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por Fernando Rosemberg Patrocinio

 

Nosso silêncio interior


Creio que todos nós já percebemos este silêncio absoluto e interior que há em cada um de nós, sobretudo quando fechamos os olhos e paramos de pensar, deixando a mente, assim, num estado de paralisação, ou seja, sem movimento algum, nem pra frente nem pra trás, nem pra baixo nem pra cima, ou seja, em silêncio completo e total, sem dinamismo algum.

E, conquanto o percebamos — (tal silêncio) —, óbvio que, ainda assim, temos a percepção, ou seja, a plena consciência de que estamos ali, cientes, porém, num baixo plano vibrátil, pleno e constante, além do tempo e do espaço, das coisas ditas materiais.

Este ser interior, e, pois, consciente, que há em cada um de nós, é o que se pode chamar de espírito, ou de ser, ou, então, de alma do ser vivente, e, óbvio, um ser que é sobrevivente a tudo, e, inclusive, à morte, como se divulga aos quatro ventos.

Mas como interpretar melhor este ser interior, esta alma que comanda o meu corpo e que, afinal, está comigo desde a junção do espermatozoide paterno com o óvulo materno, aquela porção mínima de proteínas várias, e que, afinal, fora o início de tudo o que há em mim, em você, em todos nós, seres humanos e não humanos, homens e animais?

Mas nem mesmo os espíritos superiores puderam, em sua grande sabedoria, melhor interpretar o espírito, este ser constituinte de tudo, do átomo ao homem e do homem a Deus.

Disseram eles, os sábios da Espiritualidade Maior, que a linguagem humana é pobre e, pois, insuficiente para a interpretação de muitas coisas e, inclusive, insuficiente para uma mais clara e suficiente tradução do que seja o ser, o espírito, o ser inteligente que está em mim, que reside na minha consciência e na sua, ou seja, na de todos nós.

Ao item 23 de O Livro dos Espíritos (1857-AK), o Codificador, ou organizador do Espiritismo no século 19 — Allan Kardec —, questiona:
“O que é o espírito?”.

No que obtivera:
“O princípio inteligente do Universo”.

E prossegue o Codificador:
“Qual é a natureza íntima do Espírito?”.

E temos como resposta:
“O Espírito, com a linguagem humana, não é fácil de ser analisado. Porque o Espírito não é uma coisa palpável; para vós ele não é nada; mas para nós é alguma coisa. Sabei bem: o nada é coisa nenhuma, e o nada não existe”.

Sendo que, ao item 24, temos:
“O Espírito é sinônimo de inteligência?”.

No que temos como resposta:
“A inteligência é um atributo essencial do Espírito. Todavia, como ambos se confundem num princípio comum, para vós são a mesma coisa”.

Noutros termos, pois, e, apesar dos contras, dos sabichões que recusam o espírito, o fato é que ele existe, pois que, afinal, o que teria dirigido a construção do meu corpo, na sua gênese, no interior do ventre materno, para a tamanha complexidade do que sou, em termos biológicos, psíquicos, mentais e espirituais?

Fica aqui, para os sabichões, a pergunta que não quer calar!

E que não venham com o palavreado de que sempre foi assim, que isso é coisa da matéria e de suas leis e que, portanto, o espírito não existe, e que isto, pois, é conto da carochinha e de tudo o mais dos tempos sombrios e pouco racionais da humanidade em curso etc. etc. e tal...

Não venham com esse palavreado baixo e chulo, pois que, afinal, a ciência já decretou que a matéria não existe e que esta, pois, é estruturada e dirigida pela energia, e que, pois, a consciência é o que mais tem se pronunciado como sendo o fundamento de todas as coisas, sendo esta, pois, a alma de tudo e de todos nós, quer o queiramos, quer não.
 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita