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Memórias do futuro
“Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que
o homem semear, isso também colherá.” –
Paulo (Gálatas 6:7.)
Ao falarmos nas memórias do futuro, a princípio, o
título deste artigo pode parecer paradoxal. Mas, se nos
aprofundarmos no teor do texto, veremos, pela linha de
raciocínio, que faz sentido. Vejamos os dias de hoje,
que relembramos do nosso passado, com momentos de
alegria e sobressaltos os mais diversos. Temos, então,
uma “história” que nos marcou os passos da vida. O que
construímos ontem são as memórias de hoje. Se
enveredarmos nos princípios da Doutrina dos Espíritos,
observaremos as inúmeras citações sobre a imortalidade
da alma. Por consequência, o nosso “amanhã” terá fortes
referências dos caminhos palmilhados na presente
existência.
Assim, teremos espelhado na erraticidade tudo que
pensamos e fizemos, configurando-se na memória do que
construímos. Quando Jesus anunciou as Bem-Aventuranças,
referiu-se sempre ao futuro, deixando lógico e, de forma
irrefutável, que a vida continua após o desencarne.
Observemos, também, a Lei de Causa e Efeito, que se
manifesta coerente com o raciocínio de que colheremos
aquilo que plantamos. Então, precisamos atentar para a
imperiosa necessidade de aprimorarmos a semeadura de
agora, para que tenhamos uma colheita com regozijo.
Porém, os vínculos do passado estarão sempre presentes,
fustigando-nos para permanecermos atrelados à matéria e
aos equívocos, dificultando sobremaneira a nossa
ascensão espiritual. Reencarnar é reviver um passado
repleto de falhas que precisam ser corrigidas. A
reeducação do Espírito é o princípio fundamental desse
processo contínuo e sem limites, pois as experiências
nunca se esgotarão. O orbe terrestre é uma escola que
nos oportuniza o aprendizado para a evolução necessária.
Os nossos pensamentos e atitudes irão refletir na vida
futura, quando espelharmos a fiel realidade daquilo que
somos. Despojados do corpo físico, nossa consciência
estará mais lúcida, e melhores condições teremos para
compreendermos nossos equívocos, podendo eclodir, nesse
processo, o arrependimento. A propósito, citamos o
livro Consciência
Quântica, de Amit Goswami, pág. 131: “Acumulamos
karma por meio de nossas ações e experiências; morremos;
reencarnamos de maneira consistente com o karma que
acumulamos. Do ponto de vista oriental, o karma opera
como um princípio espiritual em que tanto intenção
quanto ação influenciam existências futuras”.
São essas “memórias” que precisamos trabalhar, buscando
os ajustes que nos darão o impulso para o progresso
intelecto-moral, objetivo maior das nossas existências.
Essa ascensão dar-se-á segundo o nosso empenho e
pertinácia para vencermos as influências negativas que
nos chegam a cada dia.
Por oportuno, referimo-nos ao apóstolo Paulo, segundo
está em 2 Timóteo 4:7: “Combati o bom combate, terminei
a corrida e guardei a fé”. Ele evidenciou a vitória
obtida contra as suas imperfeições, firmando-se no
Evangelho de Jesus, valorizando a essência da vida, que
é espiritual. Citamos, ainda, o livro Um
Parêntese na Eternidade, pág. 45, de Joel S.
Goldsmith: “Qualquer que seja a lei posta em ação hoje
retornará a nós amanhã, no ano que vem, daqui a dez ou
mil anos. Em outras palavras, hoje estamos criando
nossos amanhãs, mesmo que seja no próximo século, e o
outro e mais outro”.
Essa luta interior contém várias batalhas. É no dia a
dia que surgem o que comumente chamamos de “problemas”.
No entanto, entendo que melhor seria chamar “desafios”.
O problema está sobre nós, e o desafio, diante de nós,
não dando a impressão de que estamos “submissos”. (As
nossas existências são dádivas de Deus, que nos
aprimoram no caminho da imortalidade.)
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