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Estudando a série André Luiz
Ano 7 - N° 333 - 13 de Outubro de 2013
MARCELO BORELA DE OLIVEIRA
mbo_imortal@yahoo.com.br
Londrina, Paraná (Brasil)
 


E a Vida Continua...

André Luiz

(Parte 18)

Continuamos nesta edição o estudo da obra E a Vida Continua, de André Luiz, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier e publicada em 1968 pela Federação Espírita Brasileira.

Questões preliminares 

A. Ao sair da casa que fora de Evelina, Ernesto Fantini teve a primeira decepção. Que fato ocorreu ali?

Fantini consolava Evelina, que sofria muito por haver encontrado o ex-esposo junto de sua antiga amante. De repente, deu-se o que ele jamais imaginaria. Caio saía da garagem de sua casa, conduzindo a namorada. Quando Ernesto viu de perto a parceira do rapaz, fez-se lívido e, profundamente chocado, gaguejou, arrasado de angústia: "Evelina, Evelina, escute!... Esta moça... esta moça é Vera Celina, minha filha!..." (E a Vida Continua, cap. 18, pp. 145 a 147.) 

B. Por que, segundo Caio, ele se desinteressou por Evelina, com quem se casara por amor?

Conversando com a namorada, Caio admitiu ter-se casado com Evelina por amor, amor esse que se transformou com os anos em desinteresse. Vera quis saber o motivo pelo qual ele se desencantara com a esposa, e Caio explicou que guardava a ambição de ser pai, mas Evelina era doente. "Creio – disse ele – que carregava taras de família. Enquanto não abortou, não lhe vi os defeitos... Entretanto, depois que se revelou enferma e incapaz, o laço do casamento se fez para mim pesado demais... Nos últimos tempos da vida, era mulher rezadeira e chorona..." Próxima deles, Evelina assistiu, com grande tristeza, a esse diálogo. (Obra citada, cap. 19, pp. 148 e 149.)

C. É verdade que, de volta à sua antiga casa, Ernesto Fantini sofreu outra decepção, muito mais terrível que a primeira?

Sim. Ao entrar no quarto onde Elisa (sua ex-esposa) descansava, Fantini viu junto dela um homem desencarnado. Era Dedé, aquele mesmo em quem Fantini atirara, tantos anos antes, ao desvairar-se pelo ciúme. Ele estacou, aterrado, e, num átimo, recordou a última caçada em que morreu Dedé, ou melhor, Desidério dos Santos, cuja sombra supunha haver removido para sempre de sua casa. (Obra citada, cap. 19, pp. 152 e 153.) 

Texto para leitura 

69. Ernesto tem um choque ao ver a filha - Ernesto esforçou-se por asserená-la, expondo, conselheiral: "Justo que assim seja, Evelina. Caio é jovem. Você e ele não formavam um casal de velhos, qual me acontece com Elisa. Admito que ele terá um lugar no coração, particularmente reservado para você, mas decerto experimenta as necessidades do homem comum..." Evelina lembrou, no entanto, que a moça que estava com ele era a mesma Vera que lhe escrevia bilhetes antes do seu passamento, o que mostra que ele era infiel antes da separação e prosseguia infiel até agora. Ernesto afagou-lhe a cabeça num gesto paternal, dizendo: "Tenho pensado... pen­sado... Não acredita você que a morte nos entregou a nós mesmos e que Deus nos concedeu benfeitores abnegados que nos ampararam e esclareceram para que enfrentássemos as verdades que hoje estamos vivendo? que teremos feito da existência no mundo? um curso de egoísmo ou um aprendizado de abnegação?" Ernesto dizia isso em pranto, mas prosseguiu: "Teria você um esposo para amar ou para converter num objeto de enfeite? falamos tanto em devotamento, quando jungidos ao corpo terrestre!... Não será depois da morte o tempo mais propício à demonstração de nossas juras? não haverá chegado o instante em que Serpa mais necessita de consideração e ca­rinho?" Essas palavras, pelo tom em que foram ditas, ajudaram muito Eve­lina, que se viu inclinada à piedade e passou a julgar o marido sob novo prisma. Caio era jovem e continuava vinculado ao envoltório físico. De que modo reclamar-lhe um roteiro de austeridade afetiva para o qual se achava ainda tão longe? Estivera reclusa no Mundo Espiritual por dois anos, sem revê-lo sequer. Como criticar-lhe a conduta? E por que hostili­zar a menina que o seguia? Afinal, não lhe vira as lágrimas de sofri­mento, em registando os sarcasmos do esposo volúvel? Ernesto quebrou o silêncio que se fizera, justificando, sensato: "Evocando as lições de Ri­bas, concluo de mim para comigo que os nossos instrutores impeliram você à excursão corrente, para que você aprenda a perdoar e... quem sabe? Tal­vez que essa moça seja a pessoa a quem você deva implorar a graça de ser a nova mãe para Túlio". "Não admite você que Caio deve restituir-lhe a ex­periência terrena com a devoção e a ternura de um pai? e que melhor oca­sião encontrará você, além da de agora, para exercitar os ensinamentos de Jesus, amando aquela que considera inimiga e transformando-a em instru­mento de auxílio, a benefício do homem endividado que você ama?" Evelina compreendeu o alcance de semelhantes ponderações e caiu nos bra­ços do amigo, em copioso pranto. Pouco depois um carro despontou da gara­gem, conduzindo Caio e a namorada. Ernesto, vendo de perto a parceira do rapaz, fez-se lívido e, profundamente chocado, ga­guejou, arrasado de an­gústia: "Evelina, Evelina, escute!... Esta moça... esta moça é Vera Ce­lina, minha filha!..." (Cap. 18, pp. 145 a 147) 

70. Novas decepções sofre Evelina - Os dois amigos desencarnados não podiam definir a estupefação que os empolgara. Ainda assim, resolveram seguir o jovem casal, acomodando-se na poltrona traseira do carro. Lágri­mas grossas molhavam a face de Ernesto e era agora Evelina quem procurava consolá-lo. "Acalme-se – sussurrou a jovem –, somos agora mais irmãos." Não demorou muito e os namorados assinalaram mentalmente a influência dos acompanhantes invisíveis. Lembrando-se, de inopino, de Evelina, Vera arriscou um palpite: "Caio, às vezes cismo indagando de mim mesma se você não é um apaixonado pela memória de sua esposa...". "Eu?, era o que fal­tava...", respondeu o rapaz. "Você sabe que Evelina estava morta para mim, muito antes que o médico lhe atestasse o óbito." Prosseguindo, Caio admitiu ter casado por amor, amor esse que se transformou com os anos em desinteresse. Vera quis saber o motivo pelo qual ele se desencantara com a esposa, e Caio explicou que guardava a ambição de ser pai, mas Evelina era doente. "Creio – disse ele – que carregava taras de família. En­quanto não abortou, não lhe vi os defeitos... Entretanto, depois que se revelou enferma e incapaz, o laço do casamento se fez para mim pesado de­mais... Nos últimos tempos da vida, era mulher rezadeira e chorona..." E, após uma risada franca, acrescentou: "O remédio era inventar viagens para estar com você..." (Cap. 19, pp. 148 e 149) 

71. Ernesto também se decepciona - Evelina, que a tudo ouvia, apoiava-se fortemente em Ernesto, buscando escora para suportar com de­nodo semelhantes revelações, enquanto Vera, desviando o rumo da conversa­ção, perguntou: "Caio, não poderemos, por nossa vez, sonhar com uma casa enriquecida de filhos?" "Depende...", respondeu Serpa. "Negócio de criar filhos não é brincadeira. A saúde de sua mãe não me encoraja, aquelas ma­nias, aquelas crises..." Como se fora sacudido pelos pensamentos do sogro desencarnado a se lhe projetarem na mente, Serpa contrapôs: "Que me diz de seu pai?" A jovem lembrou-se imediatamente de que o pai morrera em condições idênticas às de Evelina, mas, temendo falar nisso, respondeu: "Meu pai era homem robusto, de saúde impecável, sempre moço, passava, para muita gente, como sendo meu irmão..." Ato contínuo, após mentir so­bre a causa da morte de Ernesto, Vera informou que o pai era um homem muito inteligente e, às vezes, folgazão, embora tomasse a vida muito a sério... "Meu pai decerto que me estimava – prosseguiu Vera Celina –, mas era corretor de muitas atividades, ocupadíssimo, quase sem tempo para a casa... A não ser a criatura providencial, do ponto de vista econômico, que se esmerava para que o dinheiro não nos faltasse, como pai não me lembro de algum dia em que se sentasse ao meu lado para ouvir-me ou acon­selhar-me em assuntos do coração... E nos meus casos de menina, bem que necessitei, mas..." Ernesto escutava, humilhado, abatido, a confessar para si próprio que daria quanto lhe fosse possível a fim de voltar atrás, de modo a ser para a filha o pai afetuoso e vigilante que não bus­cara ser. Dizendo não haver contado também com o carinho materno, Vera prosseguiu: "Desde cedo, percebi que minha mãe é irritadiça, desanimada. Gosta de estar só e, conquanto não me negue atenção, até hoje manda que eu me decida, em tudo, por mim mesma". Por fim, Vera falou sobre as re­lações de seus pais, que não foram boas. "Minha mãe, aos meus olhos – informou ela –, sempre pareceu tolerar meu pai sem amá-lo, embora se es­forçasse diante dele, para mostrar o contrário." (Cap. 19, pp. 150 e 151) 

72. Uma surpresa terrível aguardava Fantini - Assim que seu pai mor­reu – contou Vera –, sua mãe foi tomada de terrível transformação, como se o odiasse às ocultas. "Queimou-lhe os objetos de estima, quebrou-lhe o relógio de bolso, rasgou-lhe os retratos... Imagine!... Nem orações quis por ele... E foi piorando, piorando... Agora, é como sabemos, recusa tra­tamento, isola-se, fala sozinha, ri, chora, lamenta-se e ameaça o silên­cio e a sombra, julgando ver e ouvir os mortos..." Ernesto, embora recon­fortado por Evelina, dava curso às lágrimas. Nem de leve supunha fosse detestado no lar. Teria a filha razão? por que se teriam alterado as fa­culdades mentais de Elisa? que teria acontecido naquele longo pedaço de ausência? Pouco depois, o carro fez parada no ponto terminal: a casa sin­gela, docemente iluminada dentro da noite, que Elisa mantinha no Guarujá, litoral paulista. Cauteloso, Fantini pediu que Evelina, instalada em sí­tio vizinho, o aguardasse, tal como ele fizera com ela, momentos antes. Emocionado, o amigo penetrou o reduto que lhe falava tão alto à memória. Tudo na casa estava, aparentemente, como ele deixara. O relógio marcava alguns minutos além das 9 da noite, quando Ernesto se postou à frente do quarto onde tantas vezes repousara ao lado da esposa. Que encontraria por trás da porta fechada? Elisa doente? Desanimada? Após rememorar as lições recolhidas na cidade espiritual, ele orou, pedindo forças à Divina Provi­dência, porque queria rever a esposa com distinção e dignidade, e, com essa disposição, transpôs o limiar, penetrando a câmara que conhecia em todos os escaninhos. Ernesto não poderia, porém, imaginar o quadro que se lhe abriu, de imediato, à visão: Elisa descansava, mostrando o corpo ma­gro, o rosto mais profusamente vincado de rugas e os cabelos mais grisa­lhos, mas, junto dela, estirava-se um homem desencarnado... Era Dedé, aquele mesmo em que Fantini atirara, tantos anos antes, ao desvairar-se pelo ciúme. O esposo de Elisa estacou, aterrado, e, num átimo, recordou a última caçada em que morreu Dedé, ou melhor, Desidério dos Santos, cuja sombra supunha haver removido para sempre da própria casa. (Cap. 19, pp. 152 e 153) (Continua na próxima semana.)



 


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 Revista Semanal de Divulgação Espírita