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Musicoterapeuta formado pela Faculdade de Artes
do Paraná (de Curitiba), atividade a que se
dedica profissionalmente, Lucas Augusto Botós (foto) nasceu
e reside em Catanduva (SP). Vincula-se à União
Espírita Missionários da Luz, na mesma cidade,
com o cargo de vice-dirigente e facilitador de
estudos doutrinários. Entrevistamo-lo sobre sua
vivência espírita, aliada à sua formação
acadêmica profissional.
Como conheceu o Espiritismo?
Minha avó materna era adepta do Espiritismo e, à
época em que eu cursava a faculdade, meu pai já
havia desencarnado. Diante disso, ela perguntou
se eu teria interesse em receber possíveis
mensagens dele através da psicografia do médium
Francisco do Espírito Santo Neto (Quico).
Dirigimo-nos, então, à Sociedade Espírita Boa
Nova, na cidade de Catanduva, onde, para minha
imensa emoção, recebi uma carta psicografada de
meu pai, composta por 17 páginas. A partir desse
momento, meu interesse pela Doutrina Espírita
intensificou-se significativamente. Desde então,
passei a estudar com mais dedicação seus
princípios e jamais deixei de seguir os
ensinamentos de Jesus, à luz das obras de Allan
Kardec.
E como tem sido a experiência de palestrar –
preparo do tema, visita às instituições e
interações com o público?
A experiência de palestrar tem sido
profundamente enriquecedora e transformadora
para mim. O preparo dos temas ocorre com estudo
prévio, reflexão espiritual e sensibilidade, as
necessidades atuais, buscando sempre alinhar
conteúdo com os ensinamentos do mestre Jesus. As
visitas às instituições espíritas representam
oportunidades valiosas de aprendizado e troca,
pois, cada casa possui sua própria dinâmica e
vibração. Conhecer novas cidades e pessoas
diferentes amplia minha visão e fortalece o
sentimento de fraternidade. As reações do
público costumam ser acolhedoras e tocantes,
especialmente quando a música se faz presente.
Quando possível, toco canções que exaltam os
ensinamentos de Jesus permitindo acessar o
coração dos ouvintes de forma suave e profunda.
A interação ocorre de maneira espontânea, muitas
vezes marcada por emoção e gratidão. Cada
palestra se torna, assim, um encontro de almas.
Como musicoterapeuta, o que gostaria de dizer da
influência da música no contexto psicoemocional
do ser humano?
Como musicoterapeuta, compreendo a música como
uma poderosa ferramenta de equilíbrio
psicoemocional. Ela atua de forma direta sobre
as emoções, favorecendo a expressão de
sentimentos muitas vezes difíceis de serem
verbalizados. No contexto terapêutico, a música
auxilia na redução da ansiedade, no alívio do
estresse e na promoção do autoconhecimento. Seus
estímulos sonoros alcançam memórias, despertam
afetos e contribuem para a reorganização
emocional do indivíduo. Além disso, a música
fortalece vínculos, amplia a sensibilidade e
favorece estados de acolhimento e bem-estar.
Quando utilizada de maneira consciente e ética,
torna-se um valioso recurso de transformação
interior.
Nas terapias, qual ou quais as necessidades mais
expressivas apresentadas pelos pacientes? Medo?
Culpa? ou outras? E como a música pode
influenciar nisso?
Tenho bastante contato com profissionais
terapeutas que atuam em diversas linhas. Nas
terapias, as necessidades mais expressivas
apresentadas pelos pacientes realmente costumam
estar relacionadas ao medo, à ansiedade, à
culpa, porém, sentimentos como insegurança
depressão, descontrole emocional. Muitos trazem
também dores ligadas a perdas, dificuldades de
autoestima e desafios nos relacionamentos. A
música atua como um canal facilitador para
acessar essas emoções de forma segura e
acolhedora. Por meio dos sons, ritmos e
melodias, o paciente consegue expressar
conteúdos internos que, muitas vezes, não
consegue traduzir em palavras. A música auxilia
no relaxamento, na ressignificação de
experiências e no fortalecimento emocional.
Dessa forma, contribui para o equilíbrio
psicoemocional e para o processo de cura
interior.
E falando sobre ritmos, estilos, autores, quais
os mais preferidos? E como isso atua em favor do
paciente?
Na musicoterapia, não há um único ritmo, estilo
ou autor universalmente preferido, pois a
escolha musical é sempre centrada no paciente e
em sua história de vida, o que chamamos de ISO
musical. Os estilos mais utilizados são aqueles
que despertam identificação, segurança emocional
e memórias afetivas positivas, podendo variar
entre música clássica, popular, instrumental,
religiosa ou contemporânea. Ritmos mais suaves
tendem a favorecer o relaxamento e a redução da
ansiedade, enquanto ritmos mais marcados podem
estimular a expressão, a vitalidade e a
organização emocional. Autores e canções
significativas para o paciente fortalecem o
vínculo terapêutico e facilitam a comunicação
emocional. Dessa forma, a música atua como
mediadora do processo terapêutico, promovendo
acolhimento, equilíbrio e desenvolvimento
psicoemocional.
Como você alia o conhecimento espírita com a
influência da música em favor da harmonia
humana?
É perfeitamente possível aliar o conhecimento
espírita à influência da música em favor da
harmonia humana, pois ambos atuam no campo do
espírito, das emoções e do pensamento. À luz da
Doutrina Espírita, a música é compreendida como
um recurso capaz de elevar a vibração,
harmonizar o perispírito e favorecer estados de
paz interior. Quando utilizada com intenção
edificante, ela auxilia na sintonia dos
sentimentos nobres, como o amor, a esperança e a
fé. As melodias e letras inspiradas nos
ensinamentos de Jesus contribuem para o
equilíbrio psicoemocional e espiritual do
indivíduo. Assim, o conhecimento espírita
oferece o discernimento moral e a música se
torna um instrumento de sensibilização,
promovendo autoconhecimento, transformação
íntima e harmonia humana. Quando possível,
utilizo as canções aliadas as minhas exposições
para fortalecer e fixar os ensinamentos da
palestra.
De sua vivência espírita há alguma recordação
marcante?
Conforme mencionado anteriormente, a experiência
mais marcante de minha trajetória espírita foi o
recebimento da carta de meu pai, cujo desencarne
ocorreu quando eu contava apenas sete meses de
vida. A profundidade dos detalhes e a intensa
emoção vivenciada tornaram esse momento singular
e profundamente significativo. Tal experiência
revelou, de maneira incontestável, a existência
de um mundo espiritual que, embora muitas vezes
invisível aos nossos olhos, faz-se presente de
forma decisiva em nossas vidas. Além disso,
confirmou a certeza de que o amor transcende a
morte e permanece vivo mesmo após o desencarne.
Suas palavras finais.
À luz das experiências relatadas, da vivência
como palestrante espírita e da atuação
profissional na musicoterapia, é possível
compreender a profunda integração entre
espiritualidade, música e cuidado humano. A
Doutrina Espírita oferece fundamentos morais e
espirituais que orientam a compreensão do ser em
sua totalidade, enquanto a música se apresenta
como um instrumento sensível de acesso às
emoções e de harmonização emocional e
espiritual. A vivência em diferentes casas
espíritas, o contato com públicos diversos e o
uso consciente de canções inspiradas nos
ensinamentos de Jesus reforçam a importância da
escuta, do acolhimento e da vibração elevada.
Assim, música e espiritualidade, quando unidas
com responsabilidade e amor, tornam-se valiosos
recursos de transformação interior, promovendo
equilíbrio, esperança e harmonia ao ser humano
em sua jornada evolutiva.
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