Duas categorias de perversos: os
francamente maus e os hipócritas
É mais fácil recuperar um perverso do que um hipócrita.
Sim, os francamente maus praticam o mal mais por
instinto do que por cálculo e não procuram se passar por
melhores do que são. Há neles um gérmen latente que é
preciso fazer desabrochar e que se consegue por meio da
perseverança, da firmeza aliada à benevolência, dos
conselhos, do raciocínio e da prece. As evidências e
benefícios do bem normalmente os convencem e os
conquistam para um novo caminho.
Os hipócritas, por sua vez, são normalmente muito
inteligentes, mas sem fibra sensível no coração; nada os
toca, simulam os bons sentimentos para captar a
confiança, e felizes ficam quando encontram tolos que
aceitam suas ideias, pois podem manipulá-los à vontade.
Tais raciocínios e parciais transcrições, com adaptações
para elaboração do artigo, foram extraídos do item 75 –
Prefácio, constante do capítulo 28 de O Evangelho
Segundo o Espiritismo, que traz uma seleção de
modelos de preces para diferentes situações e toda ela
antecipada por pequenos e preciosos prefacinhos, como é
o caso.
Leva o subtítulo Pelos Espíritos endurecidos e
contém a valiosa orientação que nos inspira. Embora
referindo-se a espíritos já desencarnados, o raciocínio
cabe também entre nós, os encarnados, pois como o
próprio Codificador afirma: “(...) No mundo invisível,
como no mundo visível, os hipócritas são os seres mais
perigosos, porque atuam na sombra, sem que ninguém disso
desconfie; têm apenas as aparências da fé, mas fé
sincera, jamais.”
Esse é o trecho final do pequeno Prefácio, antes do
modelo de prece, específico. E aí se vê a abrangência da
questão, perfeitamente válido o raciocínio aplicável aos
espíritos quando o aplicamos aos encarnados.
Notemos que o início do texto avaliza com propriedade
essa questão. Transcrevemos o trecho inicial: “75.
Prefácio. — Os maus Espíritos são aqueles que ainda não
foram tocados de arrependimento; que se deleitam no mal
e nenhum pesar por isso sentem; que são insensíveis às
reprimendas, repelem a prece e muitas vezes blasfemam do
nome de Deus. São essas almas endurecidas que, após a
morte, se vingam nos homens dos sofrimentos que
suportam, e perseguem com o seu ódio aqueles a quem
odiaram durante a vida, quer obsidiando-os, quer
exercendo sobre eles qualquer influência funesta. (...)”
.
É a realidade de nossos dias, tanto nos atendimentos
mediúnicos onde isso se pode verificar, como nos
relacionamentos entre os encarnados, onde também
comparecem os que se deleitam no mal, os que não foram
tocados de arrependimento e nenhum pesar sentem pelos
prejuízos que causam. É interessante porque lá, como
aqui, também existe vingança, perseguição, exercendo
nefasta influência por onde passam.
E ainda mais interessante é que aqui, em nosso plano,
também podemos conquistar e reconduzir almas ao bem com
as iniciativas educativas e solidárias, sendo mais fácil
sensibilizar os francamente maus, pela evidência e
exemplos de amor a eles dirigidos inclusive pela prece.
Mas também lá, como aqui, é mais difícil sensibilizar os
hipócritas que mentem, disfarçam, manipulam, misturam-se
nas diferentes classes e segmentos para enganar, fraudar
e prejudicar, conduzidos pela insensibilidade.
Por isso o modelo de Prece colocado a seguir, no item
76, nos leva a profunda reflexão de amor em favor desses
espíritos ainda perversos, estejam na condição de
francamente maus ou estagiando na hipocrisia, incluindo
os encarnados também.
Para concluir, expressivo demais destacar um pequeno do
referido modelo de Prece:
“(...) Dirás que te é impossível; porém, nada é
impossível àquele que quer, porquanto Deus te deu, como
a todas as suas criaturas, a liberdade de escolher entre
o bem e o mal, isto é, entre a felicidade e a desgraça,
e ninguém se acha condenado a praticar o mal. Assim como
tens vontade de fazê-lo, também podes ter a de fazer o
bem e de ser feliz. (...)”.
Uma boa reflexão para orientar nossas escolhas diante da
inevitável Lei do Progresso. E a hipocrisia não nos faz
bem...
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