Do modo de
auxiliar
Qualquer socorro, indiscutivelmente, nasce na fonte da
caridade, merecendo gratidão e respeito; no entanto, em
amparando a alguém com alguma cousa, não olvides o modo
de dar para que a tua dádiva seja na Terra uma luz do
Céu.
Muita gente arremessa a bolsa ao semblante do irmão em
prova, com tanta dureza de sentimento que, em lugar das
flores da alegria, apenas lhe oferta ao coração as
raízes envenenadas da angústia.
Muitos estendem o pão ao faminto, revestindo-o de tantas
reprimendas, que o alimento lhe alcança a boca com
ressaibos de fel.
E muitos, ainda, oferecem a palavra de fé e orientação,
aos desesperados do caminho terrestre, com tantas
anotações de escárnio, que o prato do conselho
edificante surge condimentado em vinagre de crítica, à
maneira de manjar celeste misturado de lodo e lama.
Analisa a intenção com que socorres para que a
leviandade não te desfigures o gesto amigo.
Considera a inflexão de tua voz para que teu verbo não
se transforme em azorrague esfogueante.
Observa a maneira que adotas no auxílio ao companheiro
de luta, a fim de que a intolerância não te comande os
movimentos, distribuindo humilhação e pesar, ao invés de
esperança e consolação.
Muitos dão. Raros, no entanto, sabem dar, porque para
estender o culto do amor por sublime virtude é
imprescindível que a humildade nos ilumine por dentro, a
fim de que a ausência do perdão e da paciência, do
entendimento e da bondade não nos converta em censores
de nossos próprios irmãos, sedentos de solidariedade e
carinho.
Não nos esqueçamos de que auxiliando aos outros como
Jesus auxiliou — oferecendo ao mundo quanto possuía de
si, sem cogitar de si mesmo — realmente faremos da
caridade comum não apenas o refúgio da esmola, mas o
divino santuário da educação.
Do livro Seguindo juntos, obra
psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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