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Provável
motivo do atraso
científico
Na História das
Civilizações, o
conhecimento sempre
acabou sendo controlado
por uma classe
privilegiada, composta
geralmente pela nobreza
em parceria com o clero.
Esse segmento social
tinha pleno acesso ao
poder e controlava a
sociedade por meio do
domínio político,
cultural e religioso.
Para garantir a produção
econômica e a construção
de grandes obras
públicas, como no Antigo
Egito, foi organizada
uma cultura na qual os
governantes se diziam
descendentes dos deuses
ou seus representantes
na Terra, a fim de
exercer controle sobre
todo o reino.
Séculos de isolamento e
de crenças levaram ao
surgimento de uma
sociedade organizada,
conhecida como modo de
produção asiático. Esse
modelo reproduziu-se no
Egito, na Mesopotâmia,
na Índia, na China e até
no continente americano,
onde astecas, maias e
incas acreditavam que
seus governantes eram
deuses ou filhos de
deuses encarnados.
Vários fatores
influenciaram a
construção dessa
cultura: o isolamento e,
principalmente, o
controle do Estado pela
religião. As invasões de
outros povos e os
conflitos internos pela
disputa do poder
enfraqueceram essas
civilizações,
contribuindo para sua
decadência e ruína.
Estudando com atenção as
civilizações da
Antiguidade Oriental,
observamos que, até
mesmo em sociedades que
se diziam livres e mais
democráticas, existia
uma forte segregação
social, que separava os
bem-nascidos dos
estrangeiros e dos
escravos.
Esses bem-nascidos eram
os donos das melhores
terras e controlavam a
política e a economia,
deixando o trabalho
pesado para os
estrangeiros ou para os
escravos. Os governantes
não eram vistos como
deuses, mas existia uma
desigualdade social
marcante, como nos
exemplos da Grécia e de
Roma.
Com o controle do
conhecimento — ou da
verdade — restrito a uma
classe privilegiada, a
grande maioria da
população ficou refém
dos interesses de uma
minoria. A
Espiritualidade,
percebendo a necessidade
de promover uma mudança,
organizou uma grande
programação
reencarnatória.
Espíritos missionários
renascem gradativamente
para promover
revelações, rompendo o
modelo cultural vigente
e conduzindo a sociedade
a um padrão um pouco
mais justo, preparando o
caminho para o advento
do Cristo.
No livro A Caminho da
Luz, Emmanuel nos
explicou que:
Cada civilização recebeu
os seus instrutores,
como se fosse Ele mesmo,
chegando das
resplandecências de sua
glória divina.
A verdade é que todos os
livros e tradições
religiosas da
Antiguidade guardam,
entre si, a mais
estreita unidade
substancial. As
revelações evoluem numa
esfera gradativa de
conhecimento. Todas se
referem ao Deus
impersonificável, que é
a essência da vida de
todo o Universo, e, no
tradicionalismo de
todas, palpita a visão
sublimada do Cristo,
esperado em todos os
pontos do globo.¹
Os povos não estavam
preparados moralmente
para receber certas
revelações, devido ao
apego aos valores do
mundo material.
Se o Cristo não disse
tudo quanto poderia
dizer, é porque julgou
conveniente deixar
certas verdades na
sombra, até que os
homens chegassem ao
estado de
compreendê-las.²
O conhecimento da
verdade é proporcional à
nossa evolução cultural
e espiritual. As
revelações divinas
sempre se manifestam no
momento em que somos
capazes de assimilá-las
e de suportar o seu
conteúdo de ordem moral.
Quando o imperador
Teodósio I, em 380 d.C.,
tornou o Cristianismo a
religião oficial do
Império Romano, passou a
ocorrer algo que nem os
primeiros apologistas e
teólogos cristãos
poderiam imaginar. O
Império Romano passou a
perseguir e reprimir
todos aqueles que eram
contrários ao
Cristianismo, impondo a
conversão através da
força, como aconteceu
com várias tribos
bárbaras.
O Cristianismo, no mundo
ocidental, em acordo com
o poder político dos
monarcas na Baixa Idade
Média, promoveu as
Cruzadas para
reconquistar Jerusalém
dos árabes e controlar
as rotas das caravanas
de comércio das
especiarias entre o
Ocidente e o Oriente,
que favoreciam as
repúblicas marítimas
italianas, em particular
Gênova, Veneza, Pisa e
Florença.
A Igreja passou a
controlar a cultura na
Cristandade Ocidental
até o início da Idade
Moderna, com o
surgimento do movimento
protestante no século
XVI, liderado por
Martinho Lutero em 1517.
Construímos paradigmas
culturais que passamos a
aceitar como verdades e
acabamos transferindo-os
para as novas gerações.
Essas crenças
transgeracionais acabam,
em alguns casos,
transformando-se em
verdades culturais.
Quando nos referimos a
paradigmas culturais,
não estamos dizendo que
a cultura, a mitologia e
o folclore de um povo
não sejam importantes
como herança de nossos
antepassados. Muito pelo
contrário: referimo-nos
ao atraso do pensamento
científico, que
dificulta o avanço da
ciência, freado ou
reprimido por interesses
políticos e econômicos.
Em pleno século XIX,
Charles Darwin enfrentou
forte oposição interna
na Inglaterra e por
parte do mundo
científico, influenciado
pela religiosidade,
quando publicou a Teoria
da Evolução por Seleção
Natural em 24 de
novembro de 1859, que
contrariava a teoria
religiosa do
criacionismo, baseada em
narrativas religiosas
como o Gênesis bíblico,
defendidas pela Igreja.
O ponto principal da
argumentação de Darwin
sobre a evolução humana
baseava-se na
descendência com
modificação e na
ancestralidade comum.
Argumentava que humanos
e primatas
compartilharam um
ancestral comum. A
seleção natural agiu
acumulando pequenas
variações vantajosas ao
longo de gerações,
demonstrando que
mudanças ambientais e a
luta pela sobrevivência
moldaram adaptações
físicas e anatômicas nos
hominídeos. Darwin
defendeu que o homem não
surgiu de forma isolada,
mas sim de uma linha
evolutiva compartilhada
com primatas, fruto de
modificações graduais.³
O Papa Pio IX,
percebendo as grandes
transformações pelas
quais a Europa estava
prestes a passar na
metade do século XIX,
publicou a bula da
Infalibilidade Papal
(1870), estabelecendo
que o Papa pode declarar
verdades de fé quando
fala ex cathedra.¹
Os conflitos ideológicos
que se desdobraram a
partir dessa pesquisa
científica tiveram
grande impacto no mundo
moderno no que diz
respeito ao estudo das
ciências, incluindo o
estudo da origem do
homem, favorecendo o
trabalho de antropólogos
e arqueólogos.
Apesar dos grandes
avanços alcançados,
muitas pesquisas ainda
sofrem forte oposição da
religiosidade, que alega
não serem de cunho ético
e edificante para a
sociedade atual.
Bibliografia:
1.Xavier,
Francisco Cândido. A
Caminho da Luz (1938).
Cap. IX – As grandes
religiões do passado;
Cap. XXIV – O
Espiritismo e as grandes
transições; FEB.
2.Kardec,
Allan. A Gênese (1868).
Cap. I, item 26 –
Caráter da Revelação
Espírita. FEB.
3.Darwin,
Charles. A Origem das
Espécies (1859).
Cap. 4 – Seleção
Natural: 98; Edipro
Edições (2018).
4.Wikipédia
(Enciclopédia Livre).
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