Enfrentando as
obsessões
Entre tantas
páginas escritas
sobre a Doutrina
Espírita, há uma
relevante
informação de
Allan Kardec
sobre as
obsessões
espirituais, não
as catalogadas
pelas ciências
médicas de cunho
materialista:
Há pessoas que,
embora animadas
de boas
intenções, não
deixam de ser
obsidiadas. Qual
o melhor meio de
nos livrarmos
dos Espíritos
obsessores?
“Cansar-lhes a
paciência, não
dar nenhuma
importância às
suas sugestões e
mostrar-lhes que
estão perdendo
seu tempo. Ao
verem que nada
conseguem,
afastam-se.”1
Esta primeira
providência se
aplica a todos
os casos quando
há aproximações
maléficas de
entidades
desencarnadas,
por hora
patentemente
desorientadas,
tentando como
meta final
estabelecer: a
obsessão
simples, a
fascinação, a
subjugação e
mesmo a
possessão.
Destaque-se ter
o Codificador
enfatizado nesta
indagação que
mesmo para
aqueles pautando
suas existências
alinhadas com os
bons princípios
morais e éticos,
podem ser
assediados, pois
a obsessão não
é privilégio dos
perturbados de
toda ordem, e
como existem
desnorteados
neste mundo
ainda em fase de
transição para
orbe de
Regeneração.
Entretanto, esta
é apenas uma das
medidas que
deveriam ser
tomadas por
todos nós, pois
não há quem não
seja
influenciável na
Terra, afinal,
ainda somos
todos Espíritos
inferiores,
talvez com
algumas
exceções, pois
podem estar
reencarnados no
planeta
Espíritos
superiores com
particulares
missões visando
promover avanços
tanto nas
ciências, quanto
no grau de
moralidade, bem
como nas artes,
para esta parte
da Humanidade
Universal.
O exercício
desta virtude, a
paciência, é
fundamental para
enfrentar
incontáveis
situações ainda
ocorrendo em um
típico planeta
de Provas e
Expiações, por
isso Jesus já
nos havia
advertido:
“Tenho-vos dito
estas coisas,
para que em mim
tenhais paz. No
mundo tereis
tribulações; mas
tende bom ânimo,
eu venci o
mundo.” (João:
16, 33.)2
E uma das mais
importantes e
corriqueiras
tribulações
apontadas pelo
Cristo são as
obsessões
requerendo dos obsediáveis,
uma conduta mais
ajustada à moral
e à ética para
melhor se
defender destas
aproximações e,
lembrando desta
providência,
podemos citar
uma outra
recomendação com
o poder de
ajudar a
inviabilizar a
instalação de um
processo
obsessivo: a reforma
íntima.
Há vários
obsessores de
ocasião, ou
seja, o
indivíduo morreu
viciado em:
álcool, fumo,
drogas,
sexo..., tomadas para
o
estabelecimento
das obsessões
materiais, mas
há muitas
outras: o hábito
da maledicência,
reclamações e
queixas
sistemáticas,
mau uso da
palavra, entre
tantas tomadas imateriais.
Os Espíritos
ainda
desorientados
podem facilmente
se conectar por
estas tomadas passando
a conviver
conosco ao longo
de nosso
cotidiano,
compartilhando e
incentivando
atitudes,
fluidos,
energias e
pensamentos de
igual teor e
desejo aos
nossos.
Por exemplo, se
o Espírito
desencarnou
adepto do uso do
álcool, dentro
daquela linha de
conduta em que
afirma poder
parar de beber
quando quiser,
só que não parou
até morrer, ao
chegar do lado
de lá, surge
naturalmente o
desejo de sorver
as variadas
bebidas
etílicas,
costumeiramente
usadas quando
vivo, contudo,
estas não
existem mais,
ficaram todas na
Terra e suas
mãos fluídicas
não podem mais
levantar copos e
segurar
garrafas. Desta
forma, o que faz
o adicto morto,
procura algum
adicto
encarnado,
portanto ainda
vivo, com
idêntico salutar costume
e se conecta com
ele por esta tomada,
passando a
experimentar
sensações,
embora não tão
intensas quanto
aquelas
experimentadas
quando estava
encarnado, mas
apesar disso o
satisfazem, isso
ocorrendo todas
as vezes em que
fizer o vivo
beber,
destacando uma
peculiaridade: o
último se diz
convicto de que
está bebendo
porque quer, mas
está sendo
comandado. Assim
funciona este
tipo de processo
obsessivo.
A preparação
para a morte
deve ser
regular, pois
deve-se pensar
na morte,
conforme se
pensa na vida.
As tendências
negativas
precisam ser
controladas, sob
pena de se viver
o dia a dia com
variadas tomadas ativas,
nas quais os
perturbados do
espaço podem
estabelecer uma
ligação
obsessiva. O
controle do homem
velho deve
ser intenso e
cotidiano, este
é o princípio
da reforma
íntima.
Estas duas
atitudes –
paciência e
reforma íntima -
são fundamentais
para evitar o
nascimento de um
processo
obsessivo,
porém, nesta
hora, alguém
poderia indagar:
e se a obsessão
já estiver
estabelecida,
contudo, ainda
não alcançou os
níveis da
subjugação e da
possessão, o que
faço?
A paciência e a
reforma íntima
são recomendadas
condutas para
toda a
existência,
independentemente
se estamos
submetidos ou
não à ação de
obsessores.
Entretanto,
existem outras
duas posturas de
elevado valor
podendo atuar
significativamente
na ruptura de
uma ligação
obsessiva já
existente: a
caridade e a
oração.
De modo a bem
compreender o
alcance destas
outras salutares
ações,
recordemos que
há significativa
e recorrente
motivação para
que um Espírito
exerça sua
prejudicial
atuação junto a
um encarnado: a
busca pela
vingança.
De modo a melhor
compreender esta
motivação,
observemos que o
patamar moral e
ético desta
parte da
Humanidade é bem
baixo, não temos
muito do que nos
orgulhar, basta
observar, no
momento atual, a
quantidade de
conflitos
armados se
desenvolvendo
aqui e ali.
Nestas muitas
guerras,
pratica-se e
praticou-se toda
a sorte de
iniquidades,
crueldades, atos
insanos e, para
os envolvidos
não passam de
condutas
aceitáveis em
função das
guerras
estabelecidas,
ou seja, não há
outra medida a
tomar a não ser
exterminar o
suposto inimigo,
usando todos os
meios possíveis
para tanto.
Ocorre que
muitos daqueles
que são
trucidados pela
selvageria dos
beligerantes,
civis em grande
parte, inclusive
assistindo seus
familiares sendo
mortos e
torturados,
violentados
sexualmente,
entre tantos
outros desatinos
bem
característicos
dos conflitos
armados, não
perdoam seus
algozes e, ao
reencontrá-los
reencarnados,
partem para a
desforra, sem
qualquer freio.
Estes Espíritos,
por hora
alucinados e
ávidos por
retribuir – na
mesma moeda - o
mal recebido,
quando
reencontram seus
antigos
verdugos, partem
incondicionalmente
para fazer todo
o mal ao seu
alcance, mas, se
os reencontram
mudados, com
condutas nobres
em relação à
sociedade em que
agora convivem,
podem ter o seu
desejo de
vingança
atenuado,
afinal, estão
tentando
prejudicar
alguém que está
fazendo o bem,
não importa a
quem.
No caso da
obsessão estar
vigente e o
obsidiado não
tiver esta
atenção em
relação à
sociedade com
quem convive,
seria muito
recomendado
iniciar uma
atividade de
apoio às
necessidades que
se apresentam, e
são muitas,
mostrando ao seu
antigo inimigo
que mudou, pois,
esta nova forma
de viver, atenua
os sentimentos
de ódio e rancor
que o obsessor
nutre pelo seu
desafeto do
passado.
Dentro do
processo da
reforma íntima,
recomenda-se,
assim, ocupar-se
utilmente, nas
variadas
práticas da
caridade, como
já enfatizado,
não há dúvida
nos benefícios
desta conduta,
mas também
substituindo os
maus pensamentos
e ideias pelo
costume no uso
da boa
literatura, não
deixando a porta
mental aberta
para as
contínuas
insinuações dos
desocupados do
além.
Quando estamos,
quando possível,
lendo e
aprendendo por
meio dos nobres
e estimulantes
escritos de bons
autores, não
precisando ser
necessariamente
espíritas,
impedimos, total
ou parcialmente,
que as sugestões
nocivas dos
obsessores criem
raízes em nossas
mentes. Já foi
dito que em
cabeça vazia o
diabo faz tricot!
E, por último,
mas não que seja
a providência
menos eficaz,
muito pelo
contrário, surge
a oração e,
segundo Allan
Kardec:
“Em todos os
casos de
obsessão, a
prece é o mais
poderoso
auxiliar no
esclarecimento
do espírito
obsessor.”3
Ou ainda:
“Em todos os
casos de
obsessão, a
prece é o mais
poderoso meio de
que se dispõe
para demover de
seus propósitos
maléficos o
obsessor.”4
Temos, desta
forma as quatro
áureas
providências a
tomar para
impedir o
estabelecimento
destas conexões
nefastas, ou
mesmo
desfazê-las,
podendo
inclusive levar
a vítima à
morte,
particularmente
quando alcançam
os paroxismos da
subjugação e da
possessão.
Nestas duas
últimas fases do
processo
obsessivo, há
que se contar
com a ajuda de
terceiros, pois
o que se
encontra
totalmente
dominado por uma
ou mais mentes
externas, não
consegue por si
mesmo praticar a
caridade,
tampouco
providenciar a
sua reforma
íntima, muito
menos ser
paciente, pois
terá perdido as
rédeas de sua
própria vida.
Restará a
pessoas
interessadas no
caso, familiares
e amigos, orar
por estas
vítimas,
providenciando,
se possível,
trabalhos
específicos de
desobsessão em
casas espíritas
e, em paralelo,
pela oração
sincera
endereçarão ao
Criador suas
súplicas e
pedidos que
certamente
agirão para
amenizar as
dores e aflições
de todos os
Espíritos
envolvidos.
Sim! Devemos
orar pelos
obsessores, pois
também são
filhos do mesmo
Pai de todos
nós. A
impaciência e a
irritação, de
nada valem, pois
terão apenas a
função de
enfurecê-los
ainda mais.
A propósito,
exorcismos são
inócuos, os
Espíritos
perturbados se
divertem com
estas práticas
medievais, mas
ainda tão em
voga nas
mentalidades
atrasadas, mesmo
no século XXI.
Não percamos
tempo com estas
pseudossoluções,
quando por
ventura ocorre
algum
afastamento da
entidade, este
se deu por conta
do bom coração
do praticante,
pela boa energia
e bons fluidos
emitidos pelas
suas
equilibradas
palavras, jamais
pela força de
símbolos
riscados no
chão, artefatos
variados,
cruzes, águas
bentas, rituais
ou mesmo pelo
emprego de
palavras com
suposto poder
mágico.
A sabedoria do
Mestre lionês
sintetizou estas
providências
neste texto:
Em resumo, a
prece fervorosa
e os esforços
sérios por
melhorar-se são
os únicos meios
de afastar os
Espíritos maus,
que reconhecem
como senhores
aqueles que
praticam o bem,
ao passo que as
fórmulas os
fazem rir.
A cólera e a
impaciência os
excitam. É
preciso
cansá-los,
mostrando mais
paciência que
eles.5
Referências:
1 KARDEC,
Allan. O
Livro dos
Espíritos.
Trad. Guillon
Ribeiro.
Brasília: FEB,
q. 478.
2 BÍBLIA
DE JERUSALÉM.
São Paulo, SP:
Paulus, 2012. (João:
16 – 33.)
3 KARDEC,
Allan. O
evangelho
segundo o
Espiritismo.
Trad. Guillon
Ribeiro. 131.
ed. 6. imp.
Brasília: FEB,
2015. cap.
XXVIII, it. 81.
4 _________. A
gênese.
Trad. de Guillon
Ribeiro. 53 ed.
1 imp. [Edição
Histórica].
Brasília: FEB,
2013. cap. XIV,
it. 46.
5 _________. Revista
espírita: Jornal
de estudos
psicológicos.
ano 5, dez.
1862. Trad.
Evandro Noleto
Bezerra. 1. ed.
Rio de Janeiro:
FEB, 2004.
Estudos sobre os
possessos de
Morzine. Causas
da obsessão e
meios de
combatê-la. pág.
497 (cópia em
PDF).