Tema espírita
Meus amigos, louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
De quando em vez, um toque de alerta faz sempre bem na
defesa de nosso bem.
Religião, em sinonímia legítima, define o culto dos
nossos deveres para com Deus, religando as criaturas ao
Criador. Por isso seitas religiosas, a rigor, são
criações humanas, renováveis e perecíveis, como tudo
aquilo que sai da experiência terrestre.
Os egípcios, os gregos e os romanos estabeleceram
agrupamentos dessa natureza, levantando santuários
diferentes para a consagração de seus numes domésticos.
Com Jesus Cristo, nosso Senhor, porém, não encontramos
qualquer traço de fé sectarista. Visita-nos ele
procurando nosso Pai celestial nas criaturas irmãs e
conduzindo as criaturas irmãs à comunhão com o nosso Pai
celestial.
O templo do Mestre, em cuja intimidade oficiava,
sublime, era o próprio coração humano, despertando as
almas para a glória divina. Da manjedoura até a cruz,
vemo-lo curando os enfermos, ensinando o caminho da
purificação espiritual, reerguendo os caídos, consolando
os tristes e aliviando a carga dos sofredores.
Não se pode dizer que o Pastor excelso haja criado mais
uma seita religiosa para ser adicionada às existentes,
porque no seu exemplo estava a própria religião em si,
como luz da vida eterna, religando a Terra ao Céu, a
alma à sua divina origem. Aliás, foi ele mesmo quem
asseverou que Deus é Espírito e importa que O adoremos
em espírito e verdade.
O Espiritismo, operando a renascença do pensamento do
Cristo, não é também uma seita religiosa para ser
incorporada às outras. Temos nele uma doutrina de
consequências morais, apoiando-se sobre três bases
distintas, que se constituem da religião, da filosofia e
da ciência. Em seus círculos de trabalho, a filosofia
indaga, a ciência experimenta e a religião ilumina.
Possuímos em seus princípios o trabalho dos instrutores
da humanidade, sob a bênção do nosso Senhor Jesus
Cristo, tanto quanto nosso Senhor Jesus Cristo se
encontrava sob a bênção do Pai, empreendendo a renovação
das almas para Deus. Por essa razão O Livro dos
Espíritos é a chave de nossa libertação moral. Em
suas páginas, como que por inspiração da Infinita
Sabedoria, surgem as perguntas da inteligência humana
com o pronunciamento da Espiritualidade Superior por
intermédio de respostas adequadas ao anseio das
criaturas.
Não lidamos, portanto, com uma bandeira de proselitismo,
mas sim com as responsabilidades de transportar conosco
o pensamento de Jesus, configurado na interpretação de
Allan Kardec, regenerando as nossas próprias almas
diante das almas que nos assistem. Indispensável, desse
modo, estejamos despertos para o Espiritismo vivido
dentro de nós, antes de pregado por nossa boca,
alertados para o impositivo da qualidade sem a
insistência do número.
Não ignoramos que, na Terra, todos os seres existem, mas
somente o Espírito humano já chegou à razão sazonada com
a obrigação de sobreviver segundo os ditames da
consciência reta. Daí o ensinamento de nosso Senhor com
a interpretação de Allan Kardec e todo o acervo de
lições das Esferas sublimes, convocando-nos para o
necessário ajustamento à lei divina, a fim de que o amor
e a sabedoria se manifestem através de nós todos,
encarnados e desencarnados, em favor da redenção
terrestre.
Estejamos, pois, no fiel desempenho de nossas funções,
iluminando-nos para que possamos iluminar, porque apenas
através da caridade de nosso dever bem cumprido é que
estaremos em dia para a execução da verdadeira caridade.
Do livro Registros imortais,
comunicação recebida pelo médium Francisco Cândido
Xavier.
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