Equilíbrio e calma
“Vinde a mim todos vós que sofreis e estais
sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o
meu jugo e aprendei de mim, que sou brando e humilde de
coração, e encontrareis repouso para as vossas almas;
porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Jesus
– Mateus, cap. XI, v. 28, 29 e 30.)
Quando pensamos que já esgotamos os textos sobre
sofrimentos, vemos que ainda são necessários. Bendito o
Espiritismo, que nos auxilia na compreensão das leis
divinas! Bendito o Espiritismo, que nos ajuda a entender
o grande amor de Deus para com Seus filhos, embora ainda
estejamos distantes — neste mundo em que estagiamos — de
compreendê-Lo mais profundamente.
Observamos que os sofrimentos estão se avolumando. O
momento do testemunho se aproxima de todos. É a famosa
hora da separação do joio e do trigo. Que sejamos trigo
é o que desejamos.
“A cada um segundo suas obras”, ditado que ouvimos
sempre. Cada um de nós tem um passado desconhecido,
graças ao amor de Deus. A pouquíssimos no mundo é dado
lembrar o passado, pois isso geraria muitos sofrimentos,
ao recordar atitudes nem sempre louváveis.
Os trabalhadores do bem, em toda parte, também enfrentam
dificuldades. Hoje são pessoas admiráveis, mas o passado
é desconhecido, e o espírito, próximo à reencarnação,
pede provas que julga capaz de suportar, para se tornar
melhor.
Em toda parte vemos dores. Amigos queridos, baluartes do
bem, que viram sua situação econômica desabar e tiveram,
com os olhos em lágrimas, de mudar de cidade, buscando
novas oportunidades. Amigos com filhos saudáveis que se
viram, subitamente, diante da enfermidade do filho
amado; doenças que também acometeram o próprio
trabalhador do bem.
Como as dores estão crescentes! Os exemplos citados
ainda são relativamente amenos. E aqueles que perderam
até mesmo sua pátria, por guerras que já não deveriam
existir? Aqueles que vivem na miséria, sem teto,
refugiados em países desconhecidos, ou obrigados a isso
pela ausência de emprego? Nem mesmo os países mais ricos
da Terra estão livres dessa situação. Pessoas morando
nas ruas, sob chuva, frio ou calor, desabrigadas!
Doenças surgindo aqui e ali, provocando angústias, como
foi o caso da Covid-19... O que mais surgirá?
O ser humano é chamado ao amor e, enquanto dele se
distancia, dores surgem para incentivá-lo na marcha
ascensional.
Certa ocasião, em uma reunião mediúnica, vimos a
dirigente dialogando com um espírito que nutria por ela
um ódio de séculos, movido pelo orgulho diante de uma
contrariedade. Esse espírito lhe disse que, séculos
antes, na antiga Roma, a vira junto a um senhor idoso
que a acompanhava. Ela tinha cerca de 18 anos, vestia-se
como escrava, possuía a pele branca como a dos romanos,
olhos amendoados e cabelos negros que desciam até a
cintura — lindíssima! Era de origem egípcia, filha de
pai romano.
Ele pertencia à alta aristocracia romana, era muito rico
e passou a interessar-se por ela. Descobriu que era
escrava, juntamente com o velho que a criara desde a
infância como pai adotivo. Comprou ambos.
Começou a cortejar a jovem, sem sucesso. Descobriu que
ela e o pai eram cristãos. Afastou-o dela, denunciando-o
como cristão, na tentativa de reduzir sua influência. O
velho foi levado à morte, sacrificado no Coliseu romano.
Sem a presença do pai, ele acreditava poder alcançar
seus intentos. Ofereceu-lhe tudo para que o aceitasse,
mas nada a demovia. Chegou a propor casamento, e ela lhe
respondeu que não poderia, pois já era noiva do Cristo.
Tomado de raiva, denunciou-a como cristã, e ela também
foi sacrificada.
Relatou o espírito que a acompanhara em suas sucessivas
encarnações, observando-a desde então. Perguntou-lhe: “O
que você ganhou servindo a esse Cristo que diz amar?
Você nunca foi feliz; apenas sofreu em todas as suas
vidas seguindo esse Jesus. E eu estou aqui, acompanhando
tudo isso, vendo você trabalhar no bem sem cessar. E o
que sou? Um miserável, responsável por sua morte naquela
época, incapaz de me perdoar.”
A doutrinadora, com muito carinho, foi dialogando com
ele, até que, vencido pela emoção, caiu em lágrimas,
pedindo perdão e perguntando se Jesus, que a guiava,
aceitaria um pária como ele.
Foi emocionante presenciar aquela doutrinação.
Os trabalhadores do bem, como já disse Jesus em Seu
tempo, nem sempre são aceitos pelos homens, e muitos
sofreram em suas mãos — inclusive o próprio Cristo.
Os tempos são difíceis, sim. As dores se avolumam, os
sofrimentos se espalham por toda parte, e ainda não é o
fim.
Mesmo os trabalhadores de Jesus, qualquer que seja o
credo a que pertençam, sofrem. Ninguém está isento.
Os sentimentos humanos ainda se encontram profundamente
desequilibrados, e as dores virão para corrigir isso,
para que possamos crescer como espíritos, como nação e
como planeta. Estamos distantes da meta, mas um pouco
mais próximos do que há cem anos.
É necessário equilíbrio; manter a calma nas tempestades,
na certeza de que tudo passará.
Jesus está conosco e nos assiste; jamais estaremos sós.
A doutrinadora a quem nos referimos suportou por séculos
a perseguição daquele espírito, até que ele foi vencido
pela perseverança dela no bem e no amor. Ela o
convenceu.
É assim: o amor sempre vence. Pode demorar, mas vence. É
indispensável o exemplo persistente no bem.
Caminhemos com Jesus e mantenhamos equilíbrio e calma
nas tribulações, certos de que tudo passará. Confiemos.
O fardo se torna menos pesado quando se tem fé e a
certeza de que estamos amparados, pois a calma acompanha
as horas difíceis e o equilíbrio se faz presente.
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