Jesus teve longa preparação para sua encarnação na
Terra?
Temos observado vídeos nas redes sociais e palestras de
confrades espíritas discorrendo sobre um suposto longo
processo de preparação de Jesus para nascer e viver na
Terra.
Será essa afirmativa mais uma “fake news” ou trata-se de
uma informação útil e verdadeira? Vamos analisar o tema
à luz de nossa fé racionada e concluir em seguida.
Inicialmente, vamos analisar se Jesus teria necessidade
de tal espera.
Os
Espíritos percorrem o espaço com a rapidez do pensamento (1),
nos ensina a Doutrina Espírita. Nesse sentido, como a
substância do perispírito muda de um mundo a outro, o
Espírito se reveste da matéria própria de cada orbe,
operando essa mudança mais rapidamente que a velocidade
de um relâmpago (2).
No
entanto, alguns Espíritos não podem sair do mundo onde
estão, enquanto outros, superiores, podem percorrer o
espaço rápida e facilmente, de acordo com sua vontade (3).
Portanto, sendo um Espírito puro, seguramente Jesus não
precisaria de quaisquer adaptações para encarnar na
Terra e poderia fazê-lo sem nenhuma dificuldade.
Talvez quem pensou na possibilidade de uma longa
preparação, tenha se preocupado com a reação de nós
humanos ao visualizarmos um Espírito puro.
Cheguei a ouvir que, sem uma preparação longa, nós não
suportaríamos estar na presença de um Espírito como
Jesus.
Lembramos então de André Luiz na obra Libertação psicografada
por Francisco Cândido Xavier, descrevendo a adaptação de
seu perispírito, ao torná-lo mais denso para não emitir
luz em regiões inferiores. André Luiz, porém, havia sido
considerado um suicida inconsciente em Nosso Lar.
Assim, dizer que sua preparação se compararia a de
Jesus, não seria adequada.
Ora, no episódio da Transfiguração (Mt 17, 1-9), Jesus
assume aparência resplandecente como o sol, com vestes
brancas como a luz, na presença dos Espíritos de Moisés
e Elias. A história, testemunhada por Pedro, Tiago e
João, demonstra a rapidez com a qual o Divino Mestre
pode voltar à forma humana e regressar às suas
atividades.
Esperamos dessa forma termos descartado a necessidade de
uma preparação perispiritual secular ou milenar de Jesus
para evitar um choque nos terráqueos de dois mil anos
atrás a conviver com ele.
Para nós, pensar na necessidade de preparação prévia de
Jesus demonstra uma oportunidade de estudar mais a obra
de Allan Kardec e a história de Jesus. Nesse sentido,
recomendamos a leitura de Cristianismo, uma Mensagem
Esquecida, de Hermínio C. de Miranda.
Elaboramos esse texto após ouvirmos vários colegas
repetirem a alegada necessidade de preparação de Jesus
para sua encarnação e finalmente, ao ouvir um confrade
afirmando que “Chico me disse” que Jesus demorou 4.000
anos para encarnar.
Fica aqui o convite a todos a estudarem a codificação.
Lendo 7 páginas por dias, ao final de 12 anos teremos
lido todas as ditas “Obras Básicas” de Allan Kardec.
Estude a Doutrina, não deixe de investigar afirmativas
conflitantes com os ensinamentos do mestre de Lyon. Há
muitas citações de Chico Xavier inverídicas, e muitos
autores usando trechos de livros de Kardec para
afirmarem coisas contrárias ao próprio tema em questão.
Leiam na fonte, analisem, não terceirizem sua fé, sua
convicção.
Para encerrar, uma reflexão:
A
única preparação possível de Jesus para encarnar em
nosso meio, sabendo de antemão das provações e
sofrimentos pelos quais passaria, foi sua evolução
espiritual até se tornar Espírito puro, com amor
incondicional por nós, suas ovelhas.
Assim, Jesus veio ao mundo para mostrar nosso potencial:
servir como nosso modelo, ou exemplo, ao nos deixar suas
histórias e palavras como guia para nossa caminhada
evolutiva. Ao se mostrar um Espírito imortal, e nos
explicar que podemos fazer o que ele faz e muito mais
(Jo 14:12), o nazareno deixa claro sermos todos criados
por Deus, como ele, nos convidando a sermos seus irmãos,
fazendo a vontade de Deus.
Procuremos seguir seus ensinamentos:
não julgar, não condenar, não querer mal a quem pensa
diferente de nós, perdoar a quem nos ofende, mostrando a
outra face, amando a todos inclusive àqueles que pensam
serem nossos desafetos, buscando domar nossas más
paixões, trabalhando incessantemente em nossa
transformação moral e em prol daqueles menos
privilegiados moral e materialmente que nós nessa
encarnação.
Referências:
1. KARDEC,
Allan, O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro
Noleto Bezerra. 4ª ed. 5ª imp. Brasília, DF: FEB
2018.Questão 89.
2. ______,
______. Questão 187.
3. KARDEC,
Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução
de Evandro Noleto Bezerra. 2ª ed. 1ª imp. Brasília: FEB,
2013. Cap. III itens 2 e 9.