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por Bruno Abreu

O movimento que me dirige


Já se perguntou por que age perante a vida da forma como age?

Essa pergunta está diretamente relacionada ao crescimento espiritual.

O que o leva a agir dessa maneira diante das situações?

Podemos dizer que são o hábito, a forma como vemos as coisas e a intenção que nos impulsiona a agir.

O karma, ou o nosso futuro — como queiramos chamar —, é resultado da nossa intenção. Esta se forma a partir das ações, palavras e pensamentos.

O que existe na raiz desses três movimentos?

O pensamento é a raiz dos outros dois; porém, ele também possui uma raiz: a equação que criamos para a nossa vida, a qual nos coloca no “mundo” adequado à busca do objetivo que estabelecemos.

Quando olhamos à nossa volta e observamos as outras pessoas, percebemos que aqueles que buscam riqueza ou uma vida melhor, no sentido material, preocupam-se apenas com determinadas coisas, como o trabalho, a carreira e a forma de adquirir dinheiro. São movidos por suas ambições, que moldam suas intenções, das quais decorrem todos os seus atos. Não compreendem os que não agem assim.

Já os que buscam a dimensão espiritual estão menos preocupados com o aspecto financeiro, embora saibam que dele necessitam para viver, sendo motivados por sua busca interior.

Podemos observar, em outro exemplo, que as pessoas em depressão funcionam de maneira diferente das demais. Contudo, nota-se uma semelhança: entre aqueles que sofrem de depressão, o funcionamento tende a ser semelhante, criando um mundo mental à parte.

Embora estejamos todos na Terra, formamos grupos e nos tornamos mundos distintos uns dos outros, pois a realidade de nossas vidas é criada por nossas motivações. Estas, por sua vez, moldam nossas percepções. Por isso somos tão diferentes; entretanto, dentro do grupo ao qual pertencemos, tendemos a ser semelhantes.

A psicologia analítica denomina esses padrões de arquétipos, ou seja, padrões universais de comportamento.

A intenção que habita em nós é a geradora do futuro, do karma.

Podem existir atos semelhantes; porém, se a intenção for diferente, também será diferente o resultado que colhemos.

Duas pessoas podem sair para realizar uma ação de caridade. Se, em uma delas, a intenção for parecer bem, demonstrar virtude e sentir orgulho disso, colherá conforme essa intenção. Se a outra tiver apenas o propósito de ajudar o próximo, sem vaidade — sem que a mão esquerda veja o que faz a direita —, a colheita, ou karma, será completamente distinta. A intenção é o combustível do karma.

Da intenção perante a vida nascem o pensamento, as palavras e as ações. Desses elementos surge a resposta da vida — o retorno ou a colheita —, não apenas por meio dos outros, mas também pelas circunstâncias que encontramos. De nossas intenções nasce a nossa percepção; por isso vemos as coisas de maneiras diferentes.

Isso se torna um ciclo que nos prende a um funcionamento repetitivo, dentro dos grupos aos quais pertencemos, e dificulta a compreensão dos outros.

Podemos constatar isso com facilidade nas pessoas em estado depressivo. Para quem observa de fora, parece simples: imagina-se que bastaria abandonar esse padrão de pensamento. No entanto, quem já passou por essa experiência sabe o quanto isso é difícil e complexo, podendo levar algumas pessoas ao extremo do suicídio.

Utilizo o exemplo da depressão por ser um dos mais visíveis, mas o mesmo ocorre com outros grupos.

Também podemos observar a formação desses grupos em torno dos vícios e perceber claramente a força da intenção em sua constituição.

Quando as pessoas chegam ao Centro e permanecem por tempo suficiente, passam a perceber a vida de outra maneira. Essa nova percepção, à qual deram uma oportunidade, leva-as a modificar suas intenções perante a vida, adotando uma nova forma de ser.

Essas intenções, que se transformam gradualmente, fazem com que o futuro — ou karma —, por meio da lei de ação e reação, também se modifique progressivamente.

Essa é a nossa grande força sobre o próprio futuro. Como disse o bondoso Chico Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás para fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora a fazer um novo fim.”

Primeiramente, precisamos compreender o que queremos para nós.

Esse entendimento honesto vai, pouco a pouco, modificando nossas intenções.

Devemos procurar compreender o que nos desvia do caminho que desejamos seguir. Isso é fundamental, pois a tentação surge sem que percebamos, e muitas vezes a acolhemos sem nos dar conta. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação.”

Esse trabalho diário de autoconhecimento, por meio de uma atitude vigilante (“vigiai”), promove a mudança necessária na estrutura inconsciente de nossas intenções, direcionando-as para o caminho que desejamos trilhar.

Tudo isso ocorre, muitas vezes, sem plena consciência; percebemos apenas nossas reações diante das situações da vida.

Qual é o movimento, ou a intenção, que o dirige?

 

Bruno Abreu reside em Lisboa, Portugal.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita