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Entrevista Espanhol Inglês    
Ano 4 - N° 174 - 5 de Setembro de 2010

KATIA FABIANA FERNANDES
kffernandes@hotmail.com
Londres, Inglaterra (Reino Unido)

 

Maurício Cisneiros Filho:

“Na Terra estamos ainda na fase de remodelação do
nosso lar”
 

O presidente do Conselho Espírita dos Estados Unidos fala sobre o movimento espírita no país em que ocorreram em 1848 os fenômenos de Hydesville

 

Não existe lugar no mundo onde o Espiritismo seja tão difundido e – por que não dizer? –  tão respeitado como no Brasil. Até mesmo na França, pátria do codificador Allan Kardec, a Doutrina dos Espíritos não é muito conhecida. E, assim sendo, muitos brasileiros, espalhados pelo globo, vão vencendo as barreiras culturais e linguísticas para difundir, como podem, os ensinamentos espíritas.

Com o confrade Maurício Cisneiros Filho (foto) não foi diferente. Nesta conversa com os leitores de O Consolador ele nos conta como o Espiritismo vem sendo trabalhado nos Estados Unidos da América, onde ele exerce atualmente o cargo  de  presidente  do   United   States

Spiritist Council (Conselho Espírita dos Estados Unidos).


O Consolador: Onde você nasceu?

Em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, mas cresci em Brasília (DF).

O Consolador: Em que região dos Estados Unidos você mora atualmente? 

Na Flórida.

O Consolador: Desde quando você reside nos Estados Unidos? 

Desde 1988, quando vim para os Estados Unidos à procura de melhores condições profissionais.

O Consolador: Qual é sua formação escolar?  
 

Sou formado em Tecnologia da Informação (Information Technology), com especialização em telecomunicação.

O Consolador: Que cargos ou funções você exerceu anteriormente no Movimento Espírita?  

Fui vice-secretário e vice-presidente da Federação Espírita da Flórida em diferentes gestões.

O Consolador: E no momento em qual instituição atua? 

No momento sou presidente da Spiritist Society of Palm Beach, em Boca Raton, Flórida, além de presidente do United States Spiritist Council. 

O Consolador: Quando você teve o primeiro contacto com o Espiritismo? 

Nasci em família espírita e cresci a uma quadra do Grupo Espírita Irmão Estevão, situado  em Brasília (DF), onde passei pelos diferentes ciclos da evangelização infantil, assim como pela pré-mocidade e pela mocidade espírita. 

O Consolador: Dos três aspectos do Espiritismo – ciência, filosofia e religião –  qual o que mais o atrai? 

Diferentemente de muitos espíritas, nunca tive preferência. Tudo que é analisado com a visão racional, questionadora e sentimental espírita me encanta grandiosamente. 

O Consolador: Que livros espíritas você considera indispensáveis ao confrade iniciante?  

Depende muito do iniciante. Geralmente “O Livro dos Espíritos” deve ser o primeiro a ser introduzido. Mas existem casos em que o “Evangelho segundo o Espiritismo” ou mesmo “Nosso Lar” podem fazer melhor serviço à compreensão de certos indivíduos com extraordinárias particularidades de entendimento.   

O Consolador: Você pode citar um livro espírita que seja para você inesquecível? 

“Jesus e Kardec Como Modelos Para os Trabalhadores Espíritas”, do Dr. Alirio de Cerqueira Filho. Esse livro, o primeiro de uma série, é baseado em ensinamentos de Joanna de Ângelis, mas com um toque mais explicativo para que nós, simples seres mortais, consigamos entender minuciosamente a análise feita pelo Dr. Alirio sobre a visão de Joanna com relação à nossa movimentação psicológica como trabalhadores e dirigentes espíritas. 

O Consolador: As divergências doutrinárias em nosso meio reduzem-se a poucos assuntos. Um deles diz respeito ao chamado Espiritismo laico. Para você, o Espiritismo é uma religião?     

Somente aqueles que ainda não são espíritas dizem que o Espiritismo não é uma Religião. Se já o tivessem entendido e abraçado de coração isso não mais diriam.  

O Consolador: Outro assunto em que a prática espírita às vezes diverge está relacionado com os chamados passes padronizados, propostos na obra de Edgard Armond. Embora saibamos que o mais comum, no tocante ao tema, seja a imposição de mãos, qual a sua opinião sobre o assunto? 

Todos aqueles que estudam um pouco que seja sobre magnetismo descobrem rapidamente que a padronização aí não tem lugar. Embora o passe em reuniões públicas regulares possa ser administrado de forma menos complexa, o passe em reuniões de tratamento já deve ser mais minucioso e feito por pessoas com grande entendimento de causa. À medida que avançamos novas técnicas vêm sendo descobertas e o uso delas é imprescindível para aqueles que querem ajudar mais efetivamente os recipientes de passes. O livro mais importante que já li e estudei sobre o assunto foi “Avaliando Verdades Distorcidas – O Que Kardec Falou Sobre o Magnetismo”. O grande problema é que é sempre mais fácil trabalhar atrás de conceitos simplórios do que aprender e desenvolver técnicas melhores do que as que já utilizamos. Ao mesmo tempo, é um erro acreditar que os mentores vão sempre suprir a nossa ignorância. Onde resido existem vários Centros Espíritas que trabalham de maneiras variadas. 

O Consolador: Como vê a discussão em torno do aborto? No seu modo de ver as coisas, os espíritas deveriam ser mais ousados na defesa da vida, como tem feito a Igreja?   

O dever do espírita é de instruir e nunca o de obrigar os outros a seguirem o que pensamos. Dentro de nossas condições de cidadãos do mundo, vamos fazendo o que podemos para minimizar a prática do aborto, mas sempre respeitando os direitos dos outros.  

O Consolador: Você tem tido contato com o movimento espírita brasileiro? Considera-o atuante, ou falta nele algo que favoreça uma melhor divulgação da doutrina? 

Tenho um contacto constante com vários companheiros trabalhadores no movimento espírita brasileiro. Não há dúvidas de que o trabalho de divulgação do Espiritismo no Brasil é excelente. 

O Consolador: Como se desenvolve o Movimento Espírita nos Estados Unidos?  

Digamos que estamos bem no começo da introdução do Espiritismo nos Estados Unidos. Embora Chico Xavier tenha estado aqui há mais de três décadas, a divulgação que vinha sendo feita não era em língua inglesa. Daí a completa ignorância do público americano em matéria de Espiritismo. Hoje a questão da divulgação em inglês já tem tomado outro rumo e aos poucos os agrupamentos espíritas daqui têm abraçado essa bandeira.

O Consolador: Quando e como se originou o movimento espírita no país? 

Não se sabe exatamente quem foram os primeiros espíritas em terras do tio Sam. Há mais ou menos cinquenta anos já existiam alguns poucos agrupamentos espíritas em New Jersey, North Carolina e na Califórnia. Depois disso outros apareceram na Flórida. Todos eles organizados por latino-americanos. Hoje estamos beirando 90 grupos espalhados em vários Estados norte-americanos. O órgão maior de unificação do movimento espírita é o United States Spiritist Council constituído por 30 grupos afiliados. 

O Consolador: Como é a aceitação dos norte-americanos com relação à Doutrina Espírita? 

Dados os diferentes graus de religiosidade e espiritualização do povo americano, existem diferentes tipos de aceitação ou não do Espiritismo nos EUA. Geralmente o público mais ortodoxo (cristãos, judeus etc.), assim como o mais materialista, é mais reticente ao terem contato com o Espiritismo. Entre os espiritualistas tipo “new age” existe uma tendência maior à participação nos estudos e demais reuniões oferecidas pelos Centros Espíritas, mas muitos desses têm uma tremenda dificuldade em aceitar trabalhar com a mediunidade ou com a divulgação dos conhecimentos espirituais sem algum benefício monetário. Geralmente o público de mais fácil aceitação é o dos religiosos ou não-religiosos com a mente mais aberta para o estudo dos novos conhecimentos espirituais. 

O Consolador: Quais as maiores dificuldades para se desenvolver o trabalho espírita fora do Brasil?  

Devido à estrutura já formada com muito suor no Movimento Espírita Brasileiro, aí esse trabalho já se encontra mais fácil de ser realizado. Aqui nos Estados Unidos, assim como no Canadá e na Europa, em se falando de estrutura, estamos a uns 100 anos atrás do Movimento Espírita Brasileiro. Uma das maiores evidências é o próprio espaço físico em que os agrupamentos se reúnem aqui. Nenhum Centro Espírita nos EUA, como corporação constituída, é dono de seu próprio local de trabalho. Todos os Centros alugam um espaço ou, como é o caso de alguns poucos, pagam financiamento de imóvel para que a porta da Casa fique aberta. E os preços são realmente exorbitantes, a ponto de muitos agrupamentos só poderem alugar locais por algumas horas semanais para que suas reuniões possam ser realizadas.

O Consolador: Como você vê o nível da criminalidade e da violência que parece aumentar no Brasil e no mundo e como nós, espíritas, podemos cooperar para que essa situação seja revertida?
 

Precisamos continuar divulgando a Doutrina Espírita de todas as maneiras, mas principalmente através de nossa conduta. Um sábio companheiro nosso, ao fazer uma palestra sobre a conquista do mundo de regeneração, nos dizia que estamos em fase de “remodelação de nosso lar”, daí estarmos vendo nossas paredes, piso e móveis um tanto que bagunçados. Mas, assim que terminarmos a obra, nosso lar estará mais lindo do que nunca e propriamente ajustado para que possamos melhor usufruir dele com todo conforto.
 

O Consolador: A preparação do advento do mundo de regeneração em nosso planeta já deu, como sabemos, seus primeiros passos. Daqui a quantos anos você acredita que a Terra deixará de ser um mundo de expiação e de provas, passando plenamente à condição de mundo de regeneração, em que, segundo Santo Agostinho, a palavra amor estará escrita em todas as frontes e uma equidade perfeita regulará as relações sociais?  
 

Acredito que em 50 anos, mais ou menos, não veremos mais a reencarnação de Espíritos ainda imbuídos de idealizações maldosas. Mesmo porque o nosso planeta, como esfera ambiental isolada, não aguentaria muito tempo mais as barbáries que vêm sendo cometidas há tanto tempo contra a natureza terrestre.
 

O Consolador: Em face dos problemas que a sociedade terrena está enfrentando, qual deve ser a prioridade máxima dos que dirigem atualmente o movimento espírita no mundo? 

A de continuar procurando unificar a todos em um sentimento de fraternidade, independentemente das crenças religiosas que os outros possuam.  

O Consolador: O que é o Espiritismo para você?  

É a constante lembrança de que nós somos capazes de passar por qualquer dificuldade com paciência, resignação e agradecimento pelas oportunidades de crescimento oferecidas a nós por Deus em mais esta rapidíssima passagem pelo planeta Terra.
 

 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita