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por Luiz Guimarães Gomes de Sá

Memórias do futuro


“Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá.”
 – Paulo (Gálatas 6:7.)


Ao falarmos nas memórias do futuro, a princípio, o título deste artigo pode parecer paradoxal. Mas, se nos aprofundarmos no teor do texto, veremos, pela linha de raciocínio, que faz sentido. Vejamos os dias de hoje, que relembramos do nosso passado, com momentos de alegria e sobressaltos os mais diversos. Temos, então, uma “história” que nos marcou os passos da vida. O que construímos ontem são as memórias de hoje. Se enveredarmos nos princípios da Doutrina dos Espíritos, observaremos as inúmeras citações sobre a imortalidade da alma. Por consequência, o nosso “amanhã” terá fortes referências dos caminhos palmilhados na presente existência.

Assim, teremos espelhado na erraticidade tudo que pensamos e fizemos, configurando-se na memória do que construímos. Quando Jesus anunciou as Bem-Aventuranças, referiu-se sempre ao futuro, deixando lógico e, de forma irrefutável, que a vida continua após o desencarne. Observemos, também, a Lei de Causa e Efeito, que se manifesta coerente com o raciocínio de que colheremos aquilo que plantamos. Então, precisamos atentar para a imperiosa necessidade de aprimorarmos a semeadura de agora, para que tenhamos uma colheita com regozijo.

Porém, os vínculos do passado estarão sempre presentes, fustigando-nos para permanecermos atrelados à matéria e aos equívocos, dificultando sobremaneira a nossa ascensão espiritual. Reencarnar é reviver um passado repleto de falhas que precisam ser corrigidas. A reeducação do Espírito é o princípio fundamental desse processo contínuo e sem limites, pois as experiências nunca se esgotarão. O orbe terrestre é uma escola que nos oportuniza o aprendizado para a evolução necessária. Os nossos pensamentos e atitudes irão refletir na vida futura, quando espelharmos a fiel realidade daquilo que somos. Despojados do corpo físico, nossa consciência estará mais lúcida, e melhores condições teremos para compreendermos nossos equívocos, podendo eclodir, nesse processo, o arrependimento. A propósito, citamos o livro Consciência Quântica, de Amit Goswami, pág. 131: “Acumulamos karma por meio de nossas ações e experiências; morremos; reencarnamos de maneira consistente com o karma que acumulamos. Do ponto de vista oriental, o karma opera como um princípio espiritual em que tanto intenção quanto ação influenciam existências futuras”.

São essas “memórias” que precisamos trabalhar, buscando os ajustes que nos darão o impulso para o progresso intelecto-moral, objetivo maior das nossas existências. Essa ascensão dar-se-á segundo o nosso empenho e pertinácia para vencermos as influências negativas que nos chegam a cada dia.

Por oportuno, referimo-nos ao apóstolo Paulo, segundo está em 2 Timóteo 4:7: “Combati o bom combate, terminei a corrida e guardei a fé”. Ele evidenciou a vitória obtida contra as suas imperfeições, firmando-se no Evangelho de Jesus, valorizando a essência da vida, que é espiritual. Citamos, ainda, o livro Um Parêntese na Eternidade, pág. 45, de Joel S. Goldsmith: “Qualquer que seja a lei posta em ação hoje retornará a nós amanhã, no ano que vem, daqui a dez ou mil anos. Em outras palavras, hoje estamos criando nossos amanhãs, mesmo que seja no próximo século, e o outro e mais outro”.

Essa luta interior contém várias batalhas. É no dia a dia que surgem o que comumente chamamos de “problemas”. No entanto, entendo que melhor seria chamar “desafios”. O problema está sobre nós, e o desafio, diante de nós, não dando a impressão de que estamos “submissos”. (As nossas existências são dádivas de Deus, que nos aprimoram no caminho da imortalidade.)


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita