|
Aprendendo com a natureza selvagem
Poucos espetáculos da natureza são tão harmoniosos
quanto o voo dos gansos selvagens atravessando o céu em
formação. Quando observados à distância, desenham no
azul do firmamento a elegante figura de um “V”, que
lembra a ponta de uma flecha silenciosa rasgando o ar.
Essa disposição não é fruto do acaso: trata-se de uma
estratégia admirável de cooperação aerodinâmica, pela
qual cada ave aproveita a corrente de ar gerada pela que
segue à frente, reduzindo o esforço do voo e permitindo
que o grupo avance por distâncias extraordinárias.
A ciência tem demonstrado que essa formação coletiva
diminui de forma notável a resistência do vento e
economiza energia durante as longas migrações. Quando o
ganso que lidera se cansa, outro assume naturalmente o
lugar da frente, preservando o ritmo da jornada. Há,
portanto, uma espécie de inteligência cooperativa que
regula o grupo: liderança alternada, estímulo mútuo e
cuidado recíproco, como se cada integrante soubesse que
o sucesso da travessia depende do esforço solidário de
todos.
Outro aspecto fascinante desse fenômeno é a capacidade
dessas aves de orientar-se em percursos que atravessam
continentes. Estudos indicam que os gansos conseguem
perceber os gradientes do campo magnético da Terra,
utilizando-os como verdadeiro mapa natural que lhes
permite manter a rota com segurança. Nesse quadro
impressionante de organização, disciplina e fraternidade
instintiva, a natureza parece oferecer ao ser humano uma
silenciosa lição sobre convivência, cooperação e
solidariedade — tema que a composição a seguir procura
desenvolver com sensibilidade e inspiração.
GANSOS SELVAGENS
“Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como
peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.” - Martin
Luther King
Os gansos voam sempre em formação,
Fazendo um “V” no azul do firmamento,
E assim voando, mesmo contra o vento,
São mais velozes na transmigração.
Eles trabalham em Equipe.
Nesse transvoo pelo céu, se o ganso
Que está no ápice do “V” se cansa,
Um outro assume logo a liderança,
Sem que haja quebra no incessante avanço.
Eles partilham o Comando.
Quando algum deles momentaneamente
Vai diminuindo a velocidade,
Atrás os gansos grasnam com amizade,
Dando coragem ao que segue à frente.
Eles são Amigos.
Se um deles deixa a formação-modelo,
Talvez porque se encontre adoentado,
Outro se põe, no mínimo, a seu lado
Para ajudá-lo ou mesmo protegê-lo.
Eles são Solidários.
Homem, imagem do Senhor, és gente!
Procura agir, assim, com o semelhante,
Como esses gansos, na animalidade,
Pois trazes n’alma um privilégio ingente:
O de ser membro da mais importante
E universal Equipe – A HUMANIDADE!
Nota do Autor: poema inspirado na página “O sentido dos
gansos”, de autor desconhecido, colhida na Internet.
Mário Frigéri é poeta, escritor, autor e
youtuber com a mente e o coração voltados para o
esplendor do Evangelho e da Doutrina Espírita.
Campinas-SP.
|