“Só por hoje” é um lema incorporado e amplamente
utilizado em grupos como Narcóticos Anônimos (NA) e
Alcoólicos Anônimos (AA), como filosofia de mudança e
recuperação. Essa mentalidade propõe viver um dia de
cada vez, concentrando-se no presente em vez de tentar
resolver todos os problemas de uma só vez.
Algumas — ou muitas — pessoas, sem se darem conta,
passam a vida torcendo para que ela acabe logo. Já
percebeu como isso acontece?
Epicuro ensinava a buscar o prazer moderado e a
serenidade interior, enfatizando a importância de viver
o momento presente, em vez de ansiar constantemente pelo
futuro. A busca incessante por “mais” — ou por um
“depois” idealizado — torna-se uma das grandes fontes de
ansiedade humana.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),
aproximadamente 9,3% da população brasileira sofre de
transtorno de ansiedade patológica, o que coloca o
Brasil como o país com a maior prevalência de ansiedade
no mundo — cerca de 18,6 milhões de pessoas.
Já os estoicos, como Sêneca e Marco Aurélio, ensinavam a
focar no que está sob nosso controle — nossas ações,
nossas escolhas e atitudes no presente — e a não
desperdiçar energia com o que não podemos mudar.
Mesmo assim, vemos tantos ansiosos à espera do fim do
expediente, contando os minutos para sair do trabalho.
Esperam que a semana termine logo, que a sexta-feira
chegue depressa.
Aguardam as férias como se nelas estivesse escondida a
felicidade.
Anseiam pelo Ano Novo, como se a troca do calendário
pudesse, por si só, renovar os sonhos e as realizações.
Mas, sem perceber, estão sempre se despedindo do agora —
desejando o alívio do amanhã e, nesse desejo, deixando a
vida escorrer pelos dedos do tempo.
O presente é tudo o que realmente temos enquanto
encarnados.
Fiquemos mais um pouco aqui — neste instante — e
aprendamos a habitá-lo com gratidão.
Olhe ao redor: veja as flores, os amores, as
oportunidades que a vida lhe oferece, as bênçãos e até
as experiências que convidam ao crescimento.
Fiquem... Somos os arquitetos do nosso destino e do
amanhã.
A vida é imortal — por obra de Deus —, mas é o agora que
conta.
É aqui que o espírito amadurece, compreendendo que a paz
e a felicidade não estão fora de nós, mas repousam
silenciosas em nosso mundo íntimo.
Arnaldo Divo Rodrigues
de Camargo é diretor da Editora EME.