Joias da poesia
contemporânea

Autoria: Abel Gomes

 

Recordação

 

Meu caro Ismael ¹, meu filho,

Lembro, olhando o céu de anil,

O Porto de Santo Antônio

Nas noites do mês de abril!

 

Passavam brisas cantando

E as aves, fugindo a medo,

Recolhiam-se, amorosas,

Nas ternuras do arvoredo.

 

No firmamento, a beleza,

O azul, a calma, a bonança!…

Na Terra, a tranquilidade

Que nasce da confiança.

 

Na família, estava o campo

De doce felicidade,

Todo aberto em primaveras

De alegria e de amizade!

 

E agora que vivo aqui,

Sem sombra ou paralisia ²,

Rogo a Deus a paz de todos,

Como outrora acontecia.

 

Que em tudo por lá floresça

O bem que ignora o mal

No serviço generoso

Da vida espiritual.

 

Que Jesus conceda a todos

A bênção de luz infinda,

Que haja paz nos corações,

Como há paz na noite linda!

 

Oh, Porto de Santo Antônio ³,

Castelo de amigos meus,

Vivamos fraternalmente

Unidos no amor de Deus!


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¹ Segundo consta do original, o soneto foi psicografado em sessão pública, sem referência de data, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, e dirigido a Ismael Gomes Braga, presente na ocasião.

² Abel Gomes, autor do poema, ficou impossibilitado de andar quando tinha apenas 25 anos de idade, pois fora acometido de pertinaz e progressiva paralisia que lhe imobilizou as pernas.

³ Porto de Santo Antônio, atual Astolfo Dutra, Minas Gerais, foi onde Abel viveu em grande parte de sua última existência na Terra.

 

Da obra Palavras sublimespsicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.



 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita