Primeiro indício da falta de bom senso
O
bom senso é grande virtude e indica a importância de uma
análise ponderada e prudente diante de situações
difíceis ou desafiadoras para uma tomada consciente da
melhor decisão.
Solicita a exclusão das paixões ou precipitações
variadas para que o equilíbrio permaneça a conduzir as
ações em andamento, de quaisquer naturezas.
No
item 17 (o último deles) da Introdução de O Livro dos
Espíritos, Allan Kardec afirma categórico: “(...) o
primeiro indício da falta de bom senso está em crer
alguém infalível o seu juízo (...)”. Embora no texto em
questão o Codificador se refira à resistência às ideias
espíritas se referirem ou uma oposição sistemática ou ao
conhecimento incompleto dos fatos e conteúdos, onde a
observação atenta e o estudo continuado levam ao uso do
bom senso, o pensamento ali expresso vale para quaisquer
outras situações.
Julgar-se alguém infalível já é, por si só, indicativo
claro da falta de bom senso, portanto, distância bem
grande da humildade, virtude que igualmente devemos
desenvolver e buscar.
O
julgar-se infalível ou superior às demais pessoas é
fruto do orgulho, da vaidade, o que não combina com os
propósitos de aprimoramento moral que devemos buscar. E
não se restringe, claro, ao assunto do item referido,
estendendo-se a todas as situações da vida de relação.
O
mérito é deles, não são minha criação – diz Kardec.
E
como o item em referência é o último da valiosa
Introdução da obra, o Codificador coloca-se na condição
de organizador do livro e não autor das ideias,
conclamando os leitores ao óbvio no objetivo daquelas
informações:
“(...) o de guiar os homens que desejem esclarecer-se,
mostrando-lhes, nestes estudos, um fim grande e sublime:
o do progresso individual e social e o de lhes indicar o
caminho que conduz a esse fim (...)”.
Sugiro ao leitor ler novamente o último parágrafo do
citado item 17 da referida Introdução, para ficar com a
grandeza textual, didática e abrangente, com que Allan
Kardec conclui o texto.
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