Nosso silêncio interior
Creio que todos nós já percebemos este silêncio absoluto
e interior que há em cada um de nós, sobretudo quando
fechamos os olhos e paramos de pensar, deixando a mente,
assim, num estado de paralisação, ou seja, sem movimento
algum, nem pra frente nem pra trás, nem pra baixo nem
pra cima, ou seja, em silêncio completo e total, sem
dinamismo algum.
E,
conquanto o percebamos — (tal silêncio) —, óbvio que,
ainda assim, temos a percepção, ou seja, a plena
consciência de que estamos ali, cientes, porém, num
baixo plano vibrátil, pleno e constante, além do tempo e
do espaço, das coisas ditas materiais.
Este ser interior, e, pois, consciente, que há em cada
um de nós, é o que se pode chamar de espírito, ou de
ser, ou, então, de alma do ser vivente, e, óbvio, um ser
que é sobrevivente a tudo, e, inclusive, à morte, como
se divulga aos quatro ventos.
Mas
como interpretar melhor este ser interior, esta alma que
comanda o meu corpo e que, afinal, está comigo desde a
junção do espermatozoide paterno com o óvulo materno,
aquela porção mínima de proteínas várias, e que, afinal,
fora o início de tudo o que há em mim, em você, em todos
nós, seres humanos e não humanos, homens e animais?
Mas
nem mesmo os espíritos superiores puderam, em sua grande
sabedoria, melhor interpretar o espírito, este ser
constituinte de tudo, do átomo ao homem e do homem a
Deus.
Disseram eles, os sábios da Espiritualidade Maior, que a
linguagem humana é pobre e, pois, insuficiente para a
interpretação de muitas coisas e, inclusive,
insuficiente para uma mais clara e suficiente tradução
do que seja o ser, o espírito, o ser inteligente que
está em mim, que reside na minha consciência e na sua,
ou seja, na de todos nós.
Ao
item 23 de O Livro dos Espíritos (1857-AK), o
Codificador, ou organizador do Espiritismo no século 19
— Allan Kardec —, questiona:
“O que é o espírito?”.
No
que obtivera:
“O princípio inteligente do Universo”.
E
prossegue o Codificador:
“Qual é a natureza íntima do Espírito?”.
E
temos como resposta:
“O Espírito, com a linguagem humana, não é fácil de ser
analisado. Porque o Espírito não é uma coisa palpável;
para vós ele não é nada; mas para nós é alguma coisa.
Sabei bem: o nada é coisa nenhuma, e o nada não existe”.
Sendo que, ao item 24, temos:
“O Espírito é sinônimo de inteligência?”.
No
que temos como resposta:
“A inteligência é um atributo essencial do Espírito.
Todavia, como ambos se confundem num princípio comum,
para vós são a mesma coisa”.
Noutros termos, pois, e, apesar dos contras, dos
sabichões que recusam o espírito, o fato é que ele
existe, pois que, afinal, o que teria dirigido a
construção do meu corpo, na sua gênese, no interior do
ventre materno, para a tamanha complexidade do que sou,
em termos biológicos, psíquicos, mentais e espirituais?
Fica aqui, para os sabichões, a pergunta que não quer
calar!
E
que não venham com o palavreado de que sempre foi assim,
que isso é coisa da matéria e de suas leis e que,
portanto, o espírito não existe, e que isto, pois, é
conto da carochinha e de tudo o mais dos tempos sombrios
e pouco racionais da humanidade em curso etc. etc. e
tal...
Não
venham com esse palavreado baixo e chulo, pois que,
afinal, a ciência já decretou que a matéria não existe e
que esta, pois, é estruturada e dirigida pela energia, e
que, pois, a consciência é o que mais tem se pronunciado
como sendo o fundamento de todas as coisas, sendo esta,
pois, a alma de tudo e de todos nós, quer o queiramos,
quer não.
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