Entrevista

por Orson Peter Carrara

Uma visão além das letras. Lucidez e pesquisa abraçadas no ideal


Natural de Fortaleza (CE) e residente em Porto Alegre (RS), Bruno Freitas Godinho (foto) é funcionário público aposentado, vinculado à Sociedade Espírita Eterno Crescente, na capital gaúcha. Atualmente não exerce nenhum cargo na casa espírita, conquanto se mantenha ligado a ela por meio dos estudos semanais, sendo também seu sócio efetivo. Nas respostas que compõem esta entrevista, apresenta-se uma síntese de sua dedicação ao estudo e à divulgação espírita.


Tendo nascido em um lar espírita e aderido efetivamente ao conhecimento por meio do estudo a partir dos 16 anos de idade, como sente hoje o efeito desses anos de pesquisa e estudo?

Sim; nasci em um lar espírita e, embora frequentasse, desde tenra idade, a evangelização nas casas espíritas em que meus tutelares trabalhavam e, mais tarde, integrasse a juventude (mocidade) na Federação Espírita Brasileira, não me tornei espírita na adolescência, no seu sentido fidedigno, a saber: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4).

Minha “virada de chave”, meu “despertar”, minha “conversão”, minha “metanoia” para as verdades eternas contidas no Espiritismo deu-se entre os anos de 1999 e 2000, quando, pela dor, a Lei Divina convocou-me a viver as alvíssaras do Crucificado sob a tutela da Doutrina Espírita, ainda que eu esteja bastante distante de tal desiderato.

Seus temas envolvendo história e filosofia advêm desse gosto pela pesquisa e pelo estudo? E que ângulo de abordagem mais o atrai?

Sim; sou autodidata. Todos os ângulos e abordagens que envolvem os valores da alma me cativam e fascinam, até porque o Espiritismo é um movimento da mais pura universalidade, pois, além de ser uma filosofia capaz de traçar roteiros sadios para todos os homens de boa vontade, é também ciência, comprovando, em todas as latitudes geográficas do orbe, a razão e a lógica de seus postulados.

A legenda desse universalismo autêntico confirma-se ainda na difusão de seus ensinamentos libertadores, realizados à luz do Evangelho, isto é, do código moral da humanidade terrena, instituído pelo Mestre Jesus (Yeshua), que visa extinguir todas as fronteiras dos preconceitos e das convenções humanas com a simples recomendação: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15:12).

Nessa direção, quantos livros já publicou?

Temos, até o presente momento, sete livros publicados, cujo total previsto será de 14 obras já solicitadas pelos Espíritos. Prontos para o prelo, já contamos com 12 livros escritos.

Eis, abaixo, os livros que já se encontram em domínio público:

A FILOSOFIA DA HISTÓRIA, SOB A VISÃO ESPIRITUAL (2019) — tocou-me profundamente pela revelação que obtive de Divaldo Franco quando escrevia, em meus estudos íntimos (destinados inicialmente apenas ao meu próprio aprendizado), sobre os filósofos da Grécia Antiga até os contemporâneos. Inopinadamente, o médium, em conversa particular, disse-me que o Espírito Vianna de Carvalho inspirava-me em meus estudos pessoais. Esses escritos chegaram, então, por intermédio de uma jornalista gaúcha — Jaqueline Lima — à mesa do professor e vernaculista Paulo Ledur, diretor executivo da Editora AGE, e a empresa decidiu financiar integralmente o projeto de sua publicação.

O CRUCIFICADO (2021) — foi um divisor de águas em minha existência, porque escrever sobre o maior Homem que esteve entre nós inevitavelmente toca qualquer indivíduo por sua luminosa mensagem libertadora dos atavismos que trazemos de nossos desmandos do passado. Vinte anos de estudo foram registrados neste livro, cujos temas envolvendo-o são de natureza variada.

O APÓSTOLO DA GENTILIDADE (2023) — esse livro marcou-me após 12 anos de estudo das 14 cartas de Paulo de Tarso e dos Atos dos Apóstolos, escritos por Lucas. Não há como conhecer a vida do Convertido de Damasco — um legionário de Cristo Jesus, um apóstolo do bem, um arauto da fé, um cruzado da caridade, um velador da luz, um guardião da verdade, enfim, um autêntico tipo de cristão integral — e permanecer com o caráter sem aprimoramento.

O CONVERTIDO DE MILÃO (2024) — impressionou-me profundamente a conversão de um homem extremamente inteligente e maniqueísta, a quem ninguém conseguia dobrar em seu saber. Após sua mudança radical, na cidade de Milão (Itália), na presença de dois amigos íntimos — Ponticiano e Alípio —, rendeu-se, como poucos, a Jesus, o Cristo, submetendo-se à graça divina. O livro, inicialmente, seria publicado somente em formato digital e traduzido para cinco línguas — inglês, francês, espanhol, alemão, italiano e grego. Entretanto, o público também o desejou em formato impresso. Assim se fez. Os 200 exemplares iniciais foram vendidos em menos de um mês e, no Congresso Espírita do Estado da Bahia (2025), muitos solicitaram a obra, mas a editora não havia realizado nova impressão desde 2024. Os planos mudaram: a partir de 2026, será impressa a segunda edição.

O HUMANO SER (2024) — este tratado ontológico veio quebrar muitos paradigmas ensinados, equivocadamente, há longo tempo no meio dos estudos espíritas. A obra revolucionou-me intimamente quando percebi que nossa mente é condicionada pela educação, pelo ambiente social, pelo medo, pelo trabalho, pela família etc. Todo o nosso “querer” (motivação, ânsia de mudança), portanto, permanece dentro da esfera do conhecido; vivemos das lembranças da experiência de ontem. Resultado: movemo-nos sempre a partir do passado e, com efeito, não evoluímos moral e espiritualmente. A mente é boa serva e cruel senhora. Serve de alimento para muitos e de veneno para muitíssimos. O assunto é delicado, mas bem trabalhado neste livro. Não há como lê-lo sem perceber que nossas emoções corrompidas (cf. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI, item 8) resultam de nossa mente — “a grande assassina da realidade” (Helena Blavatsky, A Voz do Silêncio).

O EVOLUCIONISMO (2025) — este livro marca o prólogo da obra que será lançada no próximo ano — UM EXÍLIO TEMPORÁRIO — e instiga o leitor a conhecer um pouco sobre nossas origens, além de apresentar considerações sobre o tão falado “elo perdido” e demonstrar, de forma enfática, que a humanidade não evoluiu moralmente e espiritualmente.

A DOR DO AMOR (2025) — envolvi-me com essa obra, inicialmente não planejada como literatura, a partir de agosto de 2022, quando os Espíritos Irmã Rosália (nossa guia espiritual) e Joanna de Ângelis solicitaram — a primeira por intermédio de uma médium que prefere permanecer no anonimato, e a segunda por meio de Divaldo Pereira Franco — que escrevêssemos, de maneira direta e sem rodeios, sobre o tema “amor”, abordando-o por meio de assuntos independentes. A veneranda benfeitora, sem qualquer autobiografia, afirmou ao nosso estimado médium baiano que, no momento atual, este que vos escreve seria capaz de tratar o assunto conforme o propósito dos benfeitores espirituais. Cheguei a imaginar que o saudoso amigo estivesse equivocado ou sofrendo algum tipo de mistificação espiritual. Mas, como todos sabem, esse homem singular demonstrou a todos ser uma alma em resgate que, sem embargo, alcançou sua redenção psíquica (espiritual) ao longo de seus 98 anos de existência física, dedicando sua vilegiatura carnal ao próximo, seja pela mediunidade com Jesus, seja pela caridade material e, sobretudo, pela caridade moral.

Qual o lançamento mais recente e por qual editora?

Os livros O EVOLUCIONISMO (2025) e A DOR DO AMOR (2025). Todos os nossos livros são publicados pela Editora AGE, cuja sede fica em Porto Alegre (RS).

Como sente a repercussão do público que o procura após as palestras?

Sinto uma profunda alegria íntima, que muito me felicita, pois os recantos mais profundos da alma dos irmãos e irmãs que nos procuram após as palestras deixam-me cheio da graça de Deus ao perceber que a mensagem divina — a única que importa ao autor e expositor — foi levada com amor, denodo, desinteresse pessoal e entrega total.

Analisando o momento atual, como vê, em termos históricos e filosóficos, esse complexo desafio das seguidas crises enfrentadas pelo planeta em todos os segmentos, considerando também a novidade da informação “em tempo real”?

A Verdade já se encontra entre nós há milênios. No entanto, continuamos, ao longo dos séculos, rejeitando-a. Não há desculpas para não mudarmos nossos hábitos nocivos. Diante do “caos moral” que se apresenta no orbe terráqueo, permaneçamos tranquilos e serenos, porquanto nenhuma força humana será capaz de deter o progresso por muito tempo. Ele, fatalmente, virá, mesmo à revelia daqueles que se arvoram em “guias da humanidade”, como se, a dirigir os destinos do homem, não houvesse uma incomensurável força oculta que, soberanamente sábia, justa e bondosa, saiba qual seja o melhor caminho para a ascensão espiritual de todos os seres da criação. Pobres daqueles que se autoconstituem “donos de si mesmos”. Na realidade, não passam de frágeis instrumentos da Vontade Maior — simples executores da suprema Lei de Causa e Efeito.

De todas essas vivências como espírita, o que mais lhe toca a alma?

O amor universal.

Algo mais que gostaria de acrescentar?

Amem, amem e amem. Esqueçam-se de si mesmos em favor do próximo.

Suas palavras finais.

A Boa Nova do Crucificado não é apenas propaganda de ideias libertadoras. Acima de tudo, é a construção de um mundo novo pela edificação moral do homem renovado. É o caminho da liberdade rumo à perfeição, e a liberdade é a mensagem do Evangelho de Jesus trazida ao presídio humano. O Evangelho, amigo leitor, é fonte inesgotável e perene, na qual está condensada toda a água da verdade, jorrada diretamente dos mananciais de Deus. Bebamos dessa fonte e digamos sempre: Glória nas alturas! Paz na Terra aos homens de boa vontade.


 

     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita