|
Natural de Salvador (BA), Edjane Pereira do
Nascimento (foto), nossa entrevistada, é
pedagoga, atua profissionalmente com ludicidade
e reside em Hürth, Deutschland, na Alemanha.
Vincula-se ao Cantinho do Chico, instituição
espírita localizada em Köln (Colônia), no mesmo
país, atuando como colaboradora geral.
Entrevistamo-la sobre sua vivência espírita.
Como conheceu o Espiritismo?
Conheci o Espiritismo devido a um fato ocorrido
na desencarnação de minha mãe. Ainda no
aeroporto, em São Paulo, retornando à Alemanha,
meu marido pediu que entrasse em uma livraria e
comprasse um livro, pois a viagem era muito
longa. Escolhi um livro que até hoje não li, mas
recebi indicação da atendente de que havia um
outro livro, que resolvi comprar. É o livro
chamado Quando chegar a hora (Zíbia
Gasparetto); comprei os livros e algumas
revistas, sem muita vontade. Para mim não fazia
diferença o que comprar; naquele momento iniciei
a leitura do primeiro, não me interessei. Peguei
o livro indicado, a história era atraente e li
durante toda a viagem. No trem, indo para casa,
pegamos o carro e eu continuava lendo. Nada me
tirava a atenção do livro; em algum momento
achei que a história era parecida com algo que
eu passava no momento, achei que havia algo
diferente naquele livro. Resolvi ver o final do
livro, em que dizia ser um livro espírita; ali
eu nascia outra vez, um mundo se abriu. Em
verdade, penso que eu acabara de deslumbrar uma
ciência, uma filosofia e seus princípios
religiosos.
O que mais lhe marcou nesse encontro com o
conhecimento espírita?
A imortalidade da alma, o consolo e a fé
raciocinada eram as perguntas que eu sempre
fazia para mim mesma; nunca nada nem ninguém
havia me dado tantas respostas como encontrei na
doutrina espírita. De onde viemos? O que estamos
fazendo aqui? Para onde vamos? O Espiritismo é
um tesouro e eu acabara de encontrar essa
preciosidade.
Residindo no exterior, vincula-se a algum grupo
espírita no país?
Sim, ao Grupo Espírita Cantinho do Chico, que
conheci em 2004, dirigido pelo Sr. Luiz Dias.
Eram 3 pessoas; fui ali levada por uma amiga por
estar passando por desafios, cujo entendimento
espírita até hoje me ajuda intensamente.
E como está o intercâmbio com o Brasil em termos
virtuais de vivência espírita?
Maravilhoso! Foi a melhor coisa que poderia ter
acontecido; devemos muito a esses amigos
espirituais que se empenharam para que
pudéssemos ter essa ferramenta ao alcance de
todos. A troca de experiências traz muitos
aprendizados com pessoas mais experientes no
conhecimento. Através dessa possibilidade
majestosa, tivemos a oportunidade de conhecer
várias pessoas que se tornaram muito caras aos
nossos corações, pessoas que, parece-nos, são
amigos de longas datas, devido à espontaneidade
com que se caracteriza a amizade generosa.
Dentre elas, cito o Sr. Adelino da Silveira. Foi
tão especial que, certa vez, em uma reunião
virtual com amigos do Recanto da Prece (que está
situado em Campo Grande – MS –), o Sr. Adelino
recebeu o convite para entrar virtualmente na
sala, o qual acolheu carinhosamente. Tudo bem
espontâneo; o encontro nos gerou emoções
especiais. Parecia que nos conhecíamos há
séculos. Tanto o Sr. Adelino quanto o meu
esposo, que nunca tinham se visto antes, ambos
se emocionaram. O encontro nos levou às
lágrimas. O Sr. Adelino da Silveira é uma pessoa
afetuosa e arrancou sorrisos de todo o grupo com
sua forma jovial e espontânea ao relatar as
experiências que teve diretamente com as visitas
ao Chico Xavier, o que levaríamos décadas para
fazer e conhecer. E tudo isso é possível fazer
com um simples aparelho; com dedicação e
disciplina, podemos nos encontrar em tempo real
e trocar experiências. O Chico Xavier já nos
trazia a notícia de que o Espiritismo seria
difundido através das mídias; temos muito que
agradecer ao Recanto da Prece, ao Sr. Carlos e à
Beth Sanches por nos acolherem em suas reuniões
virtuais.
De seu foco de atividades dedicadas ao
conhecimento e vivência espírita, o que gostaria
de destacar?
A importância da evangelização infantojuvenil;
iniciar com os pequeninos bem cedo, relembrar a
esses espíritos que a vida continua e vale ser
um homem de bem mesmo em um planeta de provas e
expiações. Apresentar o Pai de amor para eles,
que estão em uma nova formação de conceitos, de
maneira leve e tranquila, trazendo essas
informações às crianças e aos jovens. Isso é de
grande importância; não se pode mitigar essas
verdades, alegando que eles devem buscar quando
estiverem grandes; o bebê de hoje será o homem
de amanhã; o homem evangelizado é um homem
moralmente educado (evangelizar não no sentido
de converter, mas no sentido de esclarecer),
lembrando a afirmativa de Jesus: deixai vir a
mim as criancinhas.
O que lhe tem sido mais produtivo em termos de
conhecimento e vivência nesse intercâmbio de
informações com o Brasil?
O Brasil é um celeiro em termos espirituais,
onde muitos Espíritos aí reencarnaram para, na
própria pátria do Evangelho, terem oportunidades
de contribuir com o país e, ao mesmo tempo,
progredir. É da lei que o mestre saiba, mas,
como aprendiz, tenho buscado aprender com os
amigos espíritas que aí vivenciam o Evangelho de
Nosso Senhor Jesus Cristo com a sua própria
vida. Chico Xavier, para minhas observações, é o
maior exemplo de vida; a sua obra demonstra que
o médium é de uma abnegação notável, mas o que
mais me surpreende é o homem Chico Xavier, com
suas virtudes. Não o conheci, mas os relatos dos
amigos que conviveram com ele nos trazem um
consolo, contando suas experiências que tiveram
com ele os amigos Carlos Sanches, Luiz Fernando,
Denise Grijo, Beth Sanches e Adelino da
Silveira.
De suas memórias nesse tempo de vivência
espírita, o que gostaria de destacar?
Quanto os amigos espirituais, sob a tutela de
Nosso Senhor Jesus Cristo, têm auxiliado a
humanidade! O trabalho de Allan Kardec,
codificando a doutrina espírita, que é o
Consolador, destaca a importância desse nobre
tarefeiro espírita. Incansável servidor do bem,
muito devemos às suas abnegadas reencarnações.
Palavras finais.
Gostaria de deixar a minha gratidão a todos que
participam da minha existência, me ajudando a
ser uma pessoa melhor: meus pais, meus
familiares, os amigos espirituais e os menos
afetuosos, e os encarnados, que têm muita
paciência com a minha ignorância. A oportunidade
aos senhores da Revista. Minha afetuosa
gratidão.
 |