WEB

BUSCA NO SITE

Edição Atual
Capa desta edição
Edições Anteriores
Adicionar
aos Favoritos
Defina como sua Página Inicial
Biblioteca Virtual
 
Biografias
 
Filmes
Livros Espíritas em Português Libros Espíritas en Español  Spiritist Books in English    
Mensagens na voz
de Chico Xavier
Programação da
TV Espírita on-line
Jornal
O Imortal
Estudos
Espíritas
Vocabulário
Espírita
Efemérides
do Espiritismo
Esperanto
sem mestre
Divaldo Franco
Site oficial
Raul Teixeira
Site oficial
Conselho
Espírita
Internacional
Federação
Espírita
Brasileira
Federação
Espírita
do Paraná
Associação de
Magistrados
Espíritas
Associação
Médico-Espírita
do Brasil
Associação de
Psicólogos
Espíritas
Cruzada dos
Militares
Espíritas
Outros
Links de sites
Espíritas
Esclareça
suas dúvidas
Quem somos
Fale Conosco
 
Especial Inglês Espanhol    

Ano 3 - N° 120 – 16 de Agosto de 2009

WASHINGTON L. N. FERNANDES
washingtonfernandes@terra.com.br
São Paulo - SP (Brasil)

 


A PSICOGRAFIA DO MÉDIUM DIVALDO FRANCO
(5)
 

A temática e o estilo nas obras do médium
 

Prosseguindo na análise temática e estilística dos livros do médium Divaldo Franco (foto), agora vamos nos ocupar de outros Autores Espirituais.

O Espírito Manoel Vianna de Carvalho (1874‑1926), nascido em Icó/Ceará, foi engenheiro militar, bacharel em matemática, ciências físicas, destacando‑se como um dos maiores tribunos do Espiritismo de seu tempo, inspirando a fundação de vários Núcleos Espíritas em diversos Estados do Brasil. Tendo abraçado o ideal espírita desde os 17 anos, foi

também polemista e um grande incentivador da evangelização infantil e de jovens, além de ter igualmente trabalhado precocemente pela causa da unificação dos espíritas brasileiros. Ele ditou quatro livros por Divaldo, utilizando uma temática totalmente diferente dos outros Autores Espirituais, valendo-se de inúmeras citações históricas, científicas e filosóficas de muita erudição, expondo seu pensamento com reflexões e linguagem próprias, completamente diferentes dos outros Autores Espirituais já vistos:

Quando a filosofia altera sua estrutura com Hegel, Marx e Engels, estabelecendo a desnecessidade da alma para a interpretação da vida e a compreensão do Universo; no momento em que Florens e Cuvier declaram nunca haver encontrado a alma nas centenas de cadáveres que dissecaram; no instante em que Broussais, Bouillaud zombaram da alma imortal e Moleschot, Büchner e Karl Vogt afirmam que o espírito é uma exsudação cerebral, surge Allan Kardec com a força demolidora da lógica e da razão, apoiando-se na linguagem insuperável dos fatos, para afirmar a Causalidade do Universo, a preexistência da alma ao corpo e a sua sobrevivência ao túmulo, apresentando uma ciência ímpar, resultado de laborioso trabalho de investigação fundamentada na experiência e que resistirá ao pessimismo, à perseguição e ao descrédito. (Vianna de Carvalho - Reflexões Espíritas, LEAL/BA, pág. 12.) 

Filosofia e ciência são, como se vê, os temas utilizados pelo Espírito Vianna de Carvalho. 

Já o Espírito Joanna de Ângelis, o Guia Espiritual do médium Divaldo Franco, ditou a ele mais de cinquenta livros, dos quais cerca de quinze compõem uma série psicológica. Nessa série psicológica este Espírito discorre com propriedade a abordagem ligada à história da Psicologia, numa linguagem própria e com várias citações históricas e acadêmicas. Muitos desses livros são verdadeiros Ensaios Psicológicos e várias vezes, pessoalmente, ouvimos estudantes de Psicologia, de várias cidades brasileiras, informando ao médium Divaldo que eles estavam estudando esses referidos livros do Espírito Joanna de Ângelis na Faculdade e que eram considerados de extrema atualidade.  

A última encarnação conhecida do Espírito Joanna de Ângelis ocorreu em Salvador/BA, como Joana Angélica de Jesus (1761‑1822), religiosa que auxiliava moças desamparadas, desencarnando no Convento da Lapa por resistir pacífica e heroicamente à invasão de tropas contrárias à independência do Brasil.  

Joanna de Ângelis foi uma das santas mulheres
que auxiliavam o Mestre
 

Outra encarnação sua conhecida ocorreu no México, como Sóror Juana Inés de la Cruz (1651‑1695), nascida na aldeia de San Miguel Nepantla, quando aprendeu a ler aos três anos. Foi religiosa, teóloga, poetisa e poliglota, considerada uma das maiores intelectuais de seu tempo, desencarnando vítima de uma peste, contraída em razão da assistência que prestava às doentes contaminadas. O Espírito Joanna de Ângelis teve também uma encarnação conhecida em Assis/Itália, no século XIII, ocasião em que teve próximo contato com Francisco de Assis e as clarissas, juntamente com as quais assistia os leprosos. Outra encarnação que se conhece do Espírito Joanna de Ângelis ocorreu à época em que viveu Jesus, quando ela foi Joana, a esposa de Cusa, despenseiro de Herodes Ântipas. Joana foi uma das santas mulheres que auxiliavam o Mestre, sendo citada pelo evangelista Lucas (8,3 e 24, 10) e descrita pelo Espírito Humberto de Campos, na obra Boa Nova (cap. 15), psicografada por Chico Xavier. Joana de Cusa foi martirizada no ano 68, por ser cristã. 

Consideremos alguns trechos de um de seus livros só para dar ao leitor uma ideia do seu conteúdo: 

O psicólogo americano pragmatista, William James, classificou os biótipos humanos em espíritos fracos e fortes, enquanto Ernesto Krestchmer, psiquiatra alemão, considerou as personalidades de acordo com a compleição do indivíduo em pícnico, ou pessoa redonda; atlético, ou pessoa quadrada; e o astênico, pessoa delgada. Face a tal conclusão, afirmou que há espíritos esquizoides e ciclotímicos, enquanto Carlos Jung os considerou introvertidos e extrovertidos. Em todos há uma ânsia comum: os fracos fortalecerem-se, os ciclotímicos harmonizarem-se e os introvertidos exteriorizarem-se.

As psicoterapias são aplicadas conforme as revelações do inconsciente, arrancando dos arquivos do psiquismo os fatores que geraram os traumas e determinaram os conflitos, interpretando as ocorrências dos sonhos nos estados oníricos e as liberações catársicas nas demoradas análises. Somente a sondagem cuidadosa dos arcanos do ser pretérito enseja o encontro das causas passadas, geradoras dos problemas atuais. Uma análise transpessoal libera-o dos tabus, inclusive, da visão distorcida da realidade, que deixa de ser a exclusiva expressão terrena, para transportá-la para a vida imortal, precedente ao corpo e a ele sobrevivente, demonstrando que o êxito, o triunfo, o fracasso, o insucesso, não se apresentam conforme a proposta social imediatista, porém outra mais significativa e poderosa. (Joanna de Ângelis - O Ser Consciente, LEAL/BA, 1ª ed., pág. 53.)

O vocabulário e a temática utilizados pelo Espírito Joanna de Ângelis nesses livros são específicos da ciência psicológica e já ensejaram Seminários e Congressos espíritas em vários Estados do Brasil e até mesmo no exterior, o que representa, sem dúvida, uma nova fase da literatura mediúnica, na qual a Espiritualidade passa a atuar mais diretamente na realidade humana. 

Fenômeno de bixenoglossia em texto de Victor Hugo psicografado por Divaldo 

Continuando o estudo literário/mediúnico, é necessário fazer um comentário acerca do notável poeta, romancista, dramaturgo, político, jornalista e orador francês Victor Hugo, nascido em 1802 e desencarnado em 1885, considerado como um dos maiores e mais fecundos escritores de todos os tempos. Desde 1993 está sendo feita uma gigantesca pesquisa sobre este escritor francês (com base nas suas obras completas), comparando-se suas características literárias com as constantes em todas as obras psicografadas pelo médium Divaldo Franco.  

Divaldo psicografou oito obras atribuídas a esse Espírito. Foram anotadas milhares de características em comum entre o escritor Victor Hugo e o Espírito Victor Hugo (metáforas, hipérboles, anticreses, antíteses, neologismos, vocabulário, cor local - isto é, a ambientação -, citações em latim, em espanhol, em inglês, o grotesco, o burlesco, onomástico, peculiaridades linguísticas, método enfático, citações geográficas, históricas, mitologia etc.). Os resultados desta exaustiva comparação literária já se vislumbram.

As obras do Espírito Victor Hugo por intermédio de Divaldo são romances, isto é, algo totalmente diferente dos livros poéticos, de contos, teológicos, de crônicas, de narrações evangélicas, familiares e outros, como também muito diverso são o estilo e a temática do Espírito Victor Hugo, totalmente distintos dos estilos e temáticas dos outros Autores Espirituais.  

Victor Hugo foi um latinista porque ainda na puberdade ele já tinha um conhecimento que superava o de seu professor de latim, e, jovem ainda, Victor Hugo já fazia traduções dos clássicos latinos. Nas obras psicografadas por Divaldo também se encontram dezenas de citações latinas. Citaremos só uma, pois ela tem o agravante de que nela se observa o fenômeno da bixenoglossia (dois casos simultâneos de xenoglossia), pois ao mesmo tempo em que a citação foi escrita em latim o foi igualmente em italiano: 

- Cor magis tibi Sena pandit (Siena t’apre un cuore più di questa porta) (Siena te abre o coração mais que a sua porta). (Párias de Libertação, Victor Hugo, Livro Primeiro, 6, pág. 81.)

Faremos mais duas citações (dentre milhares anotadas), onde o burlesco (isto é, satírico) se mistura com o metafórico: 

Como encarnado, em Os Miseráveis, um dos principais e mais famosos romances do escritor Victor Hugo, encontramos:

- Na presença de Jeová ele subiria pulando com os pés juntos os degraus do Paraíso. (Os Miseráveis, Victor Hugo, Terceira Parte, Livro Primeiro, Cap. IX, vol. 3, pág. 296.)

- Se alguém conseguisse sobreviver a um tiro de canhão recebido em pleno peito, não teria expressão diferente da de Fauchelevent naquele instante. (Os Miseráveis, Victor Hugo, Segunda Parte, Livro Oitavo, Cap. V, vol. 3, pág. 216.)

Está demonstrado que o conteúdo da obra mediúnica de Divaldo Franco é enciclopédico

Observa-se claramente o burlesco (o satírico), permeado com a linguagem metafórica. Nas obras psicografadas por Divaldo ditadas pelo Espírito Victor Hugo, encontra-se essa mesma característica (o burlesco metafórico):

- e eu era também um cadáver que respirava. (Sublime Expiação, Victor Hugo, Livro Primeiro, 6, pág. 94.)

- Seria o mesmo que pedir à leoa faminta que cuidasse dos filhotes recém-nascidos da gazela. (Quedas e Ascensão, Victor Hugo, Segunda Parte, 4, pág. 129.)

Podemos lembrar ainda a característica de Victor Hugo descrever minuciosamente os personagens, material e psicologicamente, seu vestuário, sempre se valendo das metáforas: 

Em O Corcunda de Notre Dame, outra de suas mais conhecidas obras, temos:

- estava de pé, na sombra, imóvel como estátua, um homem vigoroso e membrudo, de arnês de guerra e casaca brasonada e cujo rosto quadrado, fendido por dois olhos à flor, rasgado por enorme boca, escondendo as orelhas sob dois largos anteparos de cabelos chatos, sem testa, tinha simultaneamente o que quer que fosse de cão e do tigre. (Notre Dame de Paris, Victor Hugo, Segunda Parte, Livro Décimo, Cap. V, vol. 9, pág. 343.)

Nas obras psicografadas por Divaldo ditadas pelo Espírito Victor Hugo encontra-se igualmente esta mesma característica descritiva:

- As calças muito justas, presas nas meias altas que se fixam com beleza e a faixa na cintura, muito bem ajustada sobre a camisa normalmente em rendas finas e trabalhadas, são completadas com o jaleco enfeitado e folgado nas mangas, para facilitar a movimentação do toureador. O cabelo preso, terminado em delicado rabo de cavalo curto e preso, dão ao conquistador da arena um porte elegante, que impressiona a massa adoradora. O sapato escarpin, bem ajustado aos pés, é complemento indispensável para a corrida, próprio para facultar a rápida movimentação do verdadeiro passo de balé. Complementado pelo gorro que raramente vai posto na cabeça, o herói está preparado para a batalha. (Quedas e Ascensão, Victor Hugo, Primeira Parte, 2, pág. 40.)

Entrar no universo hugoano precisaria ser algo exclusivo, para estudar literariamente este grande escritor, agora em Espírito, ele que já escreveu oito romances pelo médium Divaldo Franco. Mas este trabalho que está sendo feito terá sua oportuna publicidade e acreditamos que, com as citações feitas, já se pode ter disso uma pequeníssima ideia.  

Em um próximo artigo continuaremos a enfocar as diferenças temáticas e estilísticas de alguns Autores Espirituais que ditaram livros por intermédio do médium Divaldo, desta vez de Autores Espirituais que foram contemplados com o Prêmio Nobel de Literatura.  

Está, acreditamos, perfeitamente demonstrado que o conteúdo da obra mediúnica de Divaldo Franco é – repetimos – enciclopédico e incompatível com a sua formação intelectual, ele que nem o ginásio cursou.
 

 


 

Para expressar sua opinião a respeito desta matéria, preencha e envie o formulário abaixo.
Seu comentário poderá ser publicado na seção de cartas de uma de nossas futuras edições.
 

  Simulador de configuracoes FORMMAIL

Nome:
E-mail:
Cidade e Estado:
Comentarios:
 


 

 


Voltar à página anterior


O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita