Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Equilíbrio


O conselho da princesa


Havia, em um reino distante, um enorme castelo onde moravam um rei, uma rainha e sua filha, a linda princesa Augusta. Viviam felizes, não só porque o reino era rico em belezas naturais, mas também porque o povo dali era alegre e trabalhador.

Toda semana, era costume dos governantes abrir audiências para ouvir o povo.

Escutavam seus pedidos e recebiam notícias do que acontecia por todo o reino. A princesa tinha grande interesse nessas audiências, pois adorava ver a movimentação de tantas pessoas no castelo.

Certo dia, chegou ao castelo um viajante. Estava muito cansado, pois a viagem havia sido longa, mas, antes de aceitar qualquer bebida ou alimento que os servos lhe ofereciam, pediu para falar com o rei e a rainha.

— Meu rei, minha rainha, peço a sabedoria de vocês. Já faz um ano que minhas terras estão secas e minha plantação está morrendo. Coloquei todo o meu esforço nela e não tive fruto algum. O que posso fazer para me sustentar?

Os governantes refletiram por alguns momentos. O rei foi o primeiro a falar:

— Meu pobre súdito, lamento muito que essa seja a situação. O trabalho com a terra é muito necessário, mas também difícil. Acredito que o melhor a fazer é desfazer-se de tudo o que possui e recomeçar em outro lugar. Você já empregou esforço demais em vão.

O viajante ficou muito triste com a fala do rei, mas estava resignado, pois não conseguia enxergar outra solução. Então a rainha se pronunciou:

— Meu súdito, penso que você deveria esperar. A qualquer momento as chuvas voltarão, e com elas virá sua abundância! Confie que tudo se resolverá por si só.

A princesa e todos os que estavam no salão ficaram surpresos. Era a primeira vez que o rei e a rainha apresentavam sugestões tão diferentes. O viajante estava muito desconfortável, pois não queria aborrecer os governantes, mas agora estava ainda mais indeciso do que quando havia chegado.

A princesa Augusta respirou fundo e aproximou-se de seus pais. Fez uma reverência e, com o gesto, a rainha entendeu que a filha desejava participar da audiência pela primeira vez.

— Senhor viajante, onde ficam suas terras? — perguntou a moça.

— Ao sul, a três dias de viagem...

— Em sua viagem, o senhor passou perto de algum rio?

— Passei, sim, minha princesa! O Rio Claro contorna toda a província onde fica minha plantação.

A princesa ponderou por um momento e então falou:

— É minha primeira vez dando conselhos, por isso peço que me perdoem se a ideia não for praticável. De fato, o trabalho no campo é muito difícil...

— Por isso ele deve deixá-lo! — interrompeu o rei.

— Mas também é verdade que a época das chuvas começará em breve... — continuou Augusta.

— Por isso ele deve esperar! — acrescentou a rainha.

— Nem uma coisa, nem outra — disse a princesa. — Meu conselho é que reúna os outros camponeses da província e, juntos, desviem parte do rio para as plantações. Certamente outros também estão enfrentando o mesmo problema com a seca. As águas do Rio Claro tornarão a terra propícia para que as sementes brotem. Quando as plantas já estiverem crescendo, chegará a época das chuvas e elas terão sustento. Trabalhe com o que tem ao seu alcance, e o futuro frutificará aquilo que tiver sido semeado.

Os olhos do viajante se iluminaram de esperança. O rei e a rainha sorriram, cheios de orgulho.

O conselho da princesa Augusta foi muito importante, ainda que ela mesma não soubesse o quanto. Em muitas situações da vida, pode acontecer de o pessimismo frio ou o otimismo infundado nos deixarem sem saber por qual caminho seguir. O melhor caminho é agir no que for possível com fé e amor.


O presente texto é de autoria de 
Lívia Seneda, de Londrina-PR. 
 


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