WEB

BUSCA NO SITE

Edição Atual
Capa desta edição
Edições Anteriores
Adicionar
aos Favoritos
Defina como sua Página Inicial
Biblioteca Virtual
 
Biografias
 
Filmes
Livros Espíritas em Português Libros Espíritas en Español  Spiritist Books in English    
Mensagens na voz
de Chico Xavier
Programação da
TV Espírita on-line
Jornal
O Imortal
Estudos
Espíritas
Vocabulário
Espírita
Efemérides
do Espiritismo
Esperanto
sem mestre
Divaldo Franco
Site oficial
Raul Teixeira
Site oficial
Conselho
Espírita
Internacional
Federação
Espírita
Brasileira
Federação
Espírita
do Paraná
Associação de
Magistrados
Espíritas
Associação
Médico-Espírita
do Brasil
Associação de
Psicólogos
Espíritas
Cruzada dos
Militares
Espíritas
Outros
Links de sites
Espíritas
Esclareça
suas dúvidas
Quem somos
Fale Conosco
 
Especial Inglês Espanhol    

Ano 3 - N° 116 – 19 de Julho de 2009

MARIA ENY ROSSETINI PAIVA
menylins@terra.com.br
De Lins, São Paulo (Brasil)

 

Invasão de Espíritos do umbral

 Uma análise do movimento jovem da década de 1960,
com suas consequências

“Até lá, porém, eles defenderão palmo a palmo o terreno. Haverá, portanto,
uma luta inevitável, mas luta desigual, porque é o passado decrépito a cair,
em frangalhos, contra o futuro juvenil”.
(Allan Kardec, em A Gênese,
cap. XVIII, itens 24 a 26, referindo-se às lutas contra a renovação
social, nas fases de pico da história da humanidade.)


Marta ouvia novamente o argumento da INVASÃO DE ESPÍRITOS DO UMBRAL. Enquanto ouvia, recordava... 

Aos 15 anos, a sessão espírita que frequentava, no ano de 1954, era orientada pelo Espírito do Padre de Compostela. A médium, uma dona de casa, que possuía apenas até a quarta série do primeiro grau, quando mediunizada, falava na segunda pessoa do plural, utilizando o tratamento de vós, sem erros. O fato impressionava advogados e políticos que, frequentes aos trabalhos, jamais observaram um deslize nos discursos: 

“Preparai-vos, dizia o Padre de Compostela, milhões de Espíritos umbralinos estão reencarnados agora. Serão Espíritos rebeldes, difíceis de educar. Deixar-vos-ão abismados com seus atos. As famílias não saberão o que fazer. A espiritualidade poderá auxiliá-los, aproximando-os da visão espiritual. São Espíritos que têm a oportunidade de testar sua moralidade, para que não sejam expulsos do planeta. Eles vos obrigarão a viver buscando resolver seus abusos. Passareis por profundas transformações. Quando viverdes esses fatos, recordai-vos dessa minha mensagem”. 

Uma década depois, Marta tinha 25 anos, já cursara Faculdade. Percebera a emergência dessa geração. Convivera com rebeldes, hippies, revolucionários, observando a ação dos umbralinos. Eles impulsionaram mudanças reais na arte, na música, na literatura, no teatro, na política, nos costumes. Verdadeiras revoluções no planeta. Muitos desequilíbrios, exageros, mas o resultado era interessante. Alguns artistas e políticos buscaram o espiritual, através de incursões no orientalismo, na consulta a médiuns da época e no estudo de culturas mediúnicas. Intelectuais e artistas estudavam as sociedades indígenas descendentes de primitivos habitantes da América ou de outros povos e suas relações com o espiritual. 

Cessada a época da rebeldia, Marta, tendo estudado nas Universidades os movimentos históricos na Terra, buscara aplicá-los aos estudos feitos por Kardec sobre o assunto, no capítulo XVIII de A Gênese. Agora entendia que a geração rebelde e umbralina tinha feito realmente seu teste. Ao mesmo tempo realizara importantes mudanças na moral e nos costumes tradicionais, revelando a hipocrisia farisaica das religiões, a moral falsa impregnada pelos interesses políticos, no Cristianismo. 

Discutir os valores das famílias, a liberdade sexual, as questões da miséria, as revoluções, rever biografias de vultos antes respeitados, alterar a perspectiva da história, aprovar o divórcio, mudar a música e o teatro, em especial. Tudo fora alterado, pela influência dessa geração de Espíritos rebeldes que no fundo buscavam como todo espírito “paz e amor”, por caminhos diferentes, e mostravam a falência de nossos métodos antigos de atingir esses ideais.  

Percebera que esse ciclo histórico de progresso dos Espíritos e da sociedade terminara. A sabedoria divina aproveitara a geração rebelde e sem rumo em seu contato com a vida material, forçando a mudança da estrutura social para rumos de maior liberdade. Outro ciclo vagarosamente surgia.  

Marta sabia, agora, que um novo ciclo se iniciara, a partir mais ou menos de 1970 e que agora as mudanças necessárias seriam muito mais do que apenas uma “revolução sexual e de costumes” da década de 1960.  

Percebia com maior agudeza do que antes que o Espiritismo tinha uma ética livre das hipocrisias históricas e uma história curta demais, para tantos desvios que caracterizavam os movimentos espiritualistas diversos. 

Agora, nesse novo ciclo histórico, que se iniciava no fim do terceiro milênio, teríamos problemas mais importantes para resolver. 

Como poderia a Doutrina Espírita “secundar o movimento de regeneração social” como queria Kardec, no item 25 do Capítulo XVII, de A Gênese?  

A antiga preocupação com os avisos espirituais acerca de uma encarnação coletiva de Espíritos umbralinos adentrara a conversa formal entre Marta e José.

Julho de 2005. Marta estava sentada comodamente em importante editora espírita, conversando com um senhor de semblante suave e olhos bondosos, que lhe dizia haver ouvido de um guia espiritual essa revelação. 

– Estou interessada nessa revelação. O que lhe disseram os guias espirituais sobre essa invasão de Espíritos umbralinos? 

– Que esses Espíritos são muito atrasados e que iriam nos dar muito trabalho. O senhor José, importante executivo aposentado, revelava a palavra dos mentores com muita reverência.  

– E eles não explicaram o que nos competia fazer? 

– Não, minha cara. Apenas me auxiliaram a entender por que a violência cresce aqui no Rio de Janeiro, por que as favelas aumentam e por que as crianças não aprendem mais a ler, quando antigamente nós, crianças pobres, com pais analfabetos e professores sem Faculdade, saíamos todos alfabetizados no segundo semestre da primeira série do fundamental. 

Marta mudou a postura relaxada. O senhor, cuja bondade estava expressa nos olhos suaves, tocara em assuntos nos quais Marta se especializara. Ouvira bem? Ele dizia que o mau desempenho das crianças na escola era devido à sua inferioridade espiritual? Que a violência nas cidades grandes era produto de Espíritos umbralinos, voltados ao mal? Santo Deus... Era preciso pelo menos plantar alguma dúvida. 

Com muito cuidado, respeitando a mente ingênua e bondosa do Sr. José, Marta argumentou: 

– Preferia entender de outra forma a alusão a esses Espíritos umbralinos. Trabalho em educação desde os dezoito anos. Aposentei-me lutando pelo ensino no Brasil. Acho que os umbralinos reencarnados não são os favelados e jovens semianalfabetos. São outros.   

Diante da curiosidade de José, ela prosseguiu: 

– A partir da década de 1960 houve um movimento político no Brasil, iniciando-se pela Universidade, e com especial ênfase nos Cursos de Psicologia e de Educação, que propositalmente começou a mudar o nosso ensino, partindo das Universidades, até o segundo grau.  

De 1980 a 1990, o processo, já com vinte anos, mudou de rumo, e passou a interferir diretamente, em especial no Sul e Sudeste do Brasil, na área de alfabetização, aposentando métodos antigos e implantando novidades que impediam nossos alunos de ser alfabetizados.  

– E ninguém fez nada para reagir? – Indagou José. 

– Bem, a política foi genialmente implantada. No Estado de São Paulo, apenas uma região teve Conselhos Municipais de Educação que se recusaram a seguir essa orientação. Nessa região, até hoje, crianças são alfabetizadas com 4 ou 5 anos, sem nenhum método que as violente, e sem que se exijam dos pais qualquer auxílio. Será que nessas cidades os umbralinos não reencarnaram ou as autoridades tiveram sabedoria política para enfrentar a “revolução para analfabetizar”, que invadia as Universidades, sob o disfarce de uma nova metodologia? 

– Quer dizer que a senhora não acha que nossas crianças da obra que administro não aprendem mais a ler porque são Espíritos atrasados? 

– Não acho isso, acho que Espíritos atrasados e inferiores são os donos do poder e em diversos países montaram propositalmente esse plano verdadeiramente das “trevas”. Digo-lhe que tais métodos já foram testados em países muito adiantados, fazendo com que as novas gerações percam o domínio da linguagem, temam falar em público. Sabia que o maior medo dos nossos irmãos americanos não é o da morte, mas o de falar em público? Acredita que isso seja por acaso?  

José ouvia e seu ar de desencanto comovia Marta: 

– Percebo que, por ser um grande administrador, está pensando no que eu digo, sabe que os dirigentes de uma empresa, como o de um país, podem fazer o que eu estou lhe dizendo. Acredite. Fizeram isso com muitos países e, a partir de 1980, com nosso ensino fundamental. Sabe por que tiram de nossos meninos a capacidade de usar a linguagem, ler e escrever com fluência e os limitam ao visual, a TV, vídeos e DVDs? 

– Imagino que assim lhes tiram a possibilidade de fazer discursos, falar em público, liderar, ler assuntos e autores revolucionários e, principalmente, mudar a sociedade. 

– Não apenas isso. Limitam nossos jovens que não entendem mais textos simples. Cansam-se diante de livros com mais de uma centena de páginas, são incapazes de analisar um texto, compilando as idéias principais. Os jovens espíritas acham ler Kardec difícil, mal entendem André Luiz e se tornam presas fáceis de médiuns doentes ou ignorantes, que produzem fenômenos, mas sem conteúdo filosófico ou moral, ou, o que é pior, com orientações morais perigosas. 

– Quem não sabe falar, não entende o que lê, não pensa, não luta por seus direitos, é massa fácil de manipular! 

– Parabéns, José, você realmente é brilhante. Entendeu todo o processo. Resta que não se acomode, não desista, mas lute para que pelo menos os seus meninos aprendam a ler, escrever, leiam poesia, prosa, discutam, façam teatro, falem em público. Temos em São Paulo uma escola espírita para crianças carentes, cujos alunos não são alfabetizados por esses métodos e “papam” quase todos os empregos da cidade, ao fazerem teste. Domínio da língua, meu caro. 

O velho executivo olhou Marta bem nos olhos e disse: 

– Sabe, a sua palavra dói muito aqui – e apontou o coração. – É dura de ouvir... Faz mal à gente.  

Marta entendeu. Destruíra com seus argumentos muitas ilusões. É difícil para os bons perceberem que fazem o jogo dos grandes manipuladores dos povos e encontram explicações “espirituais” e “reencarnatórias” para seus planos inteligentes e imorais. Apiedou-se de José. Nunca percebera antes que falando assim mostrava aos bons a sua impotência diante da inteligência malévola dos chefes das trevas e que isso, ao invés de incentivá-los a lutar, trazia muito sofrimento... 

Limitou-se a dizer: 

– Sinto muito, mas é preciso encarar a realidade. Se Anchieta e Nóbrega achassem que os Espíritos que consideravam pagãos e primitivos eram incapazes de entender a grandeza do latim e da alfabetização, certamente não teriam feito o Colégio de São Paulo. Não acreditariam no potencial dos selvagens. Sempre que falhamos em educação a culpa não será dos que consideramos inferiores, ou seja, da criança, de seus pais, de seu ambiente. Sempre será nossa, que não sabemos os meios de atingir seus Espíritos, nem buscamos descobri-los, mudando nosso enfoque na ação ou aperfeiçoando nossas técnicas e métodos. 


 
Para expressar sua opinião a respeito desta matéria, preencha e envie o formulário abaixo.
Seu comentário poderá ser publicado na seção de cartas de uma de nossas futuras edições.
 

  Simulador de configuracoes FORMMAIL

Nome:
E-mail:
Cidade e Estado:
Comentarios:
 


 

 


Voltar à página anterior


O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita