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Clássicos do Espiritismo
Ano 7 - N° 311 - 12 de Maio de 2013
ANGÉLICA REIS
a_reis_imortal@yahoo.com.br
Londrina, Paraná (Brasil)
 


A Personalidade Humana

Fredrich Myers

(Parte 36)

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial do livro A Personalidade Humana, de Fredrich W. H. Myers, cujo título no original inglês é Human Personality and Its Survival of Bodily Death. 

Questões preliminares 

A. Quais são os fenômenos considerados por Myers como os mais importantes que o homem tenha tido oportunidade de ver?

São as manifestações e as escritas obtidas durante o estado de “possessão”, cuja primeira característica, comum a todas as manifestações automáticas, consiste na independência: é o que os médicos chamam de fenômeno idiognomônico, isto é, que não são sintomas de outra afecção nem constituem a expressão acidental de uma modificação mais profunda. (A Personalidade Humana, capítulo VIII – O automatismo motor.)

B. Qual é a outra característica comum aos fenômenos citados por Myers?

Eles constituem movimentos automáticos portadores ou transmissores de mensagens e advertências, o que não quer dizer que as mensagens das quais são portadores procedam todas de fontes externas ao Espírito do sujeito. Isso ocorre, provavelmente, em certos casos, mas o mais frequente é que as mensagens tenham sua origem na própria personalidade do autômato e, neste último caso, são mensagens que uma camada qualquer da personalidade transmite a outra camada da mesma personalidade e que, gerados na região profunda do ser humano, afloram à superfície sob a forma de atos, visões, sonhos, palavras, sem que exista a menor percepção do processo que precedeu sua elaboração. (Obra citada. Capítulo VIII – O automatismo motor.)

C. Que comentários Myers faz a propósito das “mesas girantes”?

Segundo Myers, quando uma ou várias pessoas pertencentes a esta categoria especial designada pelo termo “médium” estão com as mãos em contato com um objeto facilmente movimentável e desejam que este se movimente, frequentemente seu desejo é realizado. Quando desejam, também, que o objeto indique com seus movimentos as letras do alfabeto, indo, por exemplo, na direção do a, etc., isto se produz com frequência e se obtêm respostas inesperadas. Até aqui, nos encontramos na presença de fatos de fácil reprodução e que todos podem verificar. Mas, além desses movimentos simples de mesas giratórias e das respostas inteligíveis das mesas falantes, movimentos e respostas que se podem explicar, a rigor, pela pressão inconsciente que exercem as mãos das pessoas sentadas ao redor, certas pessoas entendem que outros fenômenos físicos são produzidos, que as mesas se movem particularmente numa direção e com uma força que não basta para explicar qualquer pressão inconsciente, e frequentemente dão respostas que nenhuma ação inconsciente e nenhuma das forças que conhecemos parecem capaz de provocar. Os espíritas atribuem os movimentos e as respostas desta última categoria à ação de intelectos desencarnados. (Obra citada. Capítulo VIII – O automatismo motor.)

Texto para leitura

874. As analogias, tanto fisiológicas como psíquicas, nos impedem de concluir quanto ao caráter degenerativo de determinada psicose, enquanto um exame atento de seus resultados não tenha demonstrado que essa psicose não constitui, na realidade, uma ampliação das capacidades humanas, um novo limiar para captar a verdade objetiva, dito de outro modo, um fenômeno evolutivo.

875. No que concerne, particularmente, aos movimentos, não pretendemos que os que não dependem da vontade consciente sejam menos importantes e significativos do que os que dela dependem. Pelo contrário, comprovamos que em nossa região orgânica os movimentos independentes da vontade consciente são os mais importantes, ainda que os movimentos voluntários, com auxílio dos quais o homem busca alimentar-se ou defender-se de seus inimigos, sejam também de grande valor prático: é necessário, com efeito, que o homem viva e se multiplique, antes de estudar e aprender. Mas não podemos confundir o que é importante do ponto de vista da vida prática imediata, com o que o é do ponto de vista da ciência, da qual a própria vida prática, em última análise, depende.

876. Desde o momento em que o problema da existência material e da multiplicação deixa de exercer domínio sobre os demais problemas, começamos a modificar nossa estimativa, no que diz respeito aos valores, e a considerar que não são os fenômenos mais imponentes e, na aparência, mais evidentes, senão os menos perceptíveis e os menores, os que são suscetíveis de nos revelar novas fontes de conhecimentos. E gostaria de persuadir nossos leitores de que isto ocorre também na psicologia e na física.

877. Devo dizer que alguns dos movimentos automáticos de que nos ocuparemos, certas manifestações e escritas obtidas durante o estado de “possessão” pertencem, a meu ver, aos fenômenos mais importantes que o homem tenha tido oportunidade de ver. Passemo-los em revista, sucessivamente, mostrando os laços que os unem aos demais, e a deduzir, paralelamente à sua significação, o grau de certeza que podemos considerar como adquirido no que concerne aos fenômenos em questão.

878. Uma primeira característica comum a todas as manifestações automáticas, não obstante as diferenças que as separam em outros aspectos, consiste na independência: é o que os médicos chamam de fenômeno idiognomônico, isto é, que não são sintomas de outra afecção nem constituem a expressão acidental de uma modificação mais profunda. O simples fato, por exemplo, de que um homem escreva uma mensagem da qual não é o autor consciente nada prova, em si mesmo, quanto ao estado do que escreve; este último pode estar perfeitamente sadio e não apresentar, afora o fenômeno da escrita inconsciente, qualquer outro fenômeno anormal passível de observação.

879. Esta característica, que confirma a observação e a experiência, diferencia o automatismo de todos os demais fenômenos, aparentemente análogos. Podemos, dessa forma, classificar nessa categoria as emissões automáticas de palavras e de frases; enquanto que a contínua vociferação da mania aguda, que é um fenômeno meramente sintomático, se acha fora desta categoria, da mesma forma que o grito hidrocefálico, que também, longe de ser um fenômeno independente, é determinado por uma lesão definida.

880. Compreenderemos também, nessa categoria, certos movimentos simples das mãos, coordenados, tendo em vista o ato da escrita, mas permanecerão excluídos, por definição, os movimentos coreicos (2), sintomáticos de certo estado mórbido do sistema nervoso, ou os movimentos que podemos chamar idiopáticos (1), visto constituírem uma enfermidade independente. Mas os movimentos automáticos de que nos ocupamos não são idiopáticos mas idiognomônicos; podem estar associados a certos estados do organismo ou por eles favorecidos, mas não são o sintoma de outra doença, nem constituem, por si sós, uma doença.

881. Outra característica comum a todos esses fenômenos é que constituem movimentos automáticos portadores ou transmissores de mensagens e advertências; o que não quer dizer que as mensagens das quais são portadores procedam todas de fontes externas ao espírito do sujeito; isso ocorre, provavelmente, em certos casos, mas o mais frequente é que as mensagens tenham sua origem na própria personalidade do autômato e, neste último caso, são mensagens que uma camada qualquer da personalidade transmite a outra camada da mesma personalidade e que, gerados na região profunda do ser humano, afloram à superfície sob a forma de atos, visões, sonhos, palavras, sem que exista a menor percepção do processo que precedeu sua elaboração.

882. Consideremos, por exemplo, uma dessas experiências de leitura de movimentos musculares, indevidamente chamada leitura de pensamentos, sem dúvida mais familiares aos nossos leitores, e suponhamos que eu esconda um alfinete que um leitor treinado em movimentos musculares deve descobrir segurando minha mão e concentrando-se em meus movimentos musculares. Inicialmente, escondi o alfinete na almofada; mudando de ideia, coloquei-o numa estante da biblioteca. Fixo meu espírito neste último lugar, após resolver ficar estático. O outro segura minha mão, leva-me antes à almofada, depois à estante da biblioteca e encontra o alfinete. O que acontece nesse caso? Quais os movimentos que fiz?

883. Não fiz nenhum movimento voluntário ou involuntário consciente, antes um movimento inconsciente involuntário que se encontra sob a estrita dependência de uma idealização consciente. Pensei fixamente numa estante da biblioteca e ao caminhar pelo quarto chegamos a esse lugar, fiz um movimento, ou melhor, produziu-se uma contração muscular do braço, movimento inconsciente, mas suficiente para proporcionar à delicada sensibilidade de meu guia, as indicações que necessitava.

884. Tudo isso está devidamente reconhecido e explicado até um certo ponto; definimos o fenômeno dizendo que minha idealização consciente comportava um elemento motor; este, todavia, liberto de uma manifestação consciente, encontrava-se, sem dúvida, exteriorizado sob a forma de uma contração periférica. Houve, no entanto, algo mais. Antes que meu guia parasse diante da biblioteca, deteve-se diante da almofada. Eu não possuía qualquer ideia consciente desta última; mas a ideia de alfinete na almofada deve ter-se refugiado em meu subconsciente; e essa recordação inconsciente se revelou através de uma contração periférica tão diversa como a que correspondia à ideia consciente de alfinete colocado sobre a estante da biblioteca.

885. A contração era, pois, em certo sentido, um movimento automático transmissor de uma mensagem; a exteriorização de uma ideia que, consciente noutra oportunidade, se tornava inconsciente num grau muito ligeiro, já que bastaria um esforço mínimo para trazê-la ao campo de consciência.

886. Existem, contudo, casos em que a demarcação entre zonas da personalidade é muito marcante, até o ponto em que a comunicação entre uma e outra é totalmente impossível. Assim, na sugestão hipnótica, quando se ordena, por exemplo, ao sujeito que escreva, ao despertar, as palavras que lhe foram sugeridas durante o sono hipnótico, assistimos a movimentos automáticos, dos quais o sujeito, uma vez acordado, não tem a menor consciência.

887. Há mais. Adiante temos numerosos exemplos de transformações de comoções psíquicas em energia muscular de um gênero raro na aparência. Essas transformações, por assim dizer, de força psíquica em força física se operam em nós de uma maneira contínua. Mas sua natureza permanece, em geral, obscurecida pelo problema concernente à verdadeira eficácia da vontade e será interessante citar um ou dois exemplos dessas transformações em que se trata de um processo automático e onde nos encontramos na presença do equivalente motor de uma emoção ou de uma sensação que não parece encerrar qualquer elemento motor.

888. Um meio simples, embora grosseiro, de comprovar as transformações desse gênero nos é proporcionada pelo dinamômetro. É necessário, primeiro, determinar o grau de pressão que o sujeito é capaz de exercer sobre o dinamômetro, apertando-o com todas as forças de que dispõe no estado normal. Ao fim de algum exercício, o máximo de força de pressão se torna mais ou menos constante, sendo possível submetê-lo a diferentes influências e medir o grau de reação, isto é, o grau de compressão em maior ou menor escala, de acordo com a influência que sofre.

889. Acompanho uma criança ao circo; senta-se ela junto a mim, segurando-me a mão; tiros ecoam e sua pressão torna-se mais forte; suponhamos que ao invés de me segurar a mão, tenta apertar com todas as forças um dinamômetro e que a excitação brusca, capacita-a a comprimir com mais força do que a empregada antes daquela excitação: devemos considerar essa exceção de contração muscular como automática ou voluntária?

890. Fere e outros demonstraram que as excitações de qualquer gênero, bruscas ou prolongadas, agradáveis ou desagradáveis, tendem a aumentar a força dinamométrica do sujeito. Em primeiro lugar, e o fato assume grande importância, a força média com a qual se exerce a pressão é mais elevada no homem intelectual que no operário, o qual demonstra não se tratar tanto de musculatura bem desenvolvida, como de um cérebro mais ou menos ativo, que torna possível a concentração brusca da força muscular.

891. Feré comprovou, consigo próprio, e com alguns amigos, que só o fato de ouvir uma conferência interessante, ou de empregar a livre-associação de pensamentos num lugar isolado, que o simples fato de falar ou escrever, produzem um indiscutível aumento de pressão, especialmente da mão direita.

892. Da mesma forma, obtêm-se idênticos efeitos de dinamogenia entre os sujeitos hipnotizados, com auxílio de notas musicais, de luzes de cor, a luz vermelha em particular, e inclusive pela mera sugestão alucinatória da luz vermelha. “Todas as nossas sensações – conclui Feré – são acompanhadas de um desenvolvimento de energia potencial que passa ao estado quinético e se exterioriza em manifestações motrizes, que um aparelho tão grosseiro como o dinamômetro é capaz de observar e registrar.”

893. Quais são os caminhos seguidos pelas mensagens para passar de uma camada a outra da personalidade? Para responder a essa pergunta teríamos que considerar, primeiramente, algo mais do que as mensagens expressadas através da palavra ou da escrita, isto é, por meios bastante complicados, os que envolvem uma forma mais rudimentar. Mas o gesto constitui o meio de comunicação mais elementar, comum aos animais e aos homens; e o som, por si só, constitui uma forma especializada do gesto.

894. Os animais superiores diferenciam seus gritos; o homem desenvolve a palavra; e os impulsos que ocasionam a transmissão de mensagens se resolvem todos em movimentos: movimentos da garganta, movimentos da mão. Os gestos manuais se desenvolvem até poder produzir o grosseiro traçado dos objetos e esse impulso gráfico, ao se aperfeiçoar, espraia-se em duas direções: de um lado, converte-se em arte plástica e pictórica que transmite as mensagens com o auxílio de um simbolismo direto, oposto ao simbolismo arbitrário, e por outro lado, adapta-se às leis da palavra e torna-se ideográfico, para terminar, pouco a pouco, no simbolismo arbitrário que se expressa na escrita alfabética, na aritmética, na álgebra e na telegrafia.

895. Existem entre os meios de comunicação de que dispõe o eu subliminar comportamentos análogos aos que acabamos de enumerar? É possível; e como o eu subliminar inicia seu esforço, como o telegrafista, com total conhecimento do alfabeto, é certo, mas dispondo unicamente de uma forma de ação débil e grosseira, sobre o mecanismo muscular, parece provável, a priori, que o meio de comunicação mais fácil consistia numa repetição de movimentos simples, dispostos de forma a que correspondam às letras do alfabeto.

896. Todos ouviram falar, ainda que de forma ridícula, do misterioso fenômeno das “mesas giratórias”, dos “espíritos que batem” etc. Vejamos se as considerações anteriores podem proporcionar uma explicação suficiente, baseada sobre fatos mais ou menos sólidos. Quando uma ou várias pessoas pertencentes a esta categoria especial que se designa através do termo pouco explícito e bárbaro de “médium” estão com as mãos em contato com um objeto facilmente movimentável e desejam que este se movimente, frequentemente seu desejo é realizado. Quando desejam, também, que o objeto indique com seus movimentos as letras do alfabeto, indo, por exemplo, na direção do a, etc., isto se produz com frequência e se obtêm respostas inesperadas.

897. Até aqui, e qualquer que seja nossa interpretação, nos encontramos na presença de fatos de fácil reprodução e que todos podem verificar. Mas, além desses movimentos simples de mesas giratórias e das respostas inteligíveis das mesas falantes, movimentos e respostas que se podem explicar, a rigor, pela pressão inconsciente que exercem as mãos das pessoas sentadas ao redor, e sem ter necessidade de postular a intervenção de alguma força física desconhecida, certas pessoas entendem que outros fenômenos físicos são produzidos, que as mesas se movem particularmente numa direção e com uma força que não basta para explicar qualquer pressão inconsciente, e frequentemente dão respostas que nenhuma ação inconsciente e nenhuma das forças que conhecemos parecem capaz de provocar.

898. Os espíritas atribuem os movimentos e as respostas desta última categoria à ação de intelectos desencarnados; mas se uma mesa produz movimentos sem que uma pessoa a toque, não existe razão para atribuir esses movimentos à intervenção de meu falecido avô, mais do que à minha, porque se não se vê a maneira pela qual eu mesmo podia tê-la posto em movimento, tampouco se vê o modo pelo qual o teria feito o meu avô. (Continua no próximo número.) 


(1)
Idiopático: referente a idiopatia: doença de origem desconhecida. 

(2) Coreico: diz respeito a coreia: distúrbio encefálico caracterizado por movimentos musculares anormais e espontâneos, sem propósito, irregulares, rápidos e transitórios, sugerindo uma dança. 



 


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