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por Ricardo Baesso de Oliveira

 

Os animais pensam?


Na Revista espírita de julho de 1860, com o título Os Animais, Kardec publica inúmeras dissertações espontâneas feitas pelo Espírito Charlet, em várias sessões da Sociedade. Segundo o Espírito, tratava-se de um pequeno curso a esse respeito.

Dentre as ideias apresentadas por Charlet, essa se destaca: Ora, como sabeis, os animais vivem, e tudo que vive pensa. Não se pode, pois, viver sem pensar. Assim, os animais pensam.

Ao examinar as proposições da entidade, Kardec discorda da ideia de que tudo que vive pensa, argumentando que as plantas vivem, mas não pensam. No entanto, Kardec parece concordar com a afirmativa de Charlet de que os animais pensam.

Mais de 150 anos depois, como andam os estudos a esse respeito?

A imensa maioria dos pesquisadores que se dedicam ao estudo do comportamento animal acreditam que a resposta seja SIM, os animais pensam, mas o tipo e o nível de pensamento variam muito entre as espécies.

Segundo o neurocientista Stanislas Dehaene[i], pensar envolve processar informações, avaliar situações, tomar decisões e, em alguns casos, planejar ações futuras. Os cientistas chamam isso de cognição animal. Primatas, golfinhos, elefantes, corvos e papagaios, por exemplo, mostram formas complexas de pensamento. Eles reconhecem a si mesmos no espelho, usam ferramentas, têm memória social e conseguem até “planejar” (como guardar comida para depois). Experimentos mostram que chimpanzés e corvos resolvem problemas novos, o que exige raciocínio e não só instinto.

Ratos e peixes aprendem com experiências, reconhecem padrões e mostram memória espacial — sinais claros de algum nível de pensamento.

Abelhas e polvos, embora muito diferentes dos mamíferos, exibem comportamentos que indicam cognição adaptativa: navegam, aprendem rotas e até jogam (no caso dos polvos em cativeiro).

Parece estar bem definido, em nossos dias que a diferença entre o pensamento humano e o animal é de grau, não de presença. Humanos têm linguagem simbólica, autoconsciência profunda e pensamento abstrato, enquanto os animais pensam de forma mais concreta e ligada à sobrevivência.

Para os espíritas, essas informações devem ser vistas com muita naturalidade. Não há solução de continuidade entre as diferentes espécies animais e o animal homem. Na essência, todos somos princípios espirituais em elaboração. E como tal, compartilhamos a mesma identidade psíquica, obviamente, em estágios diferentes de evolução.

Muito antes das atuais evidências científicas, Kardec propôs:

É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, da qual o vosso Espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto.[ii]


 

[i] É assim que pensamos.

[ii] LE item 540.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita