Ensinamento e surpresa
Um companheiro amargurado por desgostos no cotidiano,
certa feita, através de emissora interiorana, ouviu a
voz empolgante de um professor de otimismo que lhe
cativou a atenção e a simpatia.
De três em três dias, ei-lo postado junto ao receptor, a
fim de registrar os conceitos do orientador distante.
Tão admirado se viu com as respostas com que o
prestimoso amigo reconfortava e instruía aos ouvintes,
que lhe dirigiu a primeira carta, solicitando-lhe
auxílio para sanar as inquietações de que se reconhecia
objeto.
Entusiasmado com os apontamentos que obtinha pelo sem
fio, confiou-se à copiosa correspondência, na qual se
expunha ao mentor, rogando-lhe as opiniões que chegavam
sempre sinceras e sensatas.
Aquele homem, cujas palavras de paz e compreensão se
espalhavam pelo rádio, devia conhecer as mais
intrincadas questões humanas.
Para quaisquer indagações, expedia a resposta exata e
tanto adentrou na faixa dos pensamentos novos que lhe
eram endereçados que o amigo, dantes fatigado e
pessimista, observou-se curado da angústia crônica que o
possuía.
Renovado e feliz, deliberou exteriorizar a gratidão que
lhe vibrava nos recessos do ser, procurando abraçar o
benfeitor pessoalmente.
Combinaram dia e hora para o encontro e o beneficiado
despendeu oito horas, em automóvel, varando estradas
difíceis, de modo a reverenciar o professor que lhe
reabilitara as forças para a vida.
Só então, depois de atingir a cidade para a qual se
dirigia, entre consternação e júbilo, conseguiu
avistá-lo, verificando, por fim, que o distinto
radialista, que lhe devolvera a alegria de viver e
trabalhar, era paralítico e cego.
Do livro Agora é o tempo,
obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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