Tempo de reflexão
“Eu creio, mas ajuda-me na minha falta de fé.” (Marcos
9:24.)
Na
filosofia, a reflexão é vista como um processo essencial
de questionamento e análise crítica do mundo e de si
mesmo, indo além do simples pensar. Envolve a retomada
do pensamento sobre si próprio, questionando ideias,
ações e o mundo ao redor, em busca de uma compreensão
mais profunda da verdade.
Considerado o pai da filosofia, Sócrates (470 a.C. – 399
a.C.) defendia a importância da reflexão para que a vida
tenha significado, afirmando que uma vida sem
questionamento não merece ser vivida. Observemos que há
muitos conceitos filosóficos a respeito da reflexão,
exigindo de todos nós o aprofundamento desses
entendimentos.
Podemos dizer que a fé e a esperança não podem coexistir
sem uma reflexão sobre aquilo que almejamos. Nesse
contexto, impõe-se o pensamento positivo, sem o qual
nossas intenções se enfraquecem. Buscar o sentido da
vida, por si só, é um ato de reflexão. Isso exige,
naturalmente, pensamento crítico, lógico e isento de
preconceitos, para que nossa observação tenha real
significado.
Mas
qual é o tempo de reflexão? Quanto tempo devemos
refletir sobre a vida?
Entendemos que o tempo é um elemento necessário para que
obtenhamos alguma resposta ao que buscamos. A princípio,
convenhamos que qualquer tempo é tempo para esse
objetivo. O que, em regra geral, costuma-se dizer é que
“não temos tempo”, quando, na verdade, esse exercício
exige serenidade e raciocínio.
A
vida, quando questionada, leva-nos a um verdadeiro
labirinto de informações que precisam ser analisadas,
para que possamos chegar a alguma conclusão. Pelas
experiências vividas, poderemos obter dados que nos
ajudem a compreender o sentido daquilo que buscamos.
No
livro Autodescobrimento, psicografado por Divaldo
Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
encontramos a seguinte reflexão:
“A
harmonia íntima, que decorre do discernimento das
finalidades da vida, propicia a natural integração da
criatura no conjunto cósmico, contribuindo para a
preservação da Unidade Universal.” (p. 66)
Refletindo é que teremos parâmetros para avaliar o nosso
comportamento no convívio social, já que somos parte
desse universo. Mas, além disso, precisamos desenvolver
uma visão transcendental do nosso “eu”, cuja origem se
encontra no Pai Celestial. Nesse ponto é que
necessitamos nos concentrar, perscrutando o sentido da
vida em sua plenitude de deveres e realizações.
Em A
Gênese, lemos:
“São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes,
marcados por Deus, em que grandes acontecimentos se vão
dar para a regeneração da humanidade.”
Vivenciamos um período de turbulência decorrente da
chamada Transição Planetária, que nos exige profunda
reflexão, pois nenhum de nós está livre dos efeitos das
transformações em curso.
Diante disso, impõe-se o entendimento de tudo aquilo
sobre o que já fomos alertados. A Doutrina dos
Espíritos, com seu caráter consolador, relembra as
palavras do Divino Mestre e traz novas informações à luz
da ciência, evidenciando a imortalidade da alma. A
esperança encontra-se na verdade incontestável de que a
vida não se restringe ao período entre o berço e o
túmulo. O Espírito continua sua jornada infinita de
aperfeiçoamento.
Por
sua vez, Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Manoel
Philomeno de Miranda, no livro Transição Planetária,
esclarece:
“As
grandes transformações, embora ocorram em fases de
perturbação do orbe terrestre, em face dos fenômenos
climáticos, da poluição e do desrespeito à Natureza, não
se darão em forma de destruição da vida, mas de mudança
de comportamento moral e emocional dos indivíduos,
convidados uns ao sofrimento pelas ocorrências e outros
pelo discernimento em torno da evolução.” (p. 20)
A
misericórdia divina, sempre presente, mostra-nos como
devemos conduzir nossas vidas, mediante o livre-arbítrio
que nos foi concedido. Temos, pois, à nossa disposição
um roteiro seguro para alcançar a plenitude espiritual,
objetivo maior de nossas vivências reencarnatórias.
Afinal, a vida sem reflexão é um caminhar sem rumo
certo.
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