Jesus e os fariseus
A história do farisaísmo tem início no ano 167 a.C. e
consta como dissolvido no ano 73 d.C. Há quem diga que
ele ainda está presente em pleno século XXI. Não é de se
duvidar...
O significado da palavra fariseu é “separado” ou
“separatista”: isolavam os seus membros do resto do
povo; vangloriavam-se de maior perfeição que os outros,
por isso desprezavam os que não conheciam nem praticavam
a lei em sua tradição mosaica. Foram criadores da
instituição da sinagoga e se tornaram precursores do
judaísmo rabínico. O apego escrupuloso à Lei e à
tradição dos mais velhos levou-os à autossuficiência e a
um orgulho judaico-religioso, e esse foi o fato que os
impediu de aceitar Jesus Cristo como o enviado por Deus.
Esses doutores da lei, divergindo do Mestre, o
segregaram e exigiram a sua morte quando na sinagoga.
Viviam em um mundo ilusório, cercados de bajuladores,
informantes, caluniadores e criaturas que extraíam tudo
que os trabalhadores humildes pudessem auferir, frutos
de seus esforços e vitalidade. Eram melífluos, sagazes,
riam com escárnio e hipocrisia, colocavam-se num patamar
de angelitude, exigindo respeito que não faziam por
merecer. Suas atitudes e palavras eram dúbias, quando
não temerárias e subjugadoras. Chantageavam a população,
escravizando e saqueando sem dó, até as esperanças e os
sonhos. Tinham Deus como figura ilustrativa, acumulavam
riquezas e poder transitório, acreditando que toda a sua
geração herdaria seus bens saqueados dos pobres.
Jesus vivia em meio às necessidades do povo trabalhador,
tosco, cheio de necessidades e carências e, proferindo
seus ensinamentos, dando exemplos de virtudes, falando
abertamente às consciências, algumas vezes tornou-se
rude, pois precisava advertir os vendilhões do Templo e
a população, de modo geral e particular. Expulsou, mas
não deixou de amar antes e depois de milênios da
criação. Jesus dava da sua infinita generosidade,
promovendo curas, reequilibrando organismos, psiquismos,
transmitindo coragem e esperança, sem nada forçar nem
exigir de quem quer que fosse. Assentava-se junto aos
discípulos e, em qualquer lugar, ensinava a humildade e
a caridade como recursos de salvação de si e do mundo.
Jesus tinha Deus como Pai e deixou uma herança infinita
de exemplos da conquista do poder do espírito imortal
pela resignação, esforço individual e coletivo, pela
vibração sempre em processo de burilamento, fazendo com
que cada um pensasse e se transformasse em criaturas
altruístas, esforçadas, persistentes, por alcançar os
objetivos que levam à autoiluminação. Os fariseus
deixaram um legado de usurpação de coisas perecíveis,
obscuras, estacionadas nas trevas do usufruto de um
poder que não dura além do tempo de cada um na Terra.
O tempo, inexorável, oferece tanto aos do Cristo quanto
aos da escuridão oportunidades múltiplas de se realizar
a autoanálise, a repetição de feitos, para se extrair
das experiências aquilo que de fato tem valor. Quanto a
aderir às sugestões de Jesus ou dos fariseus, cabe a
cada um, pelo discernimento e bom senso, saber escolher:
pela luz ou pelas trevas.
Encerrando: como ensinou Jesus, os fariseus são aqueles
que abandonaram “os mandamentos de Deus para seguir a
tradição dos homens”; nossa época está cheia deles. E
nem é preciso procurar muito. São encontrados em todos
os setores da sociedade. Não sem razão, nossa época vive
em conflitos constantes e intermináveis. Mas a falta de
fé em nosso século está atrelada principalmente a um
problema de natureza moral: a falta de caráter e a
desonestidade, bem como os negócios sujos de furtos e
roubos, quadrilhas que se juntam para espoliar pessoas
de seus bens e direitos, em disfarçado farisaísmo
moderno.