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por Eder Andrade

 

Provável motivo do atraso científico


Na História das Civilizações, o conhecimento sempre acabou sendo controlado por uma classe privilegiada, composta geralmente pela nobreza em parceria com o clero. Esse segmento social tinha pleno acesso ao poder e controlava a sociedade por meio do domínio político, cultural e religioso.

Para garantir a produção econômica e a construção de grandes obras públicas, como no Antigo Egito, foi organizada uma cultura na qual os governantes se diziam descendentes dos deuses ou seus representantes na Terra, a fim de exercer controle sobre todo o reino.

Séculos de isolamento e de crenças levaram ao surgimento de uma sociedade organizada, conhecida como modo de produção asiático. Esse modelo reproduziu-se no Egito, na Mesopotâmia, na Índia, na China e até no continente americano, onde astecas, maias e incas acreditavam que seus governantes eram deuses ou filhos de deuses encarnados.

Vários fatores influenciaram a construção dessa cultura: o isolamento e, principalmente, o controle do Estado pela religião. As invasões de outros povos e os conflitos internos pela disputa do poder enfraqueceram essas civilizações, contribuindo para sua decadência e ruína.

Estudando com atenção as civilizações da Antiguidade Oriental, observamos que, até mesmo em sociedades que se diziam livres e mais democráticas, existia uma forte segregação social, que separava os bem-nascidos dos estrangeiros e dos escravos.

Esses bem-nascidos eram os donos das melhores terras e controlavam a política e a economia, deixando o trabalho pesado para os estrangeiros ou para os escravos. Os governantes não eram vistos como deuses, mas existia uma desigualdade social marcante, como nos exemplos da Grécia e de Roma.

Com o controle do conhecimento — ou da verdade — restrito a uma classe privilegiada, a grande maioria da população ficou refém dos interesses de uma minoria. A Espiritualidade, percebendo a necessidade de promover uma mudança, organizou uma grande programação reencarnatória.

Espíritos missionários renascem gradativamente para promover revelações, rompendo o modelo cultural vigente e conduzindo a sociedade a um padrão um pouco mais justo, preparando o caminho para o advento do Cristo.

No livro A Caminho da Luz, Emmanuel nos explicou que:


Cada civilização recebeu os seus instrutores, como se fosse Ele mesmo, chegando das resplandecências de sua glória divina.

A verdade é que todos os livros e tradições religiosas da Antiguidade guardam, entre si, a mais estreita unidade substancial. As revelações evoluem numa esfera gradativa de conhecimento. Todas se referem ao Deus impersonificável, que é a essência da vida de todo o Universo, e, no tradicionalismo de todas, palpita a visão sublimada do Cristo, esperado em todos os pontos do globo.¹


Os povos não estavam preparados moralmente para receber certas revelações, devido ao apego aos valores do mundo material.


Se o Cristo não disse tudo quanto poderia dizer, é porque julgou conveniente deixar certas verdades na sombra, até que os homens chegassem ao estado de compreendê-las.²


O conhecimento da verdade é proporcional à nossa evolução cultural e espiritual. As revelações divinas sempre se manifestam no momento em que somos capazes de assimilá-las e de suportar o seu conteúdo de ordem moral.

Quando o imperador Teodósio I, em 380 d.C., tornou o Cristianismo a religião oficial do Império Romano, passou a ocorrer algo que nem os primeiros apologistas e teólogos cristãos poderiam imaginar. O Império Romano passou a perseguir e reprimir todos aqueles que eram contrários ao Cristianismo, impondo a conversão através da força, como aconteceu com várias tribos bárbaras.

O Cristianismo, no mundo ocidental, em acordo com o poder político dos monarcas na Baixa Idade Média, promoveu as Cruzadas para reconquistar Jerusalém dos árabes e controlar as rotas das caravanas de comércio das especiarias entre o Ocidente e o Oriente, que favoreciam as repúblicas marítimas italianas, em particular Gênova, Veneza, Pisa e Florença.

A Igreja passou a controlar a cultura na Cristandade Ocidental até o início da Idade Moderna, com o surgimento do movimento protestante no século XVI, liderado por Martinho Lutero em 1517.

Construímos paradigmas culturais que passamos a aceitar como verdades e acabamos transferindo-os para as novas gerações. Essas crenças transgeracionais acabam, em alguns casos, transformando-se em verdades culturais.

Quando nos referimos a paradigmas culturais, não estamos dizendo que a cultura, a mitologia e o folclore de um povo não sejam importantes como herança de nossos antepassados. Muito pelo contrário: referimo-nos ao atraso do pensamento científico, que dificulta o avanço da ciência, freado ou reprimido por interesses políticos e econômicos.

Em pleno século XIX, Charles Darwin enfrentou forte oposição interna na Inglaterra e por parte do mundo científico, influenciado pela religiosidade, quando publicou a Teoria da Evolução por Seleção Natural em 24 de novembro de 1859, que contrariava a teoria religiosa do criacionismo, baseada em narrativas religiosas como o Gênesis bíblico, defendidas pela Igreja.


O ponto principal da argumentação de Darwin sobre a evolução humana baseava-se na descendência com modificação e na ancestralidade comum. Argumentava que humanos e primatas compartilharam um ancestral comum. A seleção natural agiu acumulando pequenas variações vantajosas ao longo de gerações, demonstrando que mudanças ambientais e a luta pela sobrevivência moldaram adaptações físicas e anatômicas nos hominídeos. Darwin defendeu que o homem não surgiu de forma isolada, mas sim de uma linha evolutiva compartilhada com primatas, fruto de modificações graduais.³


O Papa Pio IX, percebendo as grandes transformações pelas quais a Europa estava prestes a passar na metade do século XIX, publicou a bula da Infalibilidade Papal (1870), estabelecendo que o Papa pode declarar verdades de fé quando fala ex cathedra

Os conflitos ideológicos que se desdobraram a partir dessa pesquisa científica tiveram grande impacto no mundo moderno no que diz respeito ao estudo das ciências, incluindo o estudo da origem do homem, favorecendo o trabalho de antropólogos e arqueólogos.

Apesar dos grandes avanços alcançados, muitas pesquisas ainda sofrem forte oposição da religiosidade, que alega não serem de cunho ético e edificante para a sociedade atual.


Bibliografia
:

1.Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz (1938). Cap. IX – As grandes religiões do passado; Cap. XXIV – O Espiritismo e as grandes transições; FEB.

2.Kardec, Allan. A Gênese (1868). Cap. I, item 26 – Caráter da Revelação Espírita. FEB.

3.Darwin, Charles. A Origem das Espécies (1859). Cap. 4 – Seleção Natural: 98; Edipro Edições (2018).

4.Wikipédia (Enciclopédia Livre).
 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita