Artigos

por Mário Frigéri

Aprendendo com a natureza selvagem


Poucos espetáculos da natureza são tão harmoniosos quanto o voo dos gansos selvagens atravessando o céu em formação. Quando observados à distância, desenham no azul do firmamento a elegante figura de um “V”, que lembra a ponta de uma flecha silenciosa rasgando o ar. Essa disposição não é fruto do acaso: trata-se de uma estratégia admirável de cooperação aerodinâmica, pela qual cada ave aproveita a corrente de ar gerada pela que segue à frente, reduzindo o esforço do voo e permitindo que o grupo avance por distâncias extraordinárias.

A ciência tem demonstrado que essa formação coletiva diminui de forma notável a resistência do vento e economiza energia durante as longas migrações. Quando o ganso que lidera se cansa, outro assume naturalmente o lugar da frente, preservando o ritmo da jornada. Há, portanto, uma espécie de inteligência cooperativa que regula o grupo: liderança alternada, estímulo mútuo e cuidado recíproco, como se cada integrante soubesse que o sucesso da travessia depende do esforço solidário de todos.

Outro aspecto fascinante desse fenômeno é a capacidade dessas aves de orientar-se em percursos que atravessam continentes. Estudos indicam que os gansos conseguem perceber os gradientes do campo magnético da Terra, utilizando-os como verdadeiro mapa natural que lhes permite manter a rota com segurança. Nesse quadro impressionante de organização, disciplina e fraternidade instintiva, a natureza parece oferecer ao ser humano uma silenciosa lição sobre convivência, cooperação e solidariedade — tema que a composição a seguir procura desenvolver com sensibilidade e inspiração.

 

GANSOS SELVAGENS

 

“Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como

peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.”  -  Martin Luther King

 

Os gansos voam sempre em formação,

Fazendo um “V” no azul do firmamento,

E assim voandomesmo contra o vento,

São mais velozes na transmigração.

 

Eles trabalham em Equipe.

 

Nesse transvoo pelo céuse o ganso

Que está no ápice do “V” se cansa,

Um outro assume logo a liderança,

Sem que haja quebra no incessante avanço.

 

Eles partilham o Comando.

 

Quando algum deles momentaneamente

Vai diminuindo a velocidade,

Atrás os gansos grasnam com amizade,

Dando coragem ao que segue à frente.

 

Eles são Amigos.

 

Se um deles deixa a formação-modelo,

Talvez porque se encontre adoentado,

Outro se põe, no mínimo, a seu lado

Para ajudá-lo ou mesmo protegê-lo.

 

Eles são Solidários.

 

Homem, imagem do Senhor, és gente!

Procura agir, assimcom o semelhante,

Como esses gansos, na animalidade,

 

Pois trazes n’alma um privilégio ingente:

O de ser membro da mais importante

E universal Equipe – A HUMANIDADE!


Nota do Autor: poema inspirado na página “O sentido dos gansos”, de autor desconhecido, colhida na Internet.

 

Mário Frigéri é poeta, escritor, autor e youtuber com a mente e o coração voltados para o esplendor do Evangelho e da Doutrina Espírita. Campinas-SP.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita