Mercê da misericórdia divina, todos nós somos dotados de
determinadas capacidades e talentos pelo Criador da
vida, embora passíveis de desenvolvimento constante.
Reside aí mais uma prova inconteste de que tudo se
encaixa com perfeição na obra celestial, e nela somos,
por assim dizer, os operários da vontade divina. Como
sabiamente sintetiza o Espírito Emmanuel, na obra Fonte
Viva (psicografia de Francisco Cândido Xavier), “Ninguém
é inútil”. Ou seja, até mesmo os indivíduos
circunstancialmente limitados por portarem certas
doenças ou características físicas não estão alijados de
pôr em prática – pelo menos parcialmente – as suas
habilidades. Desse modo, vemos, não raro, exemplos
marcantes advindos de tais criaturas que nos surpreendem
completamente. Como bem explica Emmanuel, “Cada criatura
recebeu determinado talento da Providência Divina para
servir no mundo e para receber do mundo o salário da
elevação”.
Nesse sentido, vale recordar que, há pouco tempo, O
Consolador trazia em sua webpage a entrevista do
confrade Allan Kardec Cardoso Lessa, portador de
dislexia, mas que, desde tenra idade, exibia clara
vocação artística na criação de brinquedos e estórias
(ver a entrevista clicando aqui: Entrevista-961).
Como relata a entrevista, o referido artista tem a
habilidade de transformar tudo que toca em autênticas
obras de arte. Como escultor e pintor, é dotado da
peculiaridade de criar técnicas inusitadas. Em sua
trajetória profissional consta a realização de diversas
exposições individuais e coletivas. É autodidata (nunca
cursou Arte), mas possui um saber intuitivo que abarca,
inclusive, a arquitetura e a engenharia.
Além de tudo isso, é também incansável trabalhador na
seara espírita, já que fundou centros em Vitória da
Conquista, na Bahia, bem como em outras cidades. Cabe
ainda ressaltar que, em 2018, ele fundou o Museu de
Kard. Tal obra é considerada o maior museu de arte
contemporânea das regiões Norte e Nordeste do país, já
que sua estrutura abrange uma área de meio milhão de
metros quadrados.
Felizmente, em nossas plagas há outros nomes igualmente
relevantes que deixaram um legado admirável devido ao
seu trabalho (dons). Posto isto, Emmanuel acrescenta que
“Velho ou moço, com saúde do corpo ou sem ela, recorda
que é necessário movimentar o dom que recebeste do
Senhor, para avançares na direção da Grande Luz”.
Dito de outra forma, ninguém está deserdado de dons. O
Senhor da Vida nos supre de talentos e habilidades para
as quais espera que contribuamos voluntariamente para a
sua obra de luz. Para Emmanuel, “Todos somos suscetíveis
de realizar muito, na esfera de trabalho em que nos
encontramos”. E é esse o aspecto sobre o qual precisamos
muito refletir. Ou seja, como estamos usando os dons que
Deus nos concedeu?
O Senhor fomenta a diversidade de dons com a expectativa
de que todos possam laborar pelo bem do mundo e das
criaturas. Não há ninguém desprovido de um quinhãozinho
de talento que possa ser empregado nessa direção
benéfica. Ainda recorrendo ao iluminado pensamento de
Emmanuel, “A vida é máquina divina da qual todos os
seres são peças importantes, e a cooperação é o fator
essencial na produção da harmonia e do bem para todos”.
Assim como em todas as épocas, os tempos presentes
igualmente convocam a todos a darem o melhor dos seus
dons em benefício dos semelhantes e do equilíbrio geral
da vida no planeta. Temos, aliás, o inolvidável exemplo
maior de Jesus, que desceu das culminâncias espirituais
e veio, em pessoa, nos trazer a sua mensagem
profundamente libertadora para as nossas consciências
entorpecidas. Os seus dons extraordinários foram
amplamente usados para mitigar a dor, o desespero e a
ignorância das criaturas humanas, deixando registros
inapagáveis da sua trajetória. As suas lições, por sua
vez, são imortais, pois transcendem tempo e época.
Se um ser da envergadura espiritual de Jesus pôde
renunciar ao seu certamente merecido bem-estar para
estar entre nós, podemos, de nossa parte, muito também
fazer, já que o Senhor nos “agraciou com as
oportunidades valiosas e com os dons divinos...”. Pois
então usemo-los com ardor e boa-fé. Afinal de contas,
como também pondera Emmanuel, “Ninguém é tão pobre que
nada possa dar de si mesmo”.
Em termos mais pragmáticos, explica Emmanuel em outra
obra seminal de sua autoria, Caminho, Verdade e Vida
(psicografia de Francisco Cândido Xavier), que cada um
está apto a ministrar os bens lhe outorgados pelo
Criador em seu próprio campo de trabalho, obviamente
despojado da fixação egoística de obter puro
enriquecimento, mas, sim, estimulado pelo ideal “de
servir com proveito para enriquecer em Deus”.
E servir encerra, essencialmente, nossa missão
primordial nesse orbe, pela via da aplicação salutar dos
nossos dons e habilidades. Indo mais além, conforme
argumenta Emmanuel, em Palavras da Vida Eterna (também
psicografada por Francisco Cândido Xavier), “Todos
somos, assim, dotados de recursos para desenvolver, ao
infinito, os dons divinos de fortaleza, que é valor
moral, do amor, que é serviço incessante no bem, e da
moderação, que define equilíbrio”.
Posto isto, independentemente da nossa ocupação,
tratemos de honrá-la através da entrega de ações e
serviços de excelência. Assim fazendo, estaremos
atendendo os nossos compromissos com a Espiritualidade
Maior e desenvolvendo cada vez mais as nossas
habilidades inatas.