Joias da poesia
contemporânea

Autoria: Hermes Fontes

 

Soneto


Sou o lavrador que fez, rude e bisonho,

A sementeira luminosa e rara

Do trigo louro e rútilo do sonho…

— Sonho lindo que a nada se compara.

 

Não reparou o labor triste e enfadonho,

Regou, chorando, a terra que lavrara,

E de alma ingênua e coração risonho,

Esperou confiante o sol da seara.

 

Passados os trabalhos e os tormentos,

Quando aguardava a messe, jubiloso,

Numa grande esperança insatisfeita,

 

Eis que aparecem os arrasamentos

E o pobre, desgraçado e desditoso,

Perdeu tudo no instante da colheita.

 

Da obra Parnaso de Além-Túmulo, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita