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Natural de Pinhalzinho e residente em Bragança
Paulista (ambos municípios paulistas) desde a
infância, Luci Aparecida Miranda (foto) é
graduada em Jornalismo e pós-graduada em
Jornalismo Digital e Mídias Sociais. Vincula-se
à Casa da Bênção, em
sua cidade, onde coordena atividades de passes e
reuniões mediúnicas às quintas-feiras, atuando
também como professora de teatro no grupo da
Mocidade Espírita. Nesta entrevista, ela nos
fala sobre sua vivência espírita.
Como conheceu o Espiritismo?
Em 1997, após dois anos de casamento, meu marido
e eu decidimos ter um bebê. No entanto, não
conseguíamos, apesar de ambos estarmos
saudáveis. Paralelamente a essa situação, que me
causava frustração, meu sobrinho mais velho,
então com 12 anos, sofria uma série de
convulsões, sequelas de uma doença que teve aos
2 anos de idade e que o deixou sem mobilidade e
sem fala. Como se não bastasse, uma vizinha teve
uma menina que nasceu sem as duas pernas e sem
um braço. Isso foi a gota d’água para que eu
abandonasse o grupo de oração carismático que
frequentava semanalmente.
Eu pensava: ou Deus existe e é muito injusto, ou
não existe; afinal, como pode a modelo Gisele
Bündchen receber tudo, enquanto meu sobrinho e a
filha da minha vizinha não recebem nada?
Certo sábado pela manhã, a tia do meu esposo foi
à minha casa — algo incomum, pois ela nunca nos
visitava sem avisar previamente. Eu estava muito
triste, e ela percebeu. Delsa Longanese era
espírita e uma das fundadoras do Centro Espírita
Casa do Caminho, em Bragança Paulista.
Naquele dia, ela me convidou para conhecer o
Centro, e eu aceitei.
Na quinta-feira seguinte, em uma noite muito
fria, fomos. Havia pouquíssimas pessoas na
reunião. O dirigente formou a mesa com médiuns
e, após a leitura do Evangelho, iniciou-se a
comunicação espiritual.
Em dado momento, um espírito disse: “Meu nome é
Maria Clara. Estou muito feliz, pois, pela
primeira vez, a pessoa que me receberá como
filha está nesta Casa.”
Três meses depois, eu estava grávida e
frequentando a Casa do Caminho.
O que mais lhe chama a atenção nesse vasto
conteúdo?
O Deus Pai, não o Deus punitivo; o Deus justo, e
não aquele que concede privilégios a uns e não a
outros.
Por meio da Doutrina, conheci um Deus que é amor
e que nos oferece a oportunidade de corrigirmos
nossos erros e evoluirmos. É consolador saber
que não há condenação eterna ao “inferno”, como
me foi ensinado. Crer que tudo decorre de nossas
escolhas é libertador, assim como saber que a
vida continua e que os laços permanecem.
Compreendi a doença do meu sobrinho e a condição
da filha da minha vizinha. Hoje, 28 anos depois,
meu sobrinho permanece acamado, e a filha da
minha vizinha está bem: apesar da ausência de
membros, trabalha e pratica esportes.
Outro sobrinho teve um grave problema de saúde
aos 7 anos. Na época, em 2012, eu já compreendia
a necessidade daquela experiência. Recentemente,
em 1º de janeiro de 2026, ele foi internado com
uma intercorrência e permaneceu na UTI até o dia
16, entubado. No dia seguinte, foi transferido
para o quarto. Os médicos não sabem explicar
como ele sobreviveu. Eu, porém, entendo que ele
ainda tem um tempo a cumprir nesta existência.
Trata-se de uma grande expiação: apesar de ter
perdido a visão e a mobilidade, e de não poder
se alimentar desde o ocorrido, ele permanece
consciente.
É necessário que ele esteja lúcido, a ponto de
uma hemorragia cerebral, como a que sofreu, não
comprometer suas funções cognitivas,
contrariando os prognósticos médicos ao longo
desses dias de internação.
Vejo nisso a realidade da expurgação, neste
momento de transição planetária.
E, sendo jornalista, como vê o processo de
comunicação espírita, tanto nos autores
clássicos (contemporâneos ou não de Kardec)
quanto nos atuais comunicadores espíritas?
Considero esse processo indispensável tanto para
iniciantes quanto para estudiosos mais
experientes, desde que as obras básicas de Allan
Kardec permaneçam como referência fundamental,
pois nelas estão os alicerces da Doutrina
Espírita.
Exerci a presidência da USE — União das
Sociedades Espíritas Intermunicipal — por um
mandato, período em que fui levada a diversas
reflexões. Uma delas diz respeito ao cuidado
necessário para que o Espiritismo permaneça fiel
às obras básicas. A USE-SP, com mais de 70 anos,
promove a campanha “Comece pelo Começo”,
incentivando os dirigentes a se manterem fiéis à
codificação kardequiana, evitando distorções
doutrinárias.
Claro que há outros autores importantes, e
devemos sempre destacar o nosso irmão Chico
Xavier.
As mídias sociais trouxeram a possibilidade de
divulgação mais ampla da Doutrina, o que
contribui para a disseminação do Evangelho de
Jesus. Antes das redes sociais, os grandes
veículos de comunicação concentravam esse poder
e divulgavam apenas o que lhes interessava.
Hoje, a internet permite maior alcance.
Entretanto, ao mesmo tempo que amplia a voz da
Doutrina Espírita fundamentada, também abre
espaço para interpretações distorcidas, com
práticas que não encontram respaldo nas obras
básicas nem nas de Chico Xavier.
Considerando sua atuação profissional como
jornalista e radialista, e também sua condição
de espírita, o que lhe vem à mente transmitir
aos leitores?
Que busquemos manter o equilíbrio em uma
existência tão desafiadora. A saúde mental vale
mais que ouro, e caminhar com Jesus torna o
trajeto mais leve.
Devemos cultivar intimidade com Jesus e com os
benfeitores espirituais, abrindo os ouvidos da
alma para ouvir seus ensinamentos e intuições.
Não estamos sós, e essa confiança nos fortalece.
Na minha profissão, precisei encontrar uma forma
de não me desequilibrar diante de notícias
difíceis. No rádio, onde estou diariamente em
contato com os ouvintes, procuro levar alegria,
ânimo, esperança e motivação, além de
informações que agreguem aprendizado.
Acredito que conseguimos estabelecer, na
emissora, uma relação de confiança e proximidade
com o público, contribuindo inclusive para a
saúde mental e o fortalecimento da fé dos
ouvintes.
Sobre o campo mediúnico, gostaria de acrescentar
algo?
Antes de conhecer a Doutrina, tive muitas
experiências mediúnicas. Algumas foram
positivas; outras, não, pois eu não sabia lidar
com os fenômenos e sentia muito medo.
Certa vez, antes de me tornar espírita, durante
um jantar na casa de amigos — todos espíritas —,
um deles me disse: “Luci, um espírito está me
dizendo que um dia você será divulgadora do
Espiritismo.” Eu tinha apenas 17 anos e não
imaginava que trabalharia em TV, rádio e jornal.
Meu sonho era ser atriz, e eu estudava teatro em
São Paulo. No entanto, a previsão se
concretizou.
Hoje, além de realizar palestras em casas
espíritas da minha cidade e de cidades vizinhas,
mantenho um canal no YouTube, onde faço
transmissões ao vivo de segunda a sexta-feira,
às 7h30. Comecei no Facebook, em 2020, durante a
pandemia, quando reuníamos cerca de 400 pessoas
ao vivo, muitas delas vivenciando o luto ou a
angústia de ter familiares internados em UTI.
Estamos no YouTube há quatro anos.
Além disso, mantive até o ano passado uma coluna
em um jornal regional impresso e, no programa de
rádio que apresento, também divulgo a Doutrina.
Recentemente, durante uma reunião mediúnica, um
espírito me mostrou uma casa situada em uma
colina e me disse: “Escreva sobre isso. Todas as
quintas-feiras, às 21h, ditaremos.”
Em três meses, concluí o romance, mas surgiu o
desafio de encontrar alguém para revisar o
conteúdo doutrinário. Hoje, 17 de janeiro de
2026, o dirigente de um centro espírita, onde
fui assistir a uma palestra, se dispôs a fazer a
leitura. O livro intitula-se Colina do Sol
Nascente.
Suas palavras finais.
No início, mencionei a experiência vivida na
Casa do Caminho, quando um espírito anunciou que
viria como minha filha. Naquele julho de 1997,
quem auxiliou na comunicação de Maria Clara, por
meio da médium, foi o dirigente e fundador do
Centro, Pio Nogueira.
Minha filha, Laura, cresceu frequentando a Casa
do Caminho, e sua mediunidade manifestou-se
cedo. Posteriormente, quando deixei de
frequentar aquela instituição — já após o
desencarne de Pio —, passamos a frequentar a
Casa da Bênção. No entanto, ela não se
identificou com o novo ambiente e começou a
visitar outros centros, até encontrar aquele
fundado por um amigo que também havia pertencido
à Casa do Caminho.
Agradeço à revista pela oportunidade de
compartilhar um pouco da minha vivência no
Espiritismo e parabenizo pelo trabalho relevante
que realiza ao levar o Evangelho de Jesus a
tantas pessoas.
Gratidão a todos que leram, e gratidão a Deus, a
Jesus e a Maria de Nazaré, que sempre nos
fortalecem.
Se hoje sigo adiante nesta existência, devo isso
a essa Doutrina tão consoladora.
Que Jesus abençoe a todos nós, hoje e sempre, e
que façamos a nossa parte, agindo em favor do
bem e praticando o Cristianismo.
Deixo também o convite a quem desejar acompanhar
nossas transmissões ao vivo no YouTube (Prece no
Lar) e no Instagram (@precenolar
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