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Crônicas e Artigos

Ano 8 - N° 376 - 17 de Agosto de 2014

ALMIR DEL PRETTE
adprette@ufscar.br

São Carlos, SP (Brasil)

 
 

Conhecereis a verdade e ela vos tornará livres: adágios e seus significados


Adágios, ditos, máximas e provérbios são criações com sentido moral, ou moralista, cujo modus operandi funciona, grosso modo, como um controle social que pode induzir alguns comportamentos e inibir outros. Portanto, para ser efetiva, qualquer análise sobre adágios deve buscar a sua funcionalidade nas relações entre as pessoas e grupos. A análise deve responder a quem o adágio beneficia, quando utilizado. Claro que qualquer adágio presta-se a diferentes interpretações. Por exemplo, o ditado popular “quem espera sempre alcança” aparentemente está enaltecendo as virtudes da paciência, da calma, do equilíbrio, da mansidão e da resignação, tendo, em seu oposto, a ansiedade, a inquietude, a agitação, o inconformismo, a revolta. Entretanto, a mesma máxima também pode favorecer apatia, desânimo, indolência, inércia, abulia. Esse adágio acaba por induzir que algo de bom vai acontecer mesmo, ou, principalmente, que eu nada faça para isso. Pode-se dizer, portanto, que o adágio vem com um disfarce e, na grande maioria das vezes, possui várias facetas.

Um conjunto de adágios bastante presente em nossa cultura explicita, de maneira caricatural, os fracassos das pessoas, individualmente e de grupos, podendo até atingir coletividades amplas, como o país. Alguns deles são, por exemplo: Cachorro velho não aprende truques novos, Santo de casa não faz milagres, Em casa de ferreiro o espeto é de pau, Pau que nasce torto morre torto e Errar é humano. Com facilidade, o leitor encontrará, na internet, a origem desses ditos. Contudo, a busca da procedência, ou da etimologia, não esclarece a razão da permanência dessa máxima em uma determinada cultura e nem desvenda o sentido em que ela é utilizada.

O adágio, Santo de casa não faz milagres, está arraigado na nossa cultura e, de certa forma, reflete e é reflexo da maneira negativa como olhamos para nosso país. É curioso lembrar um fato ocorrido no governo de Rodrigues Alves, quando várias epidemias assolaram Rio de Janeiro, Santos e São Paulo. Nesse período foi encaminhada uma carta pelas nossas autoridades ao governo francês pedindo a colaboração no envio de um sanitarista para debelar algumas dessas mazelas própria dos trópicos. A resposta enviada exibia surpresa diante do pedido e, entre frases protocolares, enaltecia a capacidade de um brasileiro que havia estagiado no Instituto Pasteur em Paris estar sugerindo que a tarefa lhe fosse atribuída. Tratava-se de Osvaldo Cruz(1). Certamente, a maioria dos funcionários do governo conhecia bem a competência do nosso médico sanitarista, mas estavam todos (lembrando ou não do adágio), direta ou indiretamente controlados pela ideia de que “santo de casa não faz milagres”. Entretanto, convém esclarecer que a análise crítica desse adágio, nesses termos, não significa a sugestão de se aceitar uma visão oposta, ou seja, a de abraçar um nacionalismo exagerado, do tipo chauvinista. O importante é tão somente desocultar o que permanece às escondidas, exercitando nossa capacidade de raciocínio. 

Convido o leitor a refletir sobre os outros três adágios: Em casa de ferreiro, o espeto é de pau; Pau que nasce torto morre torto e Errar é humano. O primeiro, grosseiramente, sugere o menosprezo à possibilidade do uso do conhecimento que a pessoa produz em algo que poderia beneficiá-la ou aos seus familiares. Isso, quando se estende a uma coletividade, pode gerar efeitos desastrosos.  O segundo adágio inculca a ideia de que todo e qualquer esforço educativo de renovação e mudança é inútil. Ele vai de encontro à teoria de evolução espiritual de Kardec, além de fortalecer uma noção maniqueísta subjacente, que estabelece a célebre divisão entre bons e maus. O terceiro, bastante citado, é aparentemente proativo, pois pressupõe desculpa das falhas cometidas por alguém ou pela própria pessoa que o utiliza. Todavia, em quaisquer dos casos, esse adágio reflete pessimismo disfarçado, pois enfatiza a falha e não o acerto. Ele é o espelho de um comportamento humano frequente, o de focar o erro e não o acerto. Quando aprendermos a olhar as coisas positivas, os comportamentos altruístas, a bondade, com certeza estaremos entrando em um mundo novo, mais próximo do reino, como anunciou Jesus.

E o adágio que aparece no título deste artigo? Pode-se presumir que ele foi criado por Jesus: Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres (João, 8:32). Ele se diferencia das máximas anteriormente mencionadas? Não obstante trazer em si, como os demais adágios, uma afirmativa, ele impõe questões que favorecem o raciocínio. O que é verdade? Existiria uma verdade absoluta? Quando Pilatos perguntou a Jesus o que é a verdade, por que o Mestre não lhe respondeu, tendo asseverado anteriormente que a verdade liberta?

O termo verdade não é facilmente conceituado, nem facilmente entendido. A verdade não está apenas na imanência que atende o imediatismo da necessidade do conhecimento, mas, principalmente, na transcendência, que requer transformação. Daí o silêncio do Mestre diante de Pilatos. Essa visão parece-nos consoante com o pensamento de Emmanuel, na mensagem “A verdade” (Vinha de Luz, cap. 175, p. 365): “Por enquanto, ninguém se atreverá, em boa lógica, a exibir, na Terra, a verdade pura, ante a visão das forças coletivas”. Pode-se pensar, portanto, que a verdade não se alcança apenas com a razão, mas também e, sobretudo, com o sentimento. Ela é intransferível porque não é primazia apenas do intelecto e porque é apropriada à condição de busca de cada Espírito.

Esse adágio de Jesus retrata uma condição futura: “conhecereis”. Algo a ser alcançado um dia, com esforço pessoal, tendo implicações na mudança de vida do indivíduo e de seu entorno. Trata-se de um que fazer de desvendamento da transcendência, com ajuda da espiritualidade conforme a promessa de Jesus: “Mas quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda verdade” (João 16:13).


 

(1) Oswaldo Cruz, eminente cientista brasileiro, nasceu no dia 5 de agosto de 1872, tendo sido o criador do primeiro instituto para produção de vacinas no Brasil. Diante da urgência de medidas de higienização, conseguiu que a vacinação fosse declarada obrigatória, gerando a ação popular apelidada de “Revolta da Vacina”.  Felizmente para o país, apesar desse período de turbulência, no ano seguinte a população voluntariamente fazia filas para ser vacinada.

 


 


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 Revista Semanal de Divulgação Espírita