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por José Reis Chaves

 

Refletindo sobre o amor de Deus para conosco


Todos os atributos de Deus são infinitos. O da onisciência é um deles, pois Ele conhece, ao mesmo tempo, o passado, o presente e o futuro.

De acordo com o tema deste texto — o amor de Deus para conosco —, sendo esse amor infinito, ele é maior que a soma do amor de todos os pais e mães de toda a história da humanidade por seus filhos. Isso significa que é inimaginável o amor de Deus por cada um de nós. A própria Bíblia afirma que Deus não faz acepção de pessoas, sendo todos iguais perante Ele (Livro de Atos, 10:34-36).

Deus nunca sofre com os nossos pecados. Quem sofre é a vítima do pecado e também o seu autor, pois este colherá aquilo que semeou. Trata-se da lei universal e inexorável de causa e efeito, presente na Bíblia e nas escrituras sagradas de outras grandes religiões.

Li certa vez, na internet, esta afirmação absurda: que a Misericórdia Divina consistiria em Deus, por amar a todos sem exceção, conceder a todos as mesmas oportunidades de escolher entre ir para o Céu ou para o Inferno. Ora, como alguém escolheria ir para o Inferno, entendido — como muitos imaginam — como um local geográfico de torturas inimagináveis criado por Deus, como se Ele fosse o rei do terrorismo universal?

Esse Inferno, concebido como um lugar geográfico, não existe. Ele se encontra no próprio espírito, onde quer que este esteja: encarnado na Terra ou desencarnado no mundo espiritual. O mesmo se pode dizer do Céu ou do Purgatório.

Jesus recorda essa realidade ao afirmar que o Reino dos Céus está dentro de nós. E, sobre a felicidade desse Reino, o excelso Mestre ensinou que ninguém jamais viu algo semelhante, o que é compatível com o infinito amor de Deus por cada um de seus filhos.

Para chegarmos até lá, por meio da nossa inteligência e do nosso livre-arbítrio, pode levar algum tempo. Mas isso não importa, pois a alma — ou espírito — é imortal. Como disse São Paulo, é necessário prosseguir “até que todos cheguemos à estatura de Cristo” (Efésios 4:13), ou seja, a um elevado grau de evolução espiritual, aproximando-nos do nível de Jesus.

Continuando nosso raciocínio sobre o amor infinito de Deus por todos os seus filhos: se Deus é onisciente, sabendo de antemão que um espírito teria como destino ir para o inferno imaginado por Dante Alighieri — autor que, no século XIII, na famosa Divina Comédia, elaborou as ideias dantescas desse inferno, posteriormente adotadas por muitos teólogos cristãos —, tal concepção seria totalmente incompatível com a Misericórdia e o Amor infinitos de Deus.

Assim, podemos concluir que, se algum de seus filhos tivesse como destino esse suposto inferno eterno, Deus simplesmente não o teria criado.
 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita