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Clássicos do Espiritismo
Ano 7 - N° 309 - 28 de Abril de 2013
ANGÉLICA REIS
a_reis_imortal@yahoo.com.br
Londrina, Paraná (Brasil)
 


A Personalidade Humana

Fredrich Myers

(Parte 34)

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial do livro A Personalidade Humana, de Fredrich W. H. Myers, cujo título no original inglês é Human Personality and Its Survival of Bodily Death. 

Questões preliminares 

A. Os desencarnados conhecem o momento em que a notícia de sua morte chega aos seus amigos?  

Parece que sim. Diz Myers que, através da acumulação progressiva de fatos, é possível, sem dúvida, acreditar que os Espíritos desencarnados têm a capacidade de conhecer o momento em que a notícia de sua morte chega aos amigos. (A Personalidade Humana, capítulo VII  – Os fantasmas dos mortos.) 

B. Pode a intuição de uma pessoa ser reforçada pela ação de um Espírito? 

Tudo indica que sim. O caso do Sr. Tandy reforça essa ideia. Tandy escolheu ao acaso um jornal, na casa de alguns amigos, e ao chegar em casa, enquanto procura na estante o livro que deseja, volta-se para a janela e enxerga o vulto de um velho amigo, que não via há uns dez anos; ele aproxima-se e o vulto se esvanece. Ao abrir o jornal, lê a notícia do falecimento desse amigo. (Obra citada. Capítulo VII  – Os fantasmas dos mortos.) 

C. Qual é uma das características comuns a determinadas aparições?

É o fato de serem percebidas, simultânea e conjuntamente, por um grupo de pessoas, que às vezes veem um vulto, outras vezes ouvem uma voz fantasmagórica. É o que ocorreu no caso do Sr. Town, cuja aparição, refletida na superfície brilhante de um armário, foi vista uma noite, seis semanas após sua morte, num quarto iluminado a gás e, ao mesmo tempo, por seis pessoas, duas filhas, sua mulher e três empregados, fato que exclui a possibilidade de sugestão. (Obra citada. Capítulo VII  – Os fantasmas dos mortos.)

Texto para leitura 

818. Passo, a seguir, aos casos em que o conhecimento demonstrado pelos Espíritos se relaciona com o aspecto de seu corpo após a morte, ou com as cenas nas quais se acha enterrado temporalmente ou inumado definitivamente. Esse conhecimento pode parecer vulgar, indigno de Espíritos transportados a um mundo superior. Porém, mais frequentemente, trata-se de uma confusão de ideias que se seguem a uma morte súbita ou violenta, que rompe bruscamente os efeitos profundos. Os casos desse gênero são numerosos, mas vou apenas citar um deles.

819. M. D., rico industrial, tinha a seu serviço um tal Robert Mackenzie, que literalmente arrancara à miséria e que experimentava em relação a seu patrão um reconhecimento e uma fidelidade sem limites. Um dia em que M. D. se achava em Londres, teve a aparição de seu empregado (que estava na filial de Glasgow). Este vinha suplicar-lhe que não acreditasse nas acusações que lhe fariam. E a aparição se desvaneceu sem que M. D. nada mais soubesse sobre a acusação que pairava sobre Robert. Não teve tempo de sair de sua estupefação, quando sua mulher trouxe-lhe uma carta, dizendo a seu marido que acabava de receber a notícia do suicídio de Robert.

820. Aquela era, sem dúvida, a acusação que pesava sobre o empregado e na qual M. D. decidiu não acreditar. Com efeito, o correio seguinte trouxe-lhe uma carta de seu administrador, que dizia que Robert não se suicidara, como se acreditara em princípio, mas que estava envenenado, pois bebera ácido sulfúrico, ao invés de aguardente. Após ter consultado um dicionário de medicina, M. D. não precisou de muito esforço para recordar que o aspecto da aparição correspondia exatamente à descrição do dicionário dos indivíduos envenenados pelo ácido sulfúrico. (Proceedings of the S. P. R., XI, pág. 95.)

821. No caso da Sra. Green achamo-nos frente a um problema interessante. Duas mulheres se afogaram em circunstâncias particulares. Um amigo teve, aparentemente, uma visão clarividente da cena, não no momento em que se deu, mas algumas horas depois, ao mesmo tempo em que outra pessoa, que tinha o maior interesse pelo destino das duas mulheres, soube do fato. Pode-se, pois, supor que a cena clarividente, em aparência, foi transmitida telepaticamente ao primeiro por outro Espírito vivo. Acredito, porém, que a natureza da visão, tanto como outras analogias que poremos em relevo no decurso de nossa discussão, fazem provável uma demonstração diferente, que implica a ação simultânea dos mortos e dos vivos.

822. Suponho que uma corrente de ação pode partir de uma pessoa morta, mas que não se torna bastante forte para ser perceptível ao sujeito senão quando está reforçada por uma corrente de emoção que tem como ponto de partida um Espírito vivo.

823. Só através da acumulação progressiva de fatos, cheguei a acreditar que a estranha suposição que atribui aos Espíritos desencarnados a capacidade de conhecer o momento em que a notícia de sua morte chega aos amigos, não está de todo desprovida de realidade. A possibilidade, para o amigo, de adivinhar, através da clarividência, a existência nas proximidades de uma carta que anuncia a morte, torna bastante difícil a prova desse conhecimento. Assim, como se demonstrou em Phantasms of the Living, pode-se tratar de um fenômeno da clarividência, inclusive nos casos em que a carta não apresente em si qualquer importância.

824. Existirá uma ação recíproca entre a esfera do conhecimento do Espírito desencarnado, de forma que a intuição de um esteja, numa certa medida, reforçada pela do outro? É o caso do Sr. Tandy, que escolhe ao acaso um jornal, na casa de alguns amigos, e ao chegar em casa, enquanto procura na estante o livro que deseja, volta-se para a janela e enxerga o vulto de um velho amigo, que não via há uns dez anos; ele aproxima-se e o vulto se esvanece. Ao abrir o jornal, lê a notícia do falecimento desse amigo. (Proceedings of the S. P. R., V, pág. 409.)

825. Esse incidente tomado isoladamente e sem conexão aparente com outras formas de ação manifestadas pelos mortos parece, inclusive, deveras raro para ser classificado num grupo coerente. Mas a sua inclusão é facilitada por certos casos em que o sujeito experimenta uma sensação de depressão inexplicável no momento da morte de seu amigo, que sobrevém a distância, sensação que persiste até a chegada da notícia, quando, em vez de intensificar-se, desaparece subitamente.

826. Em um ou dois casos desse gênero, a aparição permanece até à chegada da notícia, desaparecendo imediatamente a seguir. E por outro lado a aparição parece preparar o Espírito do sujeito para a notícia chocante que o espera.

827. Pode-se concluir que nesses casos a atenção do Espírito está concentrada, de um modo mais ou menos contínuo, no sobrevivente, até que este receba a notícia. Isso não nos explica como o Espírito sabe que chegou a notícia. Nesta hipótese o conhecimento desse gênero pareceria menos raro e isolado.

828. Citarei, a seguir, um caso ímpar, dado o caráter absurdo que pode ter para alguns. Trata-se de duas moças, duas irmãs que, após ficarem ao lado de sua mãe, que acabara de falecer, foram descansar no quarto vizinho. Era por volta das dez da noite. Repentinamente, ouviram a voz do irmão, que estava num lugar a 700 quilômetros, cantar um dueto com voz de soprano, acompanhado de harmônio. Distinguiram perfeitamente a música e a letra.

829. Mais tarde ficaram sabendo que o irmão prestara um concurso para um concerto e cantara em dueto, com um soprano, o trecho que as irmãs ouviram. E o telegrama que elas enviaram não fora entregue senão quando ele concluíra sua participação (Proceedings of the S. P. R., VIII, pág. 220). Pode-se explicar este caso somente pela hipótese de que o Espírito da mãe alertara as filhas da demora na entrega do telegrama.

830. Gostaríamos agora de abordar os casos em que a aparição é impotente para comunicar uma mensagem mais definida daquilo que constitui o fato mais importante, ou seja, a persistência de sua vida e de seu amor. Esses casos podem, porém, ser divididos em diversas categorias. Mas cada aparição, ainda que momentânea, é um fenômeno mais complexo do que parece. Pode-se estabelecer uma primeira divisão em aparições pessoais e locais, as primeiras destinadas a agir sobre o Espírito de certos sobreviventes, as segundas unidas a lugares determinados, frequentemente, é certo, tendo por objetivo impressionar os sobreviventes, mas suscetível de degenerar e de manifestar-se por sons e visões que parecem excluir um objetivo e uma inteligência qualquer.

831. Consideremos, pois, essas propriedades sem esperar que nossas divisões apresentem uma simplicidade lógica, porque acontecerá, com frequência, que os caracteres locais e pessoais permanecerão confusos, como no caso em que o sujeito procurado pela aparição mora numa casa conhecida, familiar. Mas, em alguns casos, como no do arranhão vermelho (ver antes) ou o da condessa Kapnist (idem), a aparição se produz num meio estranho e desconhecido para a pessoa falecida. São manifestações de uma forma superior e mais desenvolvida as que nesse caso se observam.

832. Entre as aparições mais breves e menos desenvolvidas, as frequentações pelo fantasma de meios desconhecidos são relativamente raras. Nos casos desta categoria, assim como nos casos em que a aparição atinja o sujeito no meio do mar, só a personalidade do sujeito é capaz de guiar a aparição em suas investigações. No caso de M. Keulemann (Phantasms of the Living, I, pág. 196), que viu o filho aparecer duas vezes: no momento da morte e após a morte. Dir-se-ia que na primeira vez o filho buscara o pai num meio conhecido e na segunda num meio desconhecido. Existem ainda casos auditivos em que a palavra do fantasma se produz em lugares desconhecidos da pessoa falecida.

833. Uma das características das aparições é que um grupo de pessoas pode, simultânea e conjuntamente, ver um vulto ou ouvir uma voz fantasmagórica. Não nos casos superiores, mas naqueles em que a figura é vista simultânea ou sucessivamente por diversas pessoas. Não sei como explicar essa tendência aparente a não ser que se admita que os Espíritos “familiares” são mais “apegados à Terra” e mais próximos da matéria do que os outros. Mas os exemplos de coletividade abundam em todos os grupos de aparições; e a aparência irregular de uma característica que pareceu tão fundamental nos mostra até que ponto pode variar o mecanismo interno, nos casos que nos parecem compostos de acordo com o mesmo modelo.

834. Citarei a seguir o caso do Sr. Town, cuja aparição, refletida na superfície brilhante de um armário, foi vista uma noite, seis semanas após sua morte, num quarto iluminado a gás e, ao mesmo tempo, por seis pessoas, duas filhas, sua mulher e três empregados, de tal forma que cada uma destas pessoas viu-a de forma diferente, o que exclui a possibilidade de sugestão (Phantasms of the Living, II, pág. 213).

835. Ao lado dessa aparição coletiva poderemos citar outros exemplos em que a aparição foi vista por uma só pessoa. É este, por exemplo, o caso do pequeno Gore Booth (Proceedings of the S. P. R., VIII, pág. 173), que enxergou na parte baixa de uma escada de serviço, que ligava o restante da casa com a cozinha e, no umbral desta, isto é, num lugar em que o finado costumava ficar, um velho empregado que se fora há muito e que Gore sabia estar doente.

836. As informações demonstraram que a aparição se produziu duas horas depois da morte do criado e quando ninguém na casa, nem Gore, estava a par do acontecimento. Deve-se acrescentar que a irmã de Gore, que o acompanhara à cozinha, nada viu. É possível que se tratasse de uma influência transmitida pelo Espírito do defunto ao espírito do vivo e que só se manifestou quando o último se achou no lugar onde a lembrança do morto poderia facilmente ser evocada.

837. Esse caso assemelha-se ao da Sra. Freville (Phantasms of the Living, I, pág. 212), mulher excêntrica, que gostava de frequentar o cemitério e rondar a tumba de seu marido e que foi vista certa noite por um jardineiro que atravessava o cemitério, dando-se este fato sete ou oito horas após a morte dela. É evidente que a mulher não podia ter qualquer desejo de aparecer ao jardineiro. Achamo-nos, talvez, na presença de um caso de aparição sem objetivo e sem consciência nos lugares familiares que, com frequência, persistem após a morte.

838. Um caso bastante semelhante é o do coronel Crealock (Proceedings of the S. P. R., V, pág. 432), em que um soldado foi visto por seu superior, horas após a sua morte, enrolando e levando embora seu saco de viagem.

839. Insistindo sobre esses casos intermediários de aparições portadoras de mensagens e das obsessões sem objetivo, chegaremos rapidamente a entender as obsessões típicas, que, mesmo constituindo fenômenos populares entre os que nos interessam, não são de índole a satisfazer o observador. Existe uma tendência a encontrar uma relação qualquer entre a história de uma casa mal-assombrada, de um lado, e as visões e sons diluídos e frequentemente diversos que perturbam e aterrorizam seus habitantes vivos, de outro. Mas devemos nos libertar da ideia de que a causa principal desse tipo de fenômeno é um crime hediondo ou uma catástrofe sem limites.

840. Os casos que conhecemos confirmam esta ideia. Quase todas as vezes trata-se de uma aparição vista por um estranho, meses após a morte, sem qualquer razão para que se dê naquele momento e não em outro.

841. Considero que a ação contínua do Espírito desencarnado constitui o principal fator determinante dessas aparições. Mas não é o único elemento, enquanto os pensamentos e as emoções das pessoas vivas intervenham para auxiliar ou condicionar a atividade independente dos Espíritos. Acredito mesmo que é possível que a fixação intensa de meu Espírito, por exemplo, sobre o Espírito de uma pessoa falecida seja capaz de ajudá-la a se manifestar num momento dado, não para mim, mas para outra pessoa mais sensível do que eu.

842. Existe, todavia, outro elemento que desempenha papel relevante nesses grupos de aparições pouco claras, cuja significação é mais difícil de determinar do que a ação possível dos Espíritos encarnados. Falo dos resultados possíveis da atividade mental passada, que, de acordo com o que sabemos, podem persistir, de alguma forma, num sentido perceptível, sem serem reforçados, da mesma forma que persistem os resultados da antiga atividade corpórea. Essa questão nos leva a outra mais ampla, a do conhecimento póstumo e as relações entre os fenômenos psíquicos e o tempo em geral, que não podemos tratar neste capítulo.

843. Devemos recordar que essas possibilidades existem e que elas nos fornecem a explicação de certos fenômenos nos quais as manifestações recentes de inteligência entram numa parcela mínima, como por exemplo, os sons despojados de significado que persistem durante anos num cômodo de determinada casa.

844. Em alguns casos espaçados, porém, em que são ouvidos sons de origem desconhecida, antes ou depois da morte de uma pessoa, pode-se supor que se trate de sons de recepção (de boas-vindas), análogos às aparições de boas-vindas de que já falamos, isto é, de uma verdadeira manifestação da personalidade. Os sons em questão podem ser ou não articulados e tomar a forma de ruídos musicados ou imitar os que a pessoa falecida costumava emitir (no exercício da profissão, por exemplo). (Continua no próximo número.) 



 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita