Os animais
pensam?
Na Revista
espírita de
julho de 1860,
com o título Os
Animais,
Kardec publica
inúmeras
dissertações
espontâneas
feitas pelo
Espírito
Charlet, em
várias sessões
da Sociedade.
Segundo o
Espírito,
tratava-se de
um pequeno
curso a esse
respeito.
Dentre as ideias
apresentadas por
Charlet, essa se
destaca: Ora,
como sabeis, os
animais vivem, e
tudo que vive
pensa. Não se
pode, pois,
viver sem
pensar. Assim,
os animais
pensam.
Ao examinar as
proposições da
entidade, Kardec
discorda da
ideia de que
tudo que vive
pensa,
argumentando que
as plantas
vivem, mas não
pensam. No
entanto, Kardec
parece concordar
com a afirmativa
de Charlet de
que os animais
pensam.
Mais de 150 anos
depois, como
andam os estudos
a esse respeito?
A imensa maioria
dos
pesquisadores
que se dedicam
ao estudo do
comportamento
animal acreditam
que a resposta
seja SIM, os
animais pensam,
mas o tipo e o
nível de
pensamento
variam muito
entre as
espécies.
Segundo o
neurocientista
Stanislas
Dehaene[i],
pensar envolve
processar
informações,
avaliar
situações, tomar
decisões e, em
alguns casos,
planejar ações
futuras. Os
cientistas
chamam isso de
cognição animal.
Primatas,
golfinhos,
elefantes,
corvos e
papagaios, por
exemplo, mostram
formas complexas
de pensamento.
Eles reconhecem
a si mesmos no
espelho, usam
ferramentas, têm
memória social e
conseguem até
“planejar” (como
guardar comida
para depois).
Experimentos
mostram que
chimpanzés e
corvos resolvem
problemas novos,
o que exige
raciocínio e não
só instinto.
Ratos e peixes
aprendem com
experiências,
reconhecem
padrões e
mostram memória
espacial —
sinais claros de
algum nível de
pensamento.
Abelhas e
polvos, embora
muito diferentes
dos mamíferos,
exibem
comportamentos
que indicam
cognição
adaptativa:
navegam,
aprendem rotas e
até jogam (no
caso dos polvos
em cativeiro).
Parece estar bem
definido, em
nossos dias que
a diferença
entre o
pensamento
humano e o
animal é de
grau, não de
presença.
Humanos têm
linguagem
simbólica,
autoconsciência
profunda e
pensamento
abstrato,
enquanto os
animais pensam
de forma mais
concreta e
ligada à
sobrevivência.
Para os
espíritas, essas
informações
devem ser vistas
com muita
naturalidade.
Não há solução
de continuidade
entre as
diferentes
espécies animais
e o animal
homem. Na
essência, todos
somos princípios
espirituais em
elaboração. E
como tal,
compartilhamos a
mesma identidade
psíquica,
obviamente, em
estágios
diferentes de
evolução.
Muito antes das
atuais
evidências
científicas,
Kardec propôs:
É assim que tudo
serve, tudo se
encadeia na
Natureza, desde
o átomo
primitivo até o
arcanjo, que
também começou
pelo átomo.
Admirável lei de
harmonia, da
qual o vosso
Espírito
limitado ainda
não pode
abranger o
conjunto.[ii]
[i] É
assim
que
pensamos.