Não somos
exceções
Quando sofreres alfinetadas morais no mundo, não te
permitas, por isso, cair no labirinto das grandes
complicações.
Forçoso que a mínima brecha no carro ou na embarcação
receba reparos imediatos se o viajante não deseja
arriscar-se. Nos comprometimentos do corpo, esmera-te no
uso de remédios, ginásticas, dietas, cirurgias; nos
males da alma, não te curarás ao preço de expectação.
Urge empregar observações, decisões, normas, estudos.
Quando a ansiedade ou aflição te visitarem, analisa a ti
mesmo, delibera quanto ao que devas fazer para evitar
desequilíbrio e conturbação, assume a responsabilidade
da própria disciplina e inspeciona o campo de ação em
que te movimentas.
Sem dúvida, necessitas de refazimento e conforto; no
entanto, em favor do próprio reajuste, aprende a
reconhecer que, em matéria de sofrimento, não constituis
exceção.
Reflete naqueles que carregam fardos mais pesados que os
teus. Os que desejam andar como naturalmente caminhas e
jazem atarraxados em leitos imóveis; os que anseiam ver
como enxergas e tateiam na sombra; os que te contemplam
a mesa farta, sem recursos de usufruí-la; e os que
estimariam compartilhar-te a segurança íntima e suportam
a cabeça esfogueada pelas chamas invisíveis da obsessão.
Fita a vanguarda dos que se te fizeram superiores, a fim
de que te animes à subida espiritual; todavia, não
desfites a retaguarda, para que te reconfortes nos
valores já conquistados e que podes claramente
distribuir, a benefício dos outros.
Sofre, aprendendo, e eleva-te, auxiliando. Este, o
programa do educandário da vida em si, porquanto, seja
na ascensão ou no resgate, aperfeiçoando ou ressarcindo,
a lei das provas é o agente aferidor do merecimento de
cada um, sem criar privilégios ou favores,
clandestinidades ou exceções para ninguém.
Do livro Alma e coração,
obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier
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