“Fora da caridade não há salvação” é uma assertiva da
doutrina espírita (Espiritismo ou Doutrina dos
Espíritos), que nos aponta a caridade como único caminho
para nos “salvarmos”.
O que significa isso?
Geralmente entende-se por caridade dar uma esmola, dar
algo que possuamos, que não nos faz falta. Na óptica
espírita, a caridade não é só dar coisas, mas acima de
tudo dar-se ao próximo, ser útil, servir sem outras
intenções que não sejam a de suavizar a vida alheia.
A caridade é um estado de alma, um sentir permanente de
solidariedade, uma
maneira de pensar e agir que leva o Homem ao amor
incondicional pelo próximo, fazendo aos outros o que
desejaria que lhe fizessem, se estivesse no seu lugar.
A tempestade Kristin que assolou Portugal, destruindo
vastas áreas da zona Centro do país, apanhou todos de
surpresa, mesmo o próprio Estado, que devia estar
preparado para acudir aos seus cidadãos.
Perante os apelos locais, foi simplesmente espantosa (no
sentido positivo) a solidariedade humana, de todos os
pontos de Portugal, inclusive do estrangeiro. Desde
materiais leves a outros mais pesados, geradores,
maquinaria, alimentos, cobertura de telhados etc., as
pessoas solidárias saltaram como que impulsionadas pela
sua boa índole espiritual e vieram de locais longínquos,
anonimamente, apenas para… ajudar.
Não se sabe o seu nome, clube de futebol, religião,
partido político, mas sabe-se que são seres humanos
solidários, com uma grandeza espiritual muito vincada.
“Nas grandes calamidades, a caridade agita-se e veem-se
generosos impulsos para reparar os desastres.” (In O
Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec)
Perante tanta dor, tanta dificuldade, como foi belo o
exemplo de solidariedade de uns e outros, uns servindo
de mola propulsora e, outros, seguindo os bons exemplos
dos primeiros.
Vivemos num planeta de provas e expiações (como por
exemplo os desastres naturais) a caminho de um planeta
de regeneração, num futuro em que o Bem predomine sobre
o Mal.
Aos poucos, nós, seres humanos, vamos trilhando o
caminho da fraternidade, da solidariedade, do amparo
mútuo desinteressado e vamo-nos distanciando das ideias
belicistas, egoístas, gananciosas.
Esse é o desiderato do processo evolutivo em que nos
encontramos na Sociedade, evoluir intelectual e
moralmente, vida após vida, reencarnação após
reencarnação, libertando-nos das amarras do orgulho e do
egoísmo, para adentrarmo-nos no prazer da caridade
interior, que não humilha nem se insinua, que nos
pacifica por dentro.
Todas as pessoas solidárias (seja de que modo for) já
são jardineiros do Bem, semeando as flores da
solidariedade, que vão desabrochando paulatinamente e
embelezando o meio-ambiente, outrora acinzentado pelo
egoísmo humano.
Quem é solidário nunca se torna solitário, por isso
vivemos em Sociedade, para, em conjunto, nos auxiliarmos
mutuamente (Lei de Sociedade, in “O Livro dos
Espíritos”, de Allan Kardec).
Apesar de todo o prejuízo, a tempestade Kristin veio
mostrar ao povo português a sua real condição, a de um
povo solidário.
O Espiritismo alerta-nos precisamente para esse caminho
como o único que nos faz subir as escadas da evolução
espiritual: “Fora da caridade não há salvação”.
José Lucas reside em Óbidos, Portugal.