Soneto
Sou o lavrador que fez, rude e bisonho,
A sementeira luminosa e rara
Do trigo louro e rútilo do sonho…
— Sonho lindo que a nada se compara.
Não reparou o labor triste e enfadonho,
Regou, chorando, a terra que lavrara,
E de alma ingênua e coração risonho,
Esperou confiante o sol da seara.
Passados os trabalhos e os tormentos,
Quando aguardava a messe, jubiloso,
Numa grande esperança insatisfeita,
Eis que aparecem os arrasamentos
E o pobre, desgraçado e desditoso,
Perdeu tudo no instante da colheita.
Da obra Parnaso
de Além-Túmulo, psicografada
pelo médium Francisco Cândido Xavier.