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por Rodolfo Collevatti

 

Jesus teve longa preparação para sua encarnação na Terra?

 

Temos observado vídeos nas redes sociais e palestras de confrades espíritas discorrendo sobre um suposto longo processo de preparação de Jesus para nascer e viver na Terra.

Será essa afirmativa mais uma “fake news” ou trata-se de uma informação útil e verdadeira? Vamos analisar o tema à luz de nossa fé racionada e concluir em seguida.

Inicialmente, vamos analisar se Jesus teria necessidade de tal espera.

Os Espíritos percorrem o espaço com a rapidez do pensamento (1), nos ensina a Doutrina Espírita. Nesse sentido, como a substância do perispírito muda de um mundo a outro, o Espírito se reveste da matéria própria de cada orbe, operando essa mudança mais rapidamente que a velocidade de um relâmpago (2).

No entanto, alguns Espíritos não podem sair do mundo onde estão, enquanto outros, superiores, podem percorrer o espaço rápida e facilmente, de acordo com sua vontade (3).

Portanto, sendo um Espírito puro, seguramente Jesus não precisaria de quaisquer adaptações para encarnar na Terra e poderia fazê-lo sem nenhuma dificuldade.

Talvez quem pensou na possibilidade de uma longa preparação, tenha se preocupado com a reação de nós humanos ao visualizarmos um Espírito puro.

Cheguei a ouvir que, sem uma preparação longa, nós não suportaríamos estar na presença de um Espírito como Jesus.

Lembramos então de André Luiz na obra Libertação psicografada por Francisco Cândido Xavier, descrevendo a adaptação de seu perispírito, ao torná-lo mais denso para não emitir luz em regiões inferiores. André Luiz, porém, havia sido considerado um suicida inconsciente em Nosso Lar. Assim, dizer que sua preparação se compararia a de Jesus, não seria adequada.

Ora, no episódio da Transfiguração (Mt 17, 1-9), Jesus assume aparência resplandecente como o sol, com vestes brancas como a luz, na presença dos Espíritos de Moisés e Elias. A história, testemunhada por Pedro, Tiago e João, demonstra a rapidez com a qual o Divino Mestre pode voltar à forma humana e regressar às suas atividades.

Esperamos dessa forma termos descartado a necessidade de uma preparação perispiritual secular ou milenar de Jesus para evitar um choque nos terráqueos de dois mil anos atrás a conviver com ele.

Para nós, pensar na necessidade de preparação prévia de Jesus demonstra uma oportunidade de estudar mais a obra de Allan Kardec e a história de Jesus. Nesse sentido, recomendamos a leitura de Cristianismo, uma Mensagem Esquecida, de Hermínio C. de Miranda.

Elaboramos esse texto após ouvirmos vários colegas repetirem a alegada necessidade de preparação de Jesus para sua encarnação e finalmente, ao ouvir um confrade afirmando que “Chico me disse” que Jesus demorou 4.000 anos para encarnar.

Fica aqui o convite a todos a estudarem a codificação. Lendo 7 páginas por dias, ao final de 12 anos teremos lido todas as ditas “Obras Básicas” de Allan Kardec. Estude a Doutrina, não deixe de investigar afirmativas conflitantes com os ensinamentos do mestre de Lyon. Há muitas citações de Chico Xavier inverídicas, e muitos autores usando trechos de livros de Kardec para afirmarem coisas contrárias ao próprio tema em questão. Leiam na fonte, analisem, não terceirizem sua fé, sua convicção.

Para encerrar, uma reflexão:

A única preparação possível de Jesus para encarnar em nosso meio, sabendo de antemão das provações e sofrimentos pelos quais passaria, foi sua evolução espiritual até se tornar Espírito puro, com amor incondicional por nós, suas ovelhas.

Assim, Jesus veio ao mundo para mostrar nosso potencial: servir como nosso modelo, ou exemplo, ao nos deixar suas histórias e palavras como guia para nossa caminhada evolutiva. Ao se mostrar um Espírito imortal, e nos explicar que podemos fazer o que ele faz e muito mais (Jo 14:12), o nazareno deixa claro sermos todos criados por Deus, como ele, nos convidando a sermos seus irmãos, fazendo a vontade de Deus.

Procuremos seguir seus ensinamentos: não julgar, não condenar, não querer mal a quem pensa diferente de nós, perdoar a quem nos ofende, mostrando a outra face, amando a todos inclusive àqueles que pensam serem nossos desafetos, buscando domar nossas más paixões, trabalhando incessantemente em nossa transformação moral e em prol daqueles menos privilegiados moral e materialmente que nós nessa encarnação.

 

Referências:

1. KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4ª ed. 5ª imp. Brasília, DF: FEB 2018.Questão 89.

2. ______, ______. Questão 187.

3. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2ª ed. 1ª imp. Brasília: FEB, 2013. Cap. III itens 2 e 9.


  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita