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Ao completar sessenta anos de trabalho, Chico Xavier foi
surpreendido por uma pneumonia. Seu estado de saúde, já
delicado, tornou-se quase insustentável. Acometido
também por uma infecção renal, o aniversariante não teve
alternativa: permaneceu acamado por quase quarenta dias.
Afastou-se do Centro Luiz Gonzaga, evitou visitantes e
lançou-se, como um desesperado, sobre as páginas em branco.
Precisava trabalhar, cumprir sua missão, resgatar dívidas.
Naquele ano, com o coração, os pulmões e os rins em frangalhos,
colocou o ponto final em nada menos que vinte títulos.
Em carta a Carlos Baccelli, chegou a comemorar a nova doença
como uma bênção: “Louvado seja o Senhor, que me permite resgatar
o passado e desejar melhorar-me pelos processos ocultos do
corpo”. E acrescentou: “Sou possuído de muita alegria, como o
devedor que consegue liquidar alguns dos próprios débitos...”.
Do livro As
vidas de Chico Xavier,
de Marcel Souto Maior.
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