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Crônicas e Artigos

Ano 7 - N° 333 - 13 de Outubro de 2013

JOSÉ ESTÊNIO GOMES NEGREIROS
estenionegreiros@hotmail.com
Fortaleza, CE (Brasil)

 
 



Manifestações do além: um aboio e um caminhão


Qual de nós, em alguma fase das nossas vidas, não deparou com fatos estranhos, daqueles em que o sobrenatural seja a única explicação para sua ocorrência? Se não fomos testemunha ocular, pelo menos ouvimos relato de alguém muito próximo a nós de fatos de tal natureza.

Quem como eu, nascido, criado e crescido numa fazenda do Interior cearense, localizada entre serras e matas, conhece o medo que traz aos meninos as escuras noites e os ventos fortes durante os longos verões dos sertões nordestinos, quebrando em estalos formidáveis as galharias da vegetação seca. Um medo que era instigado ainda mais pelas medonhas estórias de assombrações, contadas pelos mais velhos, que se divertiam em ver o temor estampado nos olhos arregalados da meninada embevecida e extasiada, espectadora da dramatização dos contadores de ficções.

Contos de lobisomens, de visagens, de espectros que, de tão altos que eram, diziam, passavam das copas das árvores mais altas. Tais fábulas me causavam tanto terror ao ponto de provocar-me insônia que se agravava mais ainda com o latido infindável dos cachorros, como a perseguir os fantasmas que se tornavam reais na minha fértil imaginação eivada de crendices como ainda hoje é o da gente sertaneja. Pois lá, crê-se ainda que fogo-fátuo é uma visagem, coisa do outro mundo, quando se trata tão-somente, para quem não sabe, de uma exalação luminosa provocada pela inflamação espontânea de gases em sepulturas, em pântanos, ou simplesmente em locais onde tenha morrido algum animal. Quantos homens sertanejos metidos a corajosos não têm corrido com medo de fogos-fátuos! E de lobisomens, então... Naquelas paragens ninguém sequer ouviu falar em licantropia...

Mas fora do que era imaginado por minha fantasia de criança, na fazenda onde morávamos ocorreram, durante vários anos, dois fenômenos intrigantes, até hoje inexplicáveis para quem os presenciou. Apareceram durante muito tempo e depois sumiram para nunca mais ocorrerem. O primeiro deles era um aboio (canto monótono com que os vaqueiros tangem as boiadas). Era comum ouvi-lo tarde da noite, naqueles momentos que, de tão silenciosos, sentimos doer os ouvidos. Era um aboiar longo e triste que reboava nas quebradas da serra de onde parecia proceder. E era percebido por muita gente. Eu nunca o ouvi. Diziam os mais antigos que se tratava do aboio de um vaqueiro que havia morrido estrepado na vergôntea de um pau, muitos anos atrás, quando campeava um boi bravo naquelas brenhas. Meu avô paterno confirmava a estória. Dava inclusive o nome do vaqueiro, que minha memória infelizmente esqueceu.

O segundo caso por mim presenciado, aos dez anos de idade, ocorreu no ano de 1956, quando então meu pai era criador de gado e agricultor, na Fazenda Pereiros, situada na região onde se localizam os Municípios de Hidrolândia e Santa Quitéria, aqui no Estado do Ceará.

Toda a produção do algodão ali colhida era transportada para usinas de beneficiamento de algumas cidades circunvizinhas. Numa noite, quando era carregado por um grupo de capatazes um dos caminhões que faziam regularmente o transporte das cargas de plumas, esperava-se a chegada de um dos empregados para auxiliar no carregamento e que residia a uns dois quilômetros de distância da casa-sede da fazenda, num barracão que ficava logo abaixo da parede de um açude, denominado Pindaré, pertencente à fazenda onde residíamos. Lá pelas vinte horas, todos que estávamos na casa, ouvimos o zunido característico de um automotor, oriundo das bandas de onde deveria vir o funcionário aguardado. Ao olharmos naquela direção, observamos, nitidamente, as luzes de um veículo em movimento. Veículos automotores trafegando pelos nossos sertões, principalmente à noite, era uma rara novidade. Na ocasião todos conjeturaram que o capataz esperado certamente viria na carona daquele caminhão. O barulho e as luzes daquele suposto veículo vieram se aproximando cada vez mais até chegar a uma distância de mais ou menos uns cento e cinquenta metros da nossa casa, no pé de uma pequena subida ou alto (como costumamos chamar no sertão). E de repente, tudo parou. Apagaram-se as luzes do veículo fantasma e o ronco do motor cessou. A curiosidade apossou-se dos presentes. Então, meu pai mandou que alguns homens se dirigissem àquele local para verificar o que poderia ter ocorrido com o suposto caminhão. Na minha curiosidade infantil, também fui junto. Quando lá chegamos, ficamos embasbacados! Não havia nada! Somente o profundo silêncio de uma cálida noite sertaneja. Nada de caminhão, nem do seu barulho, nem de suas luzes. Voltamos apressados com a notícia. Os que ficaram na casa duvidaram de nós. Logo em seguida, chega o aguardado capataz. Interpelado sobre o caminhão que todos tínhamos visto e ouvido, ele admirou-se, pois por ele não havia passado nada nem ninguém no trajeto que fizera desde o açude até ali; tampouco havia ele visto luzes ou ouvido zoada de algum veículo.

Aquele fenômeno, todavia, não era novo. Pessoas mais velhas, que naquela noite ali se achavam, inclusive meu pai, já o haviam testemunhado várias vezes. Segundo elas, aquela aparição começou a manifestar-se a partir do ano de 1946, logo após o término da construção da barragem a que acima aludimos. Nos serviços de carregamento de terra para levantamento da parede, além de centenas de jumentos, também havia sido empregado os de um caminhão. Seu proprietário e motorista era um cidadão de nome Francisco Inácio (Chico Inácio), que veio a desencarnar logo em seguida à conclusão daquelas obras. Meses depois do seu falecimento, aquela aparição começou a ocorrer e persistiu durante muitos anos, assombrando quantos a presenciavam. Nos dias de hoje já não se ouve dela falar.

Fenômenos de aparições ou de manifestações do mundo invisível pululam na História humana e se perdem na poeira dos tempos povoando de misticismo a mente de muitos. Qualificados como sobrenaturais, perderam esse conceito, desmistificados pela codificação espírita elaborada por Allan Kardec provando a existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível.

A propósito, recordemos, a seguir, o próprio Kardec, num dos trechos da Introdução, da Revista Espírita, de janeiro de 1858: “Se bem que os fenômenos, dos quais iremos nos ocupar, se tenham produzido, nestes últimos tempos, de modo mais geral, tudo prova que ocorreram desde os tempos mais recuados. Não se trata de fenômenos naturais nas invenções que seguem o progresso do espírito humano; desde que estão na ordem das coisas, sua causa é tão velha quanto o Mundo e os efeitos devem ter-se produzido em todas as épocas. O que, pois, testemunhamos hoje não é uma descoberta moderna: é o despertar da Antiguidade, mas, da antiguidade liberta da companhia mística que engendrou as superstições, da antiguidade esclarecida pela civilização e o progresso nas coisas positivas”.

Continuemos, ainda com Allan Kardec: “A existência dos Espíritos, e a sua intervenção no mundo corporal, está atestada e demonstrada, não mais como um fato excepcional, mas como princípio geral, em Santo Agostinho, São Jerônimo, São Crisóstomo, São Gregório de Nazianzeno e muitos outros Pais da Igreja. Essa crença forma, por outro lado, a base de todos os sistemas religiosos. Os mais sábios filósofos da Antiguidade a admitiram: Platão, Zoroastro, Confúcio, Apuleio, Pitágoras, Apolônio de Tiana e tantos outros. Nós a encontramos nos mistérios e nos oráculos, entre os Gregos, os Egípcios, os Hindus, os Caldeus, os Romanos, os Persas, os Chineses. Vemo-la sobreviver a todas as vicissitudes dos povos, a todas as perseguições, desafiar todas as revoluções físicas e morais da Humanidade. Mais tarde, encontramo-la nos adivinhos e feiticeiros da Idade Média, nos Willis e nas Walkirias dos Escandinavos, nos Elfos dos Teutões, nos Leschios e nos Domeschnios Doughi dos Eslavos, nos Ourisks e nos Brownies da Escócia, nos Poulpicans e nos Tensarpoulicts dos Bretões, nos Cemis dos Caraíbas, em uma palavra, em toda a falange de ninfas, de gênios bons e maus, de silfos, de gnomos, de fadas, de duendes, com os quais todas as nações povoaram o espaço. Encontramos a prática das evocações entre os povos da Sibéria, no Kamtchatka, na Islândia, entre os índios da América do Norte, entre os aborígines do México e do Peru, na Polinésia e mesmo entre os estúpidos selvagens da Oceania”.

 Os fenômenos que acima relatamos podem até estarem enquadrados entre os chamados lendas e crenças populares, todavia, foram sucessos ocorridos e não apenas saídos da imaginação do autor deste artigo. Pena que naquela época ninguém do nosso meio tivesse nenhum conhecimento da Doutrina Espírita.

Fonte consultada: Revista Espírita, de janeiro de 1858.



 


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