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por Roque Roberto Pires de Carvalho

 

Jesus e os fariseus


A história do farisaísmo tem início no ano 167 a.C. e consta como dissolvido no ano 73 d.C. Há quem diga que ele ainda está presente em pleno século XXI. Não é de se duvidar...

O significado da palavra fariseu é “separado” ou “separatista”: isolavam os seus membros do resto do povo; vangloriavam-se de maior perfeição que os outros, por isso desprezavam os que não conheciam nem praticavam a lei em sua tradição mosaica. Foram criadores da instituição da sinagoga e se tornaram precursores do judaísmo rabínico. O apego escrupuloso à Lei e à tradição dos mais velhos levou-os à autossuficiência e a um orgulho judaico-religioso, e esse foi o fato que os impediu de aceitar Jesus Cristo como o enviado por Deus.

Esses doutores da lei, divergindo do Mestre, o segregaram e exigiram a sua morte quando na sinagoga. Viviam em um mundo ilusório, cercados de bajuladores, informantes, caluniadores e criaturas que extraíam tudo que os trabalhadores humildes pudessem auferir, frutos de seus esforços e vitalidade. Eram melífluos, sagazes, riam com escárnio e hipocrisia, colocavam-se num patamar de angelitude, exigindo respeito que não faziam por merecer. Suas atitudes e palavras eram dúbias, quando não temerárias e subjugadoras. Chantageavam a população, escravizando e saqueando sem dó, até as esperanças e os sonhos. Tinham Deus como figura ilustrativa, acumulavam riquezas e poder transitório, acreditando que toda a sua geração herdaria seus bens saqueados dos pobres.

Jesus vivia em meio às necessidades do povo trabalhador, tosco, cheio de necessidades e carências e, proferindo seus ensinamentos, dando exemplos de virtudes, falando abertamente às consciências, algumas vezes tornou-se rude, pois precisava advertir os vendilhões do Templo e a população, de modo geral e particular. Expulsou, mas não deixou de amar antes e depois de milênios da criação. Jesus dava da sua infinita generosidade, promovendo curas, reequilibrando organismos, psiquismos, transmitindo coragem e esperança, sem nada forçar nem exigir de quem quer que fosse. Assentava-se junto aos discípulos e, em qualquer lugar, ensinava a humildade e a caridade como recursos de salvação de si e do mundo. Jesus tinha Deus como Pai e deixou uma herança infinita de exemplos da conquista do poder do espírito imortal pela resignação, esforço individual e coletivo, pela vibração sempre em processo de burilamento, fazendo com que cada um pensasse e se transformasse em criaturas altruístas, esforçadas, persistentes, por alcançar os objetivos que levam à autoiluminação. Os fariseus deixaram um legado de usurpação de coisas perecíveis, obscuras, estacionadas nas trevas do usufruto de um poder que não dura além do tempo de cada um na Terra.

O tempo, inexorável, oferece tanto aos do Cristo quanto aos da escuridão oportunidades múltiplas de se realizar a autoanálise, a repetição de feitos, para se extrair das experiências aquilo que de fato tem valor. Quanto a aderir às sugestões de Jesus ou dos fariseus, cabe a cada um, pelo discernimento e bom senso, saber escolher: pela luz ou pelas trevas.

Encerrando: como ensinou Jesus, os fariseus são aqueles que abandonaram “os mandamentos de Deus para seguir a tradição dos homens”; nossa época está cheia deles. E nem é preciso procurar muito. São encontrados em todos os setores da sociedade. Não sem razão, nossa época vive em conflitos constantes e intermináveis. Mas a falta de fé em nosso século está atrelada principalmente a um problema de natureza moral: a falta de caráter e a desonestidade, bem como os negócios sujos de furtos e roubos, quadrilhas que se juntam para espoliar pessoas de seus bens e direitos, em disfarçado farisaísmo moderno.
  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita