Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Paz


Procurando a paz


Kiko, um menino alegre de 10 anos de idade, voltava da escola pensando na lição de casa: uma redação sobre a paz. Logo que chegou, abriu o caderno para fazer a tarefa. Mas não conseguiu começar, pois percebeu que não sabia exatamente o que era a paz, nem onde encontrá-la.

Saiu, então, à procura da tal paz. Lembrou-se de um sábio que morava ao pé da montanha e foi indagá-lo. Mas o sábio lhe disse apenas:

— Procure pela paz e você a encontrará. Ela não está longe de você.

Kiko subiu a montanha, imaginando que assim estaria mais perto de Deus, pensando ter entendido as palavras do sábio. Ao chegar ao topo, sentiu uma grande tranquilidade, mas tinha certeza de que não era ali que estava a paz.

Do alto da montanha ele viu a praia e se dirigiu até lá. Ficou a ouvir o barulho do mar e a sentir o vento em seus cabelos. Pensou um pouco e achou que, apesar de agradável, não era bem aquilo a paz que procurava.

Caminhou, então, por uma floresta e viu flores, árvores e muitos animais. Encantou-se ao observar a natureza, obra de Deus. Mas logo se sentiu triste e solitário e decidiu procurar alguém para conversar.

No caminho de casa encontrou Juca, um senhor muito rico, que tinha muito dinheiro e muitas propriedades. Kiko perguntou-lhe sobre a paz e logo se lembrou de que ele era mal-humorado, parecendo estar sempre de mal com o mundo. Juca apenas lhe disse que estava muito ocupado, que não tinha tempo para bobagens e que não entendia nada de paz.

O garoto resolveu, então, voltar para casa. Kiko tinha uma família muito legal: pais carinhosos e inteligentes, que estavam ao seu lado em todos os momentos, e uma irmã pequena de quem ele gostava muito.

Ao chegar em casa, sua mãe estava triste, pois ele havia saído sem avisar e demorara muito para voltar. Ela mandou que ele tomasse banho e não o deixou jogar bola com os amigos. Kiko ficou chateado; afinal, saíra para descobrir onde morava a tal paz, que era o tema de sua redação.

O domingo chegou. Era o seu aniversário. Ganhou de sua avó um presente que há muito tempo queria: uma bola de futebol. Ficou muito contente, chegou a pensar que estava descobrindo o que era a paz e foi jogá-la com os amigos. Acabou discutindo com seu melhor amigo durante o jogo e concluiu que o presente lhe trouxera muita alegria, mas não a tal da paz.

Na segunda-feira, ao voltar da escola, encontrou muitas pessoas no caminho e pensou: será que a paz não mora no meio do povo? Ficou distraído pensando nisso e quase se perdeu. Logo descobriu que, às vezes, estamos junto de muitas pessoas e, mesmo assim, nos sentimos sozinhos.

Chegando em casa, pegou o caderno, sentou-se no jardim e escreveu: “A Paz”. Como não conseguia ir além do título, resolveu refletir sobre sua busca.

A paz não estava na imensidão das montanhas, na calma da praia ou na beleza da natureza. Também não parecia estar nos bens materiais, pois Juca, apesar de rico, não parecia conhecê-la. Não estava nos brinquedos, nem no meio do povo, nem mesmo na família, pois discutira com sua mãe e acabara de castigo.

Nesse momento, começou a lembrar-se de suas aulas de evangelização: dos ensinamentos de Jesus. Lembrou-se de que as evangelizadoras falaram muito sobre os Dez Mandamentos; das aulas sobre conduta; da colaboração e do respeito na família; da importância do perdão e da amizade em nossa vida; e de que a prece pode ser feita em qualquer hora e em qualquer lugar, pois não precisamos subir a uma montanha para estar mais próximos de Deus.

Lembrou-se também das palavras do sábio: “Procure pela paz e você a encontrará. Ela não está longe de você.” Parecia um enigma… Pensou… E finalmente descobriu onde morava a paz.

Kiko percebeu que o sábio tinha razão, pois só encontraremos a paz por meio de nossas atitudes positivas: na família, na escola, no trabalho, no grupo social, no Centro Espírita, em qualquer lugar onde estivermos.

O garoto pegou o lápis e começou sua redação assim:

“Procure pela paz e você a encontrará. Ela está dentro de você, pois a paz do mundo começa dentro de cada pessoa.” 
 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita