Tema: Equilíbrio
O conselho da princesa
Havia, em um reino distante, um enorme castelo onde
moravam um rei, uma rainha e sua filha, a linda princesa
Augusta. Viviam felizes, não só porque o reino era rico
em belezas naturais, mas também porque o povo dali era
alegre e trabalhador.
Toda semana, era costume dos governantes abrir
audiências para ouvir o povo.

Escutavam seus pedidos e recebiam notícias do que
acontecia por todo o reino. A princesa tinha grande
interesse nessas audiências, pois adorava ver a
movimentação de tantas pessoas no castelo.
Certo dia, chegou ao castelo um viajante. Estava muito
cansado, pois a viagem havia sido longa, mas, antes de
aceitar qualquer bebida ou alimento que os servos lhe
ofereciam, pediu para falar com o rei e a rainha.
— Meu rei, minha rainha, peço a sabedoria de vocês. Já
faz um ano que minhas terras estão secas e minha
plantação está morrendo. Coloquei todo o meu esforço
nela e não tive fruto algum. O que posso fazer para me
sustentar?
Os governantes refletiram por alguns momentos. O rei foi
o primeiro a falar:
— Meu pobre súdito, lamento muito que essa seja a
situação. O trabalho com a terra é muito necessário, mas
também difícil. Acredito que o melhor a fazer é
desfazer-se de tudo o que possui e recomeçar em outro
lugar. Você já empregou esforço demais em vão.
O viajante ficou muito triste com a fala do rei, mas
estava resignado, pois não conseguia enxergar outra
solução. Então a rainha se pronunciou:
— Meu súdito, penso que você deveria esperar. A qualquer
momento as chuvas voltarão, e com elas virá sua
abundância! Confie que tudo se resolverá por si só.
A princesa e todos os que estavam no salão ficaram
surpresos. Era a primeira vez que o rei e a rainha
apresentavam sugestões tão diferentes. O viajante estava
muito desconfortável, pois não queria aborrecer os
governantes, mas agora estava ainda mais indeciso do que
quando havia chegado.
A princesa Augusta respirou fundo e aproximou-se de seus
pais. Fez uma reverência e, com o gesto, a rainha
entendeu que a filha desejava participar da audiência
pela primeira vez.
— Senhor viajante, onde ficam suas terras? — perguntou a
moça.
— Ao sul, a três dias de viagem...
— Em sua viagem, o senhor passou perto de algum rio?
— Passei, sim, minha princesa! O Rio Claro contorna toda
a província onde fica minha plantação.
A princesa ponderou por um momento e então falou:
— É minha primeira vez dando conselhos, por isso peço
que me perdoem se a ideia não for praticável. De fato, o
trabalho no campo é muito difícil...
— Por isso ele deve deixá-lo! — interrompeu o rei.
— Mas também é verdade que a época das chuvas começará
em breve... — continuou Augusta.
— Por isso ele deve esperar! — acrescentou a rainha.
— Nem uma coisa, nem outra — disse a princesa. — Meu
conselho é que reúna os outros camponeses da província
e, juntos, desviem parte do rio para as plantações.
Certamente outros também estão enfrentando o mesmo
problema com a seca. As águas do Rio Claro tornarão a
terra propícia para que as sementes brotem. Quando as
plantas já estiverem crescendo, chegará a época das
chuvas e elas terão sustento. Trabalhe com o que tem ao
seu alcance, e o futuro frutificará aquilo que tiver
sido semeado.
Os olhos do viajante se iluminaram de esperança. O rei e
a rainha sorriram, cheios de orgulho.
O conselho da princesa Augusta foi muito importante,
ainda que ela mesma não soubesse o quanto. Em muitas
situações da vida, pode acontecer de o pessimismo frio
ou o otimismo infundado nos deixarem sem saber por qual
caminho seguir. O melhor caminho é agir no que for
possível com fé e amor.
O presente texto é de autoria de Lívia
Seneda, de Londrina-PR.