da Silveira é uma pessoa afetuosa e arrancou sorrisos de todo o grupo com sua forma jovial e espontânea ao relatar as experiências que teve diretamente com as visitas ao Chico Xavier, o que levaríamos décadas para fazer e conhecer. E tudo isso é possível fazer com um simples aparelho; com dedicação e disciplina, podemos nos encontrar em tempo real e trocar experiências. O Chico Xavier já nos trazia a notícia de que o Espiritismo seria difundido através das mídias; temos muito que agradecer ao Recanto da Prece, ao Sr. Carlos e à Beth Sanches por nos acolherem em suas reuniões virtuais.

De seu foco de atividades dedicadas ao conhecimento e vivência espírita, o que gostaria de destacar?

A importância da evangelização infantojuvenil; iniciar com os pequeninos bem cedo, relembrar a esses espíritos que a vida continua e vale ser um homem de bem mesmo em um planeta de provas e expiações. Apresentar o Pai de amor para eles, que estão em uma nova formação de conceitos, de maneira leve e tranquila, trazendo essas informações às crianças e aos jovens. Isso é de grande importância; não se pode mitigar essas verdades, alegando que eles devem buscar quando estiverem grandes; o bebê de hoje será o homem de amanhã; o homem evangelizado é um homem moralmente educado (evangelizar não no sentido de converter, mas no sentido de esclarecer), lembrando a afirmativa de Jesus: deixai vir a mim as criancinhas.

O que lhe tem sido mais produtivo em termos de conhecimento e vivência nesse intercâmbio de informações com o Brasil?

O Brasil é um celeiro em termos espirituais, onde muitos Espíritos aí reencarnaram para, na própria pátria do Evangelho, terem oportunidades de contribuir com o país e, ao mesmo tempo, progredir. É da lei que o mestre saiba, mas, como aprendiz, tenho buscado aprender com os amigos espíritas que aí vivenciam o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo com a sua própria vida. Chico Xavier, para minhas observações, é o maior exemplo de vida; a sua obra demonstra que o médium é de uma abnegação notável, mas o que mais me surpreende é o homem Chico Xavier, com suas virtudes. Não o conheci, mas os relatos dos amigos que conviveram com ele nos trazem um consolo, contando suas experiências que tiveram com ele os amigos Carlos Sanches, Luiz Fernando, Denise Grijo, Beth Sanches e Adelino da Silveira.

De suas memórias nesse tempo de vivência espírita, o que gostaria de destacar?

Quanto os amigos espirituais, sob a tutela de Nosso Senhor Jesus Cristo, têm auxiliado a humanidade! O trabalho de Allan Kardec, codificando a doutrina espírita, que é o Consolador, destaca a importância desse nobre tarefeiro espírita. Incansável servidor do bem, muito devemos às suas abnegadas reencarnações.

Palavras finais.

Gostaria de deixar a minha gratidão a todos que participam da minha existência, me ajudando a ser uma pessoa melhor: meus pais, meus familiares, os amigos espirituais e os menos afetuosos, e os encarnados, que têm muita paciência com a minha ignorância. A oportunidade aos senhores da Revista. Minha afetuosa gratidão. 


 

     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita