Entrevista

por Orson Peter Carrara

Não espere ser perfeito para começar; apenas faça com fé e amor


Natural de Recife (PE), onde também reside, Jéssica Moliterno Genú (foto) é formada e trabalha como Administradora e Psicanalista. Coordenadora Acadêmica, Professora, Palestrante e autora do livro Administração DEScomplicada, também atua como Mentora de Carreiras e de Desenvolvimento Pessoal.  Na lide espírita, participa do Centro Espírita Vicente de Paulo, como colaboradora. Em suas respostas encontramos muita maturidade e desejo de ser útil, aprimorando-se para melhor servir.

 

Você atua com a Psicanálise e Administração  para o desenvolvimento pessoal e profissional, por meio de treinamentos, palestras, mentorias e consultas psicanalíticas. Como surgiu o interesse por essa área?

Sou Administradora e Mestra em Administração por formação, mas sempre tive grande interesse em compreender o ser humano. Acredito que nossas emoções, pensamentos e sentimentos devem estar em harmonia com nossas ações, e que não há desenvolvimento verdadeiro sem a compreensão profunda da relação entre corpo, mente e espírito.

Ao longo da minha trajetória como professora, palestrante e gestora, lidei com muitas pessoas que necessitavam de uma compreensão mais ampla, que fosse além da superficialidade do cumprimento de metas e alcançasse a essência do ser, investigando inclusive as causas da autossabotagem. Assim optei por fazer o curso de psicanálise e sigo me aprofundando no tema de forma complementar.

Por isso, decidi atuar no desenvolvimento humano de forma mais completa, partindo de dentro — e não apenas da superfície.

Nessa atuação, o que percebe de mais carência nos participantes, considerando as potencialidades humanas e os fatores que inibem o uso dessas habilidades?

Na verdade, essas questões não dizem respeito apenas aos “participantes”, mas ao ser humano em geral. Vivemos em um cenário competitivo e dinâmico, que nos exige o cumprimento de padrões e resultados não apenas no âmbito corporativo, mas também no nosso cotidiano, nas nossas relações sejam no contexto virtual ou não. Assim é importante que a gente invista em autoconhecimento.

Acredito que a ausência de reflexão e autoconhecimento é o que impede o desenvolvimento de habilidades e potencialidades. Conhecer-se, reconhecer sua luz e sua sombra, sem culpa ou medo, mas com respeito e consciência, é sempre o primeiro passo para a mudança. Uma mudança que é possível, mas que exige continuidade, disciplina e vontade.

Qual tem sido o público que mais a procura? 

Atualmente atuo como coordenadora acadêmica, professora, palestrante e mentora de desenvolvimento pessoal e profissional. As pessoas me procuram buscando dicas de autoconhecimento, gestão do tempo, gestão das emoções, de como se comunicar melhor, como vencer os seus medos. É um público diverso, mas que compartilha desafios semelhantes, todos em busca de mais clareza, equilíbrio e desenvolvimento.

E como você se tornou espírita?

Influência da minha família. Sempre convivemos com pessoas de diversas religiões, e fui ensinada desde pequena a respeitar todas. Frequentei a Igreja Católica, conheci a Umbanda e o Espiritismo. Tenho respeito por cada uma delas, mas minha alma e minhas experiência, pela minha sensibilidade e percepção, me conectaram ao Espiritismo — inicialmente por necessidade, para compreender minha mediunidade. Depois, pela sensação de conexão, alívio e sentido que ele me proporcionou.

Naturalmente que usando seus conhecimentos técnicos e profissionais para enriquecer suas abordagens espíritas, como percebe essa conexão entre esses conhecimentos?

Muito boa. A didática que desenvolvi na docência, alinhada ao aprendizado que venho adquirindo por meio das obras espíritas e de autodesenvolvimento, tem me incentivado a melhorar cada vez mais. É um desafio tratar alguns temas sensíveis de forma leve, mas busco conduzir tudo assim, para que os ouvintes possam sair fortalecidos e com fé de que dias melhores virão.

Percebe muita diferença entre o público leigo e o público espírita nos eventos que coordena? No caso, quais?

Depende muito do evento, do público e do local. Muitas vezes, pessoas leigas estão mais abertas a aprender e a se desenvolver do que aquelas que acreditam já saber tudo. Mas, independentemente do perfil do público, o mais importante é que estejam de coração aberto e realmente dispostos a evoluir.

Temas como autoconhecimento, gestão de emoções, perdão, melhora íntima, que base principal ou critérios didáticos procura usar nas abordagens espíritas, valendo-se das experiências profissionais já adquiridas e desenvolvidas?

Primeiramente leveza ao tratar cada conteúdo. Trazendo exemplos, casos, se possível material de visualização considerando que cada ser humano tem facilidades próprias de assimilação de conteúdo e aprendizagem. Trago um pouco dessas técnicas. Quando possível ao final gosto de fazer alguma breve interação entre os participantes para que se conectem, muitas pessoas chegam nos centros e ficam com vergonha de interagir. Depois que fazem o sorriso aparece de forma natural e noto que muitos saem mais leves.

Precisamos disso no nosso dia a dia, nas nossas relações, nas palestras, nos momentos. Empatia e leveza.

De sua vivência espírita o que gostaria de destacar nesses anos todos?

Muitas coisas. Hoje temos uma grande diversidade de centros de acolhimento, e é importante reconhecer o valor da frequência e dos trabalhos realizados com tanta dedicação. Quem frequenta e pode contribuir de alguma forma também fortalece essa corrente do bem.

Ao longo do meu caminho, passei por alguns centros e conheci pessoas que receberam muitos benefícios, mas que, por diferentes motivos, não conseguiram retribuir com apoio ou empatia nesse momento de gratidão. Isso sempre toca o coração — porque a caminhada espiritual também envolve aprender a ajudar uns aos outros, nem que seja com uma escuta, uma palestra, uma doação, um ombro amigo. Há muitas formas de apoio.

Quantos livros publicados?

No momento, apenas um na área de administração. Mas, estou com dois projetos na área de desenvolvimento pessoal previstos para 2026.

Algo mais que gostaria de acrescentar?

Fui convidada por muito tempo para iniciar as palestras espíritas, mas sempre adiava porque acreditava que precisaria ser perfeita para palestrar: ser o maior exemplo, não errar ou, pelo menos, errar o mínimo possível. Depois de muita reflexão, dos incentivos de colegas próximos e dos feedbacks de pessoas que, por intermédio de Deus, pude ajudar de alguma forma, consegui desconstruir essa ideia.

Hoje entendo que erro, erro muito, mas busco todos os dias me aprimorar, reconhecendo minhas falhas e tentando fazer a diferença no mundo, seja com as pessoas com quem convivo diariamente, seja com aquelas que passam pelo meu caminho.

Os temas que estudo e compartilho nas palestras também servem para mim, como pessoa. Eu também escorrego, mas não me puno; reconheço, aprendo e cresço. E espero, com a minha voz e dentro das minhas limitações humanas, deixar algo bom para quem me escuta.

Suas palavras finais.

Não espere ser perfeito para começar. Comece com o que tem. Ajude com o que pode. Apenas faça com fé e amor.


 

     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita