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por Mauro Kwitko

 

A compaixão


Existem dois tipos de pessoas que merecem a nossa compaixão: as vítimas da miséria e os causadores dela. Pode parecer estranho que estejamos equiparando esses opostos, mas, na verdade, os miseráveis, os que sofrem as consequências de uma desumana desigualdade social sofrem isso em sua carne enquanto os causadores disso sofrem essa dor em sua alma. Um dia teremos uma sociedade em que a desigualdade social estará bastante minimizada, mais ou menos nivelada, mas, por enquanto, ainda não, pois, como dizia Gandhi, Na Terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns.” Isso ocorrerá com o passar dos séculos quando a nossa raça evoluir moralmente e eticamente e não, prioritariamente, do ponto de vista tecnológico, como vem ocorrendo.

Por que são dignos de compaixão os que causam a fome, a miséria, essa terrível desigualdade social que provoca a violência social pela mágoa e a raiva que acomete os que nunca tiveram o que nunca terão a não ser que se tornem ladrões ou traficantes? Porque são infelizes, na verdade, muitas vezes até mais infelizes do que as multidões de miseráveis que criam. Alguém pode surpreender-se por imaginar alguém que está no poder, milhões de reais (ou dólares) em algum paraíso fiscal, que mora em uma casa luxuosa, circula em carros importados, frequenta restaurantes de luxo, faz viagens frequentes para locais paradisíacos, come e bebe nababescamente, enfim, leva uma vida semelhante às vidas que as novelas mostram na TV ou vemos em filmes no cinema ou na telinha, é um infeliz? Pois é, sim. É tão infeliz que necessita disso tudo para tentar tampar um enorme vazio interior, um infindo buraco em seu peito, uma total falta de sentido para sua vida, um tipo de infelicidade que podemos chamar de “infelicidade espiritual” que nem o ar de falsa seriedade, de fingida honestidade, que molda em seu rosto, consegue disfarçar, pois, por trás dessa máscara criada para esconder dos outros o que na verdade é, jazem olhos vazios, frios e calculistas, sem amor, olhos que refletem uma alma que se dissociou de si mesmo, de sua essência divina, olhos tristes, digno de compaixão.

Tenho um profundo sentimento de dó pelas vítimas desses irmãos e irmãs que optam pelo desejo de poder, pelo acúmulo de bens, mas tenho mais dó ainda por esses, mesmo com tudo que têm, eles são mais infelizes: não têm os alicerces que sustentam uma residência onde Deus se sinta à vontade: a paz na consciência, o amor no coração, a alegria no olhar. Não estou pregando o que está mal traduzido na Bíblia, que rico não entra no Reino dos Céus, que bem-aventurados são os que choram porque eles serão consolados e os que têm fome e sede de justiça porque terão, um dia, fartura, mas numa coisa eu concordo: bem-aventurados são os mansos porque herdarão a Terra e os puros de coração porque verão a Deus, ou, quem sabe, já estão vendo e, por isso, são assim?

 

Mauro Kwitko é médico, escritor, fundador e presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia Reencarnacionista (ABPR).

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita