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Ano 7 - N° 355 - 23 de Março de 2014

EURÍPEDES KUHL
euripedes.kuhl@terra.com.br
Ribeirão Preto, SP (Brasil)

 
 

Eurípedes Kühl

O homem e a religião

Parte 2 e final

 
 
Em face do poder da Igreja Católica, representantes das suas várias ordens religiosas vieram de Portugal, com a missão “oficial” de dar assistência religiosa aos colonizadores, além de catequizar e “salvar” os índios. Mas, aventureiros europeus, por vezes também em caráter oficial, para aqui vieram, com interesses...

Não é difícil depreender que no Brasil-criança passaram a conviver criaturas de costumes e sentimentos religiosos diferentes. E não só diferentes: conflitantes...  O caldeamento de raças foi inevitável...

Assim, durante e por cerca dos três primeiros séculos da nossa história, conviveram aqui no Brasil:

- colonizadores europeus (não apenas portugueses, mas também franceses, holandeses, espanhóis);

- padres (de várias ordens religiosas);

- indígenas (de várias tribos) e

- escravos africanos (de várias partes do grande continente).

Detentores do poder, os europeus impuseram sua religião (o Catolicismo) e isso explica porque o Brasil ainda hoje é majoritariamente um país católico.

Lendo sobre o Censo 2002 na Internet, no item “Religiões”, deparei-me com a informação de que nos censos do Brasil-colônia, todos os escravos africanos eram tidos como “católicos”.

Os escravos (bantos, sudaneses, nagôs e iorubanos) que mais tempo conviveram com seus senhores, à força assistiam e participavam dos cultos católicos, imposição gerando obediência... Mas tal obediência era por obrigação, não professavam aquela crença por devoção, já que na intimidade da senzala, às ocultas, é que extravasavam sua fé... E ali, o mediunismo, entre eles, era um antigo e singelo exercício espiritual aprendido e praticado desde os tempos na terra-mãe, agora lhes aliviando a cruel realidade — a escravidão. 

O Brasil-candomblé – Por acomodação parcial, a pouco e pouco os rituais, sacramentos, paramentos, imagens, altares etc. do Catolicismo foram agregados ao seu culto, porém sob roupagem própria, adequada, isto é, africana. Essa, a origem do chamado Brasil-candomblé.

Com a abolição da escravatura e com a liberdade constitucional de credo religioso, parte das pessoas que se identificavam com o Candomblé, no início do séc. XX, sem deixar parte dos seus fundamentos, a ele incorporaram novas práticas. Muitas dessas pessoas, tomando conhecimento da obra de Allan Kardec, passaram a frequentar Centros Espíritas, então emergentes no Brasil. Dentre esses, logo porém, houve quem se desligasse, indo fundar uma religião, agora, genuinamente brasileira: a Umbanda. E em 1941, no Rio de Janeiro, realizou-se o Primeiro Congresso Umbandista, visando estruturar uma prática religiosa já de trinta anos. Ali foram delimitados os elementos de cujo sincretismo surgiu a Umbanda nas suas diversas apresentações, sendo o imediatismo (a possibilidade do crente resolver seus problemas em curto prazo) uma delas.

O desligamento que citei talvez tenha decorrido da dificuldade ou desinteresse em seguir as recomendações espíritas de estudo permanente, mudança de comportamento (melhoria moral), ausência de quaisquer rituais, adereços, hierarquia, promessas etc. Mas, principalmente, porque o Espiritismo não se aplica a resolver problemas materiais, senão sim, educar, esclarecer e fortalecer ao Espírito, para que ele se renove e, apoiado na fé em Deus, cujo amparo é permanente, encontre, ele próprio, a buscada solução. 

Práticas estranhas ao Espiritismo – Fiel a Kardec, a Federação Espírita Brasileira, em reunião do Conselho Federativo Nacional de 02/05/1953 (Espiritismo Prático, Pedro F.Barbosa, p. 13 e 14, 4ª Ed., 1995, FEB, RJ/RJ), recomenda aos Centros Espíritas, para a prática espírita e em suas reuniões, a total ausência de:

- paramentos, ou quaisquer vestes especiais;

- vinho, ou qualquer bebida alcoólica;

- incenso, mirra, fumo, ou substâncias outras que produzam fumaça;

- altares, imagens, andores, velas e quaisquer objetos materiais como auxiliares de atração do público;

- hinos ou cantos em línguas mortas ou exóticas, só os admitindo, na língua do país, exclusivamente em reuniões festivas realizadas pela infância e pela juventude e em sessões ditas de efeitos físicos;

- danças, procissões e atos análogos;

- atender a interesses materiais terra-a-terra, rasteiros ou mundanos;

- pagamento por toda e qualquer graça conseguida para o próximo;

- talismãs, amuletos, orações miraculosas, bentinhos, escapulários ou quaisquer objetos e coisas semelhantes;

- administração de sacramentos, concessão de indulgências, distribuição de títulos nobiliárquicos;

- confeccionar horóscopos, exercer a cartomancia, a quiromancia, a astromancia e outras “mancias”;

- rituais e encenações extravagantes de modo a impressionar o público;

- termos exóticos ou excêntricos para a designação de seres e coisas;

- fazer promessas e despachos, riscar cruzes e pontos, praticar, enfim, a longa série de atos materiais oriundos das velhas e primitivas concepções religiosas.

A partir dessas recomendações, que nos reportam a práticas contrárias à Doutrina Espírita, entendemos quanto a Umbanda e o Candomblé – religiões espiritualistas e praticantes do mediunismo – diferem substancialmente do Espiritismo.

E mais: no Candomblé há sacrifício de animais. Na Umbanda, não: ela contempla os banhos de ervas e orações. Por tudo isso bem se vê que, embora espiritualistas, Candomblé e Umbanda não podem ser consideradas espíritas. E isso sem qualquer demérito, pois o Espiritismo – doutrina dos Espíritos – enaltece o livre-arbítrio, respeita e considera a autonomia de todas as religiões, jamais se julgando superior a qualquer delas. 

Metapsíquica e Parapsicologia – Estabelecidas as bases fundamentais que diferenciam o Espiritismo das sempre respeitáveis religiões do Candomblé e da Umbanda (como assinalei), passarei de agora em diante a caracterizar a Doutrina dos Espíritos. Antes, porém, permitam-me os leitores, se faz necessária uma pequena exposição sobre outras duas correntes “quase” religiosas do pensamento humano, as quais, de alguma forma, se aproximam do Espiritismo. Refiro-me à Metapsíquica e à Parapsicologia. Os leitores certamente hão de compreender que o espaço me induz à síntese, motivo pelo qual, em linhas gerais, referentes a ambas, apenas registro que:

a. Metapsíquica

- fundada por Charles Robert Richet (1850-1935), notável cientista francês, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina/1913 (Fisiologia). Visava à pesquisa e análise científica dos fenômenos mecânicos ou psicológicos de todos os tempos, ditos paranormais (mediunidade), devidos a forças que parecem ser inteligentes ou a poderes desconhecidos latentes na inteligência humana;

- assim, metapsíquica não é Espiritismo — é ciência puramente investigativa;

- o termo metapsíquica não foi bem aceito pelos pesquisadores; hoje, quase não é mais usado.

b. Parapsicologia

- impulsionada por Joseph Banks Rhine (1895-1980), teólogo e cientista norte-americano, que a atrelou ao campo das ciências e particularmente à Psicologia;

- dedicou-se Rhine, em particular, ao estudo do transe anímico na telepatia e na clarividência; pesquisou a “ESP” (extra sensory perception = percepção extrassensorial), termo que criou em 1935 e que é mundialmente empregado nos tratados sobre Parapsicologia;

- o termo parapsicologia é mais usado nos países anglo-saxônicos e germânicos;

- talvez seja possível dizer que a Parapsicologia procede como a Metapsíquica, sendo-lhe herdeira em vários aspectos.

c. Considerações gerais sobre a Metapsíquica e a Parapsicologia

- tanto uma quanto a outra, enquanto Ciência, seguiram os mesmos passos de todas as demais ciências, isto é, buscaram pelo método experimental definir leis de acontecimentos que observaram na natureza;

- deixaram de ser exponenciais porque o cientista só aceita um fenômeno como verdadeiro se puder explicá-lo e reproduzi-lo, desde que ofertadas as mesmas condições ambientais em que ele se deu — não conseguiram...

- surgiu-lhes intransponível barreira pelo fato de que a maioria dos fenômenos analisados caracterizam-se como mediúnicos, isto é, têm origem no Plano Espiritual (ação de Espíritos desencarnados), com manifestação no plano material, por meio da intermediação de médiuns (Espíritos encarnados). Ora, ação espiritual é algo que a ciência não consegue manipular numa proveta...

A mim, espírita, o que me causa pena é verificar que tais pesquisadores (poucos, hoje em dia) não se deram ou não se dão conta de que, na verdade, apenas se apropriaram de termos científicos para substituir a nomenclatura tão bem delineada, pioneiramente, por Allan Kardec. E mais: somente encontrarão o que procuram quando, com bom senso, se convencerem da impotência humana para explicar in vitro aquelas ocorrências que se originam in spiritus.  Aí, sem abandonar seus cuidados, irão ao humilde Centro Espírita, onde poderão verificar que ali há outra espécie de laboratório, ofertando novos aprendizados, àqueles que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir. 

O Espiritismo – Passo agora a falar plenamente do Espiritismo, cujos códigos de moral, de ciência e de filosofia foram tão bem estruturados por Allan Kardec, em cinco obras: “O Livro dos Espíritos”/1857, “O Livro dos Médiuns”/1861, “O Evangelho segundo o Espiritismo”/1864, “O Céu e o Inferno”/1865 e “A Gênese”/1868.

Nós, espíritas, certamente devemos gratidão ao fenomenal trabalho kardequiano em estabelecer contato com médiuns de vários países, para deles receber as lições do Plano Espiritual, as quais eram meticulosamente filtradas e selecionadas, gerando a Codificação. Por isso é que se diz que Kardec codificou o Espiritismo. Tais mensagens foram os tijolos, com os quais o “grande edifício” Espiritismo foi erguido, qual farol, para permanentemente clarear caminhos.

Kardec era pedagogo por excelência, comprovando-se que o acaso não existe, eis que tão importante cometimento teria mesmo que aportar no plano material via uma inteligência invulgar, fluindo de inspiração celestial. E apenas com cinco livros! (Atualmente, a Literatura Espírita já editou cerca de dez mil títulos – sendo cerca de 412 via Chico Xavier e 202, por intermédio de Divaldo Pereira Franco, além de vários outros médiuns e escritores.)

Para melhor entendermos o conteúdo moral (revelações e ensinos) da Doutrina dos Espíritos — o Espiritismo —, nada melhor do que alinhavar suas premissas e abrangência. Em primeiro lugar, não como definição, mas apenas conceituando-o, podemos dizer que:

“O Espiritismo é o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas obras de Allan Kardec, constituindo tais obras o que se denomina Codificação Espírita”.

Uma vez conceituado, genericamente, vejamos suas particularidades morais:

Revelação – Revela o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a justificada razão da dor e do sofrimento. E oferta à análise e reflexão, expondo consequências, conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida. 

Ensinamentos – Deus (em primeiríssimo lugar das considerações) é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. É eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.

E mais:

- o Universo: é criação de Deus. Abrange todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais;

- Leis Divinas: todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor. Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais; são inalteráveis, perfeitas, imutáveis no Universo todo;

- os mundos: além do mundo corporal, habitação dos Espíritos encarnados, que são os homens, existe o mundo espiritual, habitação dos Espíritos desencarnados;

- Jesus: é o guia e modelo para toda a Humanidade — a Doutrina que ensinou e exemplificou é a expressão mais pura da Lei de Deus;

- a moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens, e a sua prática a solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade;

- evolução: no Universo há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de evolução: iguais, mais evoluídos e menos evoluídos que os homens;

- os Espíritos: são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo:

a. são criados simples e ignorantes, como já citei (questão 115 de “O Livro dos Espíritos). Evoluem intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade;

b. preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação;

c. reencarnam tantas vezes quantas forem necessárias ao seu próprio aprimoramento;

d. evoluem sempre: em suas múltiplas existências corpóreas (reencarnações) podem estacionar, mas nunca regridem; a rapidez do seu progresso intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à perfeição;

e. os bons Espíritos nos atraem para o bem, sustentam-nos nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação; os imperfeitos nos induzem ao erro;

- o perispírito: é o corpo semimaterial que reveste o Espírito e une-o ao corpo material;

- o homem: é um Espírito (revestido de perispírito) encarnado em um corpo material:

a. tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas consequências de suas ações;

b. a vida lhe reserva penas e gozos compatíveis com o procedimento de respeito ou não à Lei de Deus (Lei de Justiça, nesse caso caracterizando causa e efeito, ação e reação);

- a prece: é um ato de adoração a Deus. Torna melhor o homem. Está na lei natural e é o resultado de um sentimento inato no homem, assim como é inata a ideia da existência do Criador. Ao pedido feito com sinceridade Deus envia sempre a assistência dos bons Espíritos;

- mediunidade: o intercâmbio dos Espíritos com os homens sempre existiu.

Apenas por essas revelações e ensinamentos já se deduz que o Espiritismo abre uma nova era para a regeneração, primeiro, de uma minoria, mas, a seguir, da Humanidade inteira.

Há muito mais. O estudo das obras de Allan Kardec é fundamental para o correto conhecimento e a prática da Doutrina Espírita, dentro do princípio cristão de que Deus deve ser adorado em espírito e verdade. 

Conclusão – O Espiritismo não impõe os seus princípios e respeita, incondicionalmente, todas as religiões e seus adeptos.

Convida os interessados em conhecê-lo a submeterem os seus ensinos ao crivo da razão, antes de aceitá-los. Aí, entendendo o porquê de tudo que o cerca, em todas as suas atividades, o indivíduo se capacita a administrar com bom senso, compreensão e resignação as naturais dificuldades que se lhe apresentam – as provações ou expiações que o visitam na presente existência terrena. 

 


 
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