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por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

 

A vida continua inclusive para os animais e insetos


Alguns pseudoespíritas, utilizando a internet e apresentando-se com títulos pomposos, têm dirigido ataques ao médium Chico Xavier e ao espírito Emmanuel — hoje, possivelmente reencarnado — alegando que este teria “dominado” a mediunidade de Chico e provocado uma forma de obsessão. É lamentável esse tipo de opinião, sobretudo quando se afirma que devemos nos basear “somente” em Allan Kardec e nas obras básicas.

As obras do Pentateuco e a Revista Espírita são, sem dúvida, extraordinárias e formam o alicerce da Doutrina. Contudo, Kardec jamais afirmou que, após ele, os espíritos deveriam silenciar ou que o movimento estaria impedido de progredir. O Espiritismo é uma doutrina viva, e a revelação espiritual continua em curso, conforme ele próprio explicou.

Alguns críticos alegam que, como nas obras básicas não há descrição de órgãos espirituais — coração, pulmões, estômago, sistema reprodutor — então os espíritos não se alimentam, não sentem cansaço, não possuem necessidades fisiológicas e tampouco utilizam recursos para se locomover no além.

No entanto, as obras de André Luiz ampliam nossa compreensão, mostrando que a vida espiritual é extremamente rica e dinâmica: existem colônias, atividades, tarefas, trabalho, descanso, alimentação sutil, formas espirituais em diferentes graus de densidade, além de animais, pássaros, rios, florestas e ecossistemas inteiros.

Se há rios, há peixes; se há florestas, há aves e outros seres em evolução. A criação divina é contínua e harmônica. O princípio espiritual progride em todos os reinos — e nenhum ser “desencarna hoje para reencarnar amanhã”, como se fosse uma máquina sem história, sem aprendizado e sem lei de continuidade.

A vida espiritual é tão real quanto a vida física. Viemos de lá e para lá retornaremos. Somos filhos de Deus, o Criador das galáxias, dos planetas na imensidão e de tudo o que existe — das grandes estrelas às pequenas criaturas que mal compreendemos, como moscas, baratas, formigas e pernilongos, que também cumprem seu papel na teia da vida.

Para refletir sobre as consequências de nossa impaciência, lembremos um caso narrado em A Vida Escreve. Um espírita, após ouvir uma palestra sobre paciência, irritou-se com uma simples mosca ao chegar em casa. Perdendo o controle, golpeou a própria cabeça com força e sofreu um acidente cerebral, desencarnando prematuramente.

No mundo espiritual, foi advertido por seu benfeitor, Jerônimo, de que ainda possuía sete anos de tarefas a cumprir. Como interrompeu sua existência por falta de domínio emocional, foi encaminhado ao trabalho em um hospital espiritual, auxiliando outros enfermeiros na tarefa de afastar insetos (moscas e pernilongos) dos doentes ali acolhidos — uma lição profunda, que lhe ensinou a paciência que não soube cultivar na Terra.

A vida ensina sempre. E todos nós, encarnados e desencarnados, seguimos aprendendo — passo a passo — a viver com mais humildade, compreensão e amor.


Arnaldo
 Divo Rodrigues de Camargo é diretor da Editora EME.


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita