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Natural de Bauru e residente em Piratininga,
ambos municípios paulistas, Renata Fabiani Costa
Dionisio (foto) atua profissionalmente
como advogada e vincula-se ao Centro Espírita
Antoninho Marmo, de Piratininga, atuando como
palestrante e voluntária do Cantinho do Idoso,
que é um Lar para idosos vinculado àquela
instituição espírita. Entrevistamo-la sobre sua
vivência espírita.
Como conheceu o Espiritismo?
Desde minha adolescência fora muito ligada à
Igreja Católica, frequentava com assiduidade;
porém, a figura de Chico Xavier e os casos que
me chegavam ao conhecimento a respeito dele,
aliados aos romances que lia, sendo o primeiro
livro Senzala, de Salvador Gentile, nos
idos de 1984, e essas leituras me faziam
simpatizar por demais com a Doutrina Espírita.
Acabei me casando com um rapaz cuja mãe era
espírita e acabei me aproximando mais, levando
meus filhos para assistir às palestras de
Richard Simonetti e foi a pequenos passos que eu
caminhava, quando enfrentei um grave problema de
ordem pessoal, que acredito que possa utilizar a
metáfora de ter sido "minha estrada de Damasco",
onde procurei o atendimento fraterno do CEAC
Bauru e fui muito bem orientada a tomar os
passes e me matricular nos Cursos da Casa, e meu
primeiro Curso foi com o inesquecível Homem de
Bem chamado Richard Simonetti.
O que lhe marca mais nesse conhecimento?
O que mais marca o conhecimento que a Doutrina
Espírita me trouxe e traz é a resposta à
pergunta "para que estou aqui?". Realmente pode
até parecer pretencioso para outros irmãos de
denominações religiosas diferentes da nossa
ouvir-nos falar que a Doutrina Espírita é o
Consolador Prometido pelo Cristo, porém, para
nós que não só a professamos, mas que a
estudamos e procuramos colocar em prática, não
há qualquer dúvida que se trata do cumprimento
da promessa de Jesus, que iria, mas no tempo
certo, enviar-nos-ia o Consolador. A Doutrina
Espírita é para minha vida o remédio diário que
me permite a resignação diante das questões que
não posso modificar, a confiança e a força
necessária para as lutas internas e o
aprendizado diário para a indulgência com as
falhas alheias vez que nos ensina que aqui é só
caminho de aprendizado, e que um dia
regressaremos a nossa verdadeira Pátria onde
corações amoráveis nos esperam.
Fale-nos de sua convivência com Richard
Simonetti.
Minha convivência com Richard Simonetti foi além
das aulas, pois eu era a escolhida para dar
carona a ele todo semana quando encerrava nossas
aulas. Era muita felicidade, pois ficávamos
parados no portão de sua casa quase que o mesmo
tempo da aula, conversando sobre a Doutrina. Me
sentia privilegiada por ter essas aulas
"particulares" com esse mestre. Também
frequentei a casa de Richard por conta da
amizade de nossos filhos, e posso afirmar que
Richard era um homem que vivia exatamente o que
pregava no púlpito. Pessoa de bem, honesto,
correto, um esposo maravilhoso que tinha em sua
esposa Tânia alguém que fazia jus a esse grande
homem. Adorava estudar as lições e questões de O
Livro dos Espíritos, pois sabia que durante
as aulas ele iria me sabatinar, e quanto ele me
fazia rir quando, pela amizade que tínhamos,
respondia aos meus questionamentos perguntando
de que manual da ignorância eu havia retirado
aquela pergunta... Tinha um humor refinado,
própria das pessoas muito inteligentes, muito
gentil, educado e humilde, pois sempre dizia que
não era dotado de inteligência superior, mas que
seu conhecimento era fruto de estudo. Ele me
ensinou que tempo é uma questão de prioridade.
Aquilo que priorizamos, achamos tempo para
fazer, você concorda?
Qual o maior legado deixado a Bauru e ao
movimento espírita pelo ilustre escritor e
palestrante?
O legado de Richard Simonetti para a Doutrina
Espírita e, em especial, para o movimento
espírita de Bauru, é vasto e profundamente
marcado pela divulgação simples e acessível do
Espiritismo, aliada à prática da
caridade. Legado para a Doutrina Espírita no
Brasil, tendo sido um escritor de destaque:
Publicou 65 obras literárias com temas ligados
ao Evangelho, ao cotidiano e aos alicerces da
codificação espírita, utilizando uma linguagem
simples, direta e, por vezes, com pitadas de
humor para facilitar a compreensão de conceitos
profundos. Livros como “Quem tem medo da morte?”
tiveram grande sucesso, consagrando-o como um
dos mais importantes autores espíritas.
Foi um Divulgador Incansável: percorreu todos os
estados brasileiros e alguns países, ministrando
palestras para a divulgação da
Doutrina. Colaborador de Imprensa: foi
colaborador assíduo de jornais e revistas
espíritas de grande alcance, como O Reformador,
Revista Internacional de Espiritismo e Folha
Espírita, tendo sido um dos fundadores da
Editora CEAC (em 1997, juntamente com Laércio
Mulati) e articulou o movimento inicial de
instalação dos Clubes do Livro Espírita, que
prestaram relevantes serviços de divulgação em
dezenas de cidades, contribuindo para levar a
literatura espírita a mais pessoas. Fidelidade
Doutrinária com Atualidade: sua obra e palestras
buscaram relacionar os princípios da Doutrina
Espírita a temas de atualidade (como casamento
gay, ecologia, células-tronco, etc.), mantendo a
fidelidade à Codificação de Allan Kardec. Quanto
ao seu Legado para o Movimento Espírita de Bauru
(SP), foi liderança no CEAC: foi presidente do
Centro Espírita Amor e Caridade (CEAC), em
Bauru, por 36 anos. Sua gestão é destacada como
um dos fatores responsáveis pelo crescimento da
entidade. Trabalho Doutrinário e Filantrópico: o
CEAC, sob sua influência, desenvolveu um amplo
trabalho no campo doutrinário e filantrópico,
atendendo anualmente perto de 25.000 pessoas
carentes com o auxílio de cerca de 800
voluntários. Criou o Clube do Livro Espírita de
Bauru, instalado pela USE (União das Sociedades
Espíritas) em 1970. Enfim, foi um exemplo de
Vida: além das palavras, seu legado em Bauru é
reforçado por seu exemplo de amor humano,
caridade (enfatizando que "fora da caridade, não
há salvação") e lição de resignação diante das
adversidades. Em resumo, Richard Simonetti
deixou um marco como um dos principais
simplificadores e popularizadores do Espiritismo
no Brasil, utilizando a palavra escrita e falada
para tornar a Doutrina mais acessível, e foi uma
força motriz no desenvolvimento e expansão do
trabalho assistencial e doutrinário em sua
cidade natal.
E seu gosto por palestrar como se iniciou?
Ele se iniciou em meados de 2014, quando eu,
incentivada por Richard a sempre responder aos
colegas de estudo doutrinário, percebi que não
tinha muita "vergonha" de me expor e que as
minhas falas estavam ajudando as outras pessoas
a compreender melhor as questões. Eu acredito
que, a exemplo do meu ilustre e amado professor
Richard Simonetti, o expositor espírita tem que
ser um facilitador, alguém que simplifique a
filosofia Espírita, as obras de Kardec, e que
principalmente divulgue o Evangelho de Jesus.
Sou da opinião de que palestra tem que ter a
divulgação da Doutrina, mas com muita
amorosidade, e sempre me lembro que a maioria
das pessoas, assim como aconteceu comigo,
procura as preleções espíritas objetivando
acalentar as dores da alma e não um Curso de
Iniciação a Doutrina Espírita, como muitos
fazem. Certa vez uma amiga já bastante
experiente de Doutrina me disse que nunca
mudasse a forma com que eu passava os
conhecimentos que adquiria, pois qualquer
Enciclopédia (e hoje é o Google), pode fornecer
conhecimento, mas somente o ser humano para
fazer de maneira amorosa, assim como o Mestre
Jesus o fazia.
Como sente o público ouvinte durante e após suas
abordagens?
Eu sinto que consigo tocar o coração deles e
trazer algum consolo. Muito me dão seu feedback
dizendo que tudo que falei foi para eles... E eu
sempre acho que eu poderia ter falado melhor,
mas muitas vezes o assunto toma rumos que
somente nós que sabemos da atuação da
Espiritualidade temos as respostas do porquê a
"prosa" tomou determinado rumo.
Que critérios didáticos usa para elaborar suas
palestras?
Dependendo do tipo de público, se for uma
Seminário ou aula, utilizo as exposições
Powerpoint, mas na maioria das vezes, e o que
mais gosto é falar do Evangelho, então estudo o
tema e exponho de maneira que possa dar exemplos
do cotidiano, de como as Parábolas de Jesus são
atualizadíssimas.
E sobre suas atuais atividades no CEAC-Bauru?
Eu sou palestrante do CEAC, mas acabo fazendo
palestras em todas as Casas Espíritas de Bauru e
Região e ministro há alguns anos um Curso de
Estudos das Obras de André Luiz, e já estamos
indo para o Sétimo livro da Coleção que é "Entre
o céu e a terra". Pela USE, coordenei a
publicação de um livro muito interessante
denominado "Seminário Atualidades", onde
reuni 15 colegas e seus artigos referentes aos
temas ditos "polêmicos" e que por anos fizemos
uma turnê pelas Casas levando esses debates. O
livro está causando bastante interesse e pode
ser adquirido na Livraria do CEAC, de Bauru, e
também na Livraria Espírita da USE, e os
principais assuntos abordados são Novos formatos
de Família, Autismo, aborto, suicídio,
homossexualidade, morte, luto, imortalidade,
política, esquizofrenia, racismo, entre outros,
e todos esses assuntos sob a ótica da Doutrina
Espírita.
Alguma lembrança que gostaria de dividir com os
leitores?
Sim, gostaria de convidá-los a essa jornada
maravilhosa de conhecimento e libertação que a
Doutrina Espírita nos proporciona. Ela nos
consola, nos dá asas e nos ensina que podemos
evoluir muito, mas que essa evolução sempre se
dará pela água: seja a água do suor ou da
lágrima... a escolha é sempre nossa.
Algo mais a acrescentar?
Nessa minha caminhada, tive muitas experiências
maravilhosas que me fizeram prova de que somos
Espíritos imortais, e de que há uma multidão
invisível torcendo pela nossa evolução. Eu
estive em Assis, na terra de Francisco de Assis,
por tantas palestras que fiz a respeito de
Francisco, acabei "ganhando" uma viagem dele,
pois comprei um pacote de viagem a um preço
irrisório, de uma empresa que logo decretou
falência, mas "algo me dizia eu iria mesmo
assim" e fui, essa voz interior que ecoa e diz
faça sua parte que faremos a nossa, me levou a
Assis, como já contei inúmeras vezes em
palestras, fui em voo direto, fiquei em ótimo
hotel e quando subi as rampas da Basílica os
sinos tocaram como se Francisco me
cumprimentasse e ao final do dia, ao me despedir
e passar pelo portal medieval de Assis, os sinos
tocaram novamente, como se Francisco de me se
despedisse... Francisco não é da Igreja
Católica, Francisco é de todos nós, e ele
exemplificou que podemos seguir os exemplos do
Cristo, pois ele foi o seu maior imitador e saiu
com as marcas do Cristo em suas mãos e pés.
Suas palavras finais.
A jornada de estudos da Doutrina Espírita é o
caminho do Cristo, Espiritismo é o Consolador
prometido e o convite do Cristo ainda está
válido. Então, basta dar o primeiro passo, não
importa se estejamos de joelhos na estrada de
Damasco, ou se estamos em ilhas paradisíacas, o
que importa é que ele está aí ao alcance de
todos.
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