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O movimento que me dirige
Já se perguntou por que age perante a vida da forma como
age?
Essa pergunta está diretamente relacionada ao
crescimento espiritual.
O que o leva a agir dessa maneira diante das situações?
Podemos dizer que são o hábito, a forma como vemos as
coisas e a intenção que nos impulsiona a agir.
O karma, ou o nosso futuro — como queiramos chamar —, é
resultado da nossa intenção. Esta se forma a partir das
ações, palavras e pensamentos.
O que existe na raiz desses três movimentos?
O pensamento é a raiz dos outros dois; porém, ele também
possui uma raiz: a equação que criamos para a nossa
vida, a qual nos coloca no “mundo” adequado à busca do
objetivo que estabelecemos.
Quando olhamos à nossa volta e observamos as outras
pessoas, percebemos que aqueles que buscam riqueza ou
uma vida melhor, no sentido material, preocupam-se
apenas com determinadas coisas, como o trabalho, a
carreira e a forma de adquirir dinheiro. São movidos por
suas ambições, que moldam suas intenções, das quais
decorrem todos os seus atos. Não compreendem os que não
agem assim.
Já os que buscam a dimensão espiritual estão menos
preocupados com o aspecto financeiro, embora saibam que
dele necessitam para viver, sendo motivados por sua
busca interior.
Podemos observar, em outro exemplo, que as pessoas em
depressão funcionam de maneira diferente das demais.
Contudo, nota-se uma semelhança: entre aqueles que
sofrem de depressão, o funcionamento tende a ser
semelhante, criando um mundo mental à parte.
Embora estejamos todos na Terra, formamos grupos e nos
tornamos mundos distintos uns dos outros, pois a
realidade de nossas vidas é criada por nossas
motivações. Estas, por sua vez, moldam nossas
percepções. Por isso somos tão diferentes; entretanto,
dentro do grupo ao qual pertencemos, tendemos a ser
semelhantes.
A psicologia analítica denomina esses padrões de
arquétipos, ou seja, padrões universais de
comportamento.
A intenção que habita em nós é a geradora do futuro, do
karma.
Podem existir atos semelhantes; porém, se a intenção for
diferente, também será diferente o resultado que
colhemos.
Duas pessoas podem sair para realizar uma ação de
caridade. Se, em uma delas, a intenção for parecer bem,
demonstrar virtude e sentir orgulho disso, colherá
conforme essa intenção. Se a outra tiver apenas o
propósito de ajudar o próximo, sem vaidade — sem que a
mão esquerda veja o que faz a direita —, a colheita, ou
karma, será completamente distinta. A intenção é o
combustível do karma.
Da intenção perante a vida nascem o pensamento, as
palavras e as ações. Desses elementos surge a resposta
da vida — o retorno ou a colheita —, não apenas por meio
dos outros, mas também pelas circunstâncias que
encontramos. De nossas intenções nasce a nossa
percepção; por isso vemos as coisas de maneiras
diferentes.
Isso se torna um ciclo que nos prende a um funcionamento
repetitivo, dentro dos grupos aos quais pertencemos, e
dificulta a compreensão dos outros.
Podemos constatar isso com facilidade nas pessoas em
estado depressivo. Para quem observa de fora, parece
simples: imagina-se que bastaria abandonar esse padrão
de pensamento. No entanto, quem já passou por essa
experiência sabe o quanto isso é difícil e complexo,
podendo levar algumas pessoas ao extremo do suicídio.
Utilizo o exemplo da depressão por ser um dos mais
visíveis, mas o mesmo ocorre com outros grupos.
Também podemos observar a formação desses grupos em
torno dos vícios e perceber claramente a força da
intenção em sua constituição.
Quando as pessoas chegam ao Centro e permanecem por
tempo suficiente, passam a perceber a vida de outra
maneira. Essa nova percepção, à qual deram uma
oportunidade, leva-as a modificar suas intenções perante
a vida, adotando uma nova forma de ser.
Essas intenções, que se transformam gradualmente, fazem
com que o futuro — ou karma —, por meio da lei de ação e
reação, também se modifique progressivamente.
Essa é a nossa grande força sobre o próprio futuro. Como
disse o bondoso Chico Xavier: “Embora ninguém possa
voltar atrás para fazer um novo começo, qualquer um pode
começar agora a fazer um novo fim.”
Primeiramente, precisamos compreender o que queremos
para nós.
Esse entendimento honesto vai, pouco a pouco,
modificando nossas intenções.
Devemos procurar compreender o que nos desvia do caminho
que desejamos seguir. Isso é fundamental, pois a
tentação surge sem que percebamos, e muitas vezes a
acolhemos sem nos dar conta. “Vigiai e orai, para que
não entreis em tentação.”
Esse trabalho diário de autoconhecimento, por meio de
uma atitude vigilante (“vigiai”), promove a mudança
necessária na estrutura inconsciente de nossas
intenções, direcionando-as para o caminho que desejamos
trilhar.
Tudo isso ocorre, muitas vezes, sem plena consciência;
percebemos apenas nossas reações diante das situações da
vida.
Qual é o movimento, ou a intenção, que o dirige?
Bruno Abreu
reside em Lisboa, Portugal.
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